PUBLICADO EM 03 de maio de 2018
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Colunista Paulo Ferrari

Uso inadequado do FAT prejudica os trabalhadores

Causou-nos, em nós trabalhadores, surpresa e espanto o fato de o Congresso Nacional ter aprovado nesta quarta-feira, dia 2 de maio, um remanejamento de R$ 1,16 bilhão para pagar “calotes dados por Moçambique e Venezuela em obras e serviços financiados pelo BNDES e pelo Credit Suisse”, conforme noticiou o jornal Folha de São Paulo.

E, pasmem, este pagamento será feito com recursos do programa do seguro desemprego do Fundo de Amparo ao Trabalhador, o FAT.

Vivêssemos uma situação de pleno emprego, com uma renda suficiente para viver com dignidade entre a maioria dos trabalhadores, ainda assim não seria justo usar um fundo que deve funcionar como uma espécie de “reserva” para os trabalhadores. O fato, entretanto, é agravado pela penúria que assola as cidadãs e os cidadãos brasileiros.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o desemprego passou de 12,3 milhões, no último trimestre de 2017, para 13,7 milhões, nos primeiros três meses deste ano. Nesse mesmo período, o rendimento médio ficou estagnado em R$ 2,169 mil. Além disso, o tempo que o desempregado passa em busca de trabalho também aumentou.

A pesquisa “O desemprego e a busca por recolocação profissional no Brasil”, realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) em todas as capitais mostrou que o tempo médio de desemprego já chega a 14 meses, maior do que o observado em 2016, quando girava em torno de 12 meses.

Devido a esta situação que oprime famílias brasileiras, o movimento sindical havia proposto que, ao menos se aumentasse as parcelas do seguro desemprego. Tal reivindicação foi negada pelo governo que argumentou não ter recurso para tanto. Se não há condições de atender a esta reivindicação legitima e urgente do povo brasileiro, como então, de uma hora para outra, surge mais de um bilhão de reais do FAT para saldar calotes de dividas estrangeiras, que em nada dizem respeito aos trabalhadores?

Isso mostra um total descaso do governo para com o povo brasileiro. Os recursos do FAT, que provem do conjunto dos trabalhadores do País, devem se destinar, prioritariamente, à assistência dos mesmos, ainda mais em uma situação de crise como a que vivemos.

Paulo Ferrari, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios de São Paulo – Sindifícios e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Edifícios e Condomínios.

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