PUBLICADO EM 07 de mar de 2026

Cadeia produtiva de pneus em defesa dos empregos e contra importações predatórias

A cadeia produtiva de pneus no Brasil enfrenta desafios. Descubra como a indústria se organiza contra o impacto das importações.

A cadeia produtiva de pneus alerta para a crise no setor. A Michelin de Guarulhos já encerrou suas atividades. Foto: reprodução Michelin

A cadeia produtiva de pneus alerta para a crise no setor. A Michelin de Guarulhos já encerrou suas atividades. Foto: reprodução Michelin

A cadeia produtiva nacional de pneus e do setor da borracha está se mobilizando em defesa dos empregos no Brasil e contra o avanço das importações consideradas predatórias. A iniciativa reúne 15 entidades representativas do segmento, incluindo a Federação Nacional da Borracha (Fenabor), que assinaram um manifesto alertando para a crise crescente no setor.

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Segundo as entidades, a situação se agravou nos últimos anos e atingiu um ponto crítico em janeiro de 2026, quando os pneus importados passaram a representar 72% do mercado de carga no país. Para as organizações do setor, o crescimento acelerado das importações levanta preocupações sobre a competitividade da indústria nacional e os impactos diretos sobre o emprego.

No documento, as entidades apontam que o cenário atual compromete a indústria brasileira e exige medidas urgentes de caráter estratégico, capazes de enfrentar as causas estruturais e conjunturais da crise no segmento pneumático.

Fenabor busca apoio no Congresso

Como parte da mobilização, a Fenabor elaborou um ofício encaminhado a deputados federais e senadores, solicitando apoio político e institucional para enfrentar o problema (leia aqui: Solicitação de Apoio à Luta dos Trabalhadores da Cadeia Produtiva da Indústria Pneumática Brasileira em Defesa do Emprego).

O documento, assinado pelo presidente da entidade, Márcio Ferreira, pede a realização de reuniões com parlamentares para discutir estratégias que possam sensibilizar o Congresso Nacional sobre a necessidade de medidas em defesa da indústria e da empregabilidade no setor.

A iniciativa também se baseia no manifesto elaborado pela Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (ANIP), que sintetiza os desafios enfrentados pela cadeia produtiva nos últimos anos e reforça a urgência de políticas públicas que combatam a concorrência considerada desleal.

Fechamentos de fábricas e demissões

A preocupação do setor ganhou força após episódios recentes de fechamento de unidades industriais e demissões em massa. Um dos casos citados é o encerramento da fábrica da Michelin em Guarulhos (SP), que resultou na eliminação de 470 postos de trabalho.

Outro exemplo mencionado é a demissão de 110 trabalhadores da Continental em Camaçari (BA), fato que reforça o alerta das entidades sobre os impactos sociais e econômicos da crise no segmento.

Para a Fenabor e os sindicatos filiados, esses acontecimentos demonstram que, caso não haja ação firme das autoridades, a indústria nacional continuará perdendo espaço, com reflexos diretos na geração de empregos e na garantia de direitos trabalhistas.

Defesa da indústria e do emprego

As entidades defendem que o país adote políticas que assegurem isonomia de mercado, respeito às normas de segurança e critérios de sustentabilidade, evitando práticas de concorrência consideradas desleais.

Segundo o manifesto, o objetivo da mobilização é fortalecer a indústria pneumática brasileira e preservar empregos, direitos e conquistas da categoria.

Ao final do informativo, a mensagem do setor é direta: “Concorrência desleal, não. Isonomia, sim.”

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