PUBLICADO EM 05 de nov de 2026

Alta do petróleo afeta países de forma desigual, alerta ONU

Relatório da ONU revela que a alta do petróleo atinge principalmente países em desenvolvimento, elevando combustíveis e custo de vida

Alta do petróleo afeta países de forma desigual, alerta ONU

A alta do petróleo provoca variações expressivas nos preços globais. Conheça os efeitos em diferentes países e suas economias.

A alta internacional do petróleo afeta os países de maneira desigual e provoca consequências mais graves nas economias em desenvolvimento, segundo levantamento divulgado pela ONU.

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A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) analisou os impactos da crise energética sobre os preços dos combustíveis e o orçamento familiar.

Além disso, o estudo aponta que impostos, subsídios, taxas de câmbio e políticas nacionais de preços influenciam diretamente os valores pagos pelos consumidores nos postos.

Entre fevereiro e agosto de 2026, o diesel aumentou aproximadamente 83% na Nigéria, enquanto a Irlanda registrou elevação de apenas 9% durante o mesmo período.

Da mesma forma, a gasolina subiu cerca de 51% em Mianmar, mas apresentou aumento de somente 3% na Suécia, evidenciando diferenças expressivas entre os países.

Conflito no Oriente Médio impulsiona preços

O conflito no Oriente Médio provocou interrupções no abastecimento internacional de petróleo, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota comercial energética mundial.

Consequentemente, o barril do petróleo Brent passou de aproximadamente US$ 70, em janeiro, para mais de US$ 120, em março, pressionando os mercados internacionais.

Posteriormente, os preços recuaram entre abril e junho, acompanhando negociações diplomáticas, mas voltaram a subir após o fracasso das conversações e a retomada dos confrontos.

Além disso, os contratos futuros indicavam a possibilidade de manutenção dos preços elevados até dezembro de 2026, ampliando as preocupações de empresas, governos e consumidores.

Aumento dos combustíveis compromete renda familiar

Segundo a UNCTAD, a elevação dos combustíveis ultrapassa os postos de abastecimento, pois encarece o transporte de mercadorias e pressiona os preços dos alimentos.

Dessa forma, mesmo famílias que não possuem veículos enfrentam consequências econômicas, especialmente quando empresas repassam os custos adicionais de transporte aos preços dos produtos.

Estudos anteriores indicam que um aumento de US$ 0,25 por litro de combustível pode reduzir, em média, mais de 5% do poder de compra familiar.

Entretanto, as famílias de menor renda enfrentam dificuldades maiores, pois possuem reservas financeiras limitadas e precisam priorizar despesas essenciais, como alimentação, moradia e transporte.

Países dependentes de importações sofrem mais

A agência também destaca que países dependentes da importação de combustíveis enfrentam pressões adicionais, pois precisam destinar mais recursos financeiros à compra de energia.

Em 2023, as importações líquidas de combustíveis representaram aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto de Cabo Verde e quase 20% da economia do Líbano.

Além disso, o aumento dessas despesas reduz a disponibilidade de recursos para importar alimentos, medicamentos e equipamentos necessários ao funcionamento das economias mais vulneráveis.

Consequentemente, governos com orçamentos limitados enfrentam maiores dificuldades para proteger suas populações, ampliar subsídios e desenvolver políticas públicas capazes de reduzir os impactos econômicos.

ONU defende investimentos em energias renováveis

Diante desse cenário, a UNCTAD recomenda diversificar as fontes de abastecimento energético e ampliar investimentos em energias renováveis para diminuir a dependência dos combustíveis fósseis.

A agência destaca que fontes como energia solar e eólica podem reduzir a exposição dos países às oscilações internacionais provocadas por conflitos e crises geopolíticas.

Além disso, o levantamento aponta que, em mais de 90% dos casos analisados, projetos renováveis apresentam custos inferiores aos das alternativas fósseis de geração elétrica.

Por fim, a ONU ressalta que ampliar a segurança energética pode proteger economias vulneráveis e reduzir os impactos das crises internacionais sobre o orçamento das famílias.

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