PUBLICADO EM 16 de ago de 2019
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Psiquiatra forense aponta que maltratar animais é indício de psicopatia

Desde a criação da Divisão de Perfil Psicológico da Agência Federal de Investigação (FBI), no final dos anos 70, crimes de maus-tratos contra animais passaram a ser analisados como indicadores de indivíduos violentos e potencialmente perigosos. Em janeiro de 2016, o FBI anunciou que casos de crueldade contra animais seriam investigados pela agência com o mesmo rigor de crimes contra seres humanos. A iniciativa, realizada em parceria com a Animal Welfare Institute, foi tomada após estudos concluírem que maus-tratos contra animais são fortes e intrínsecos indicadores de violência criminosa.

No Brasil, o caso mais famoso de assassinato em série de animais é o de Dalva Lina, presa em 2018 em SP pela morte de pelo menos cerca de 40 animais. Segundo testemunhas, o número é ainda muito maior. Recentemente, um novo caso está impressionando pelo nível de violência e número de vítimas. Em um assentamento localizado no bairro Grajaú, Zona Sul de SP, animais são encontrados mortos com sinais de tortura e crueldade há pelo menos 6 anos. Apenas nos últimos 3 meses mais de 70 cães e gatos foram assassinatos com extrema violência. A denúncia foi publicada pela ANDA com exclusividade e revelou que o responsável pelas mortes pode ser um serial killer.

Em 2012 a ANDA publicou uma série de reportagens chamada Matadores de Animais. Assinada pela jornalista Fátima ChuEcco, as matérias abordaram os casos dos psicopatas mais famosos do Brasil e no exterior que iniciaram seus crimes maltratando animais. Agora, tomando como ponto de partida o caso Grajaú e através de uma série de quatro matérias contendo depoimentos de especialistas de diversas áreas, a ANDA vai mostrar a mente de um serial killer de animais. O primeiro especialista ouvido é o psiquiatra forense, perito e consultor Dr. Guido Palomba.

Em uma entrevista à ANDA, o psiquiatra forense Dr. Guido Palomba explique que, “diante deste tipo de relato de maus-tratos, de perversidade com animais, se isso de fato for confirmado é algo, sem dúvida nenhuma, indicativo de um indivíduo altamente deformado do ponto de vista ético, moral, social e caracteriza que se chama psicopata e que eu gosto de chamar de condutopata. Por que condutopata? Porque a patologia está na conduta dele. Porque é a extrema sensibilidade sem nenhum tipo de ressonância afetiva com o semelhante. Mas o cachorro e o gato são nossos semelhantes? Sim, são, porque estão vivos. São animais que normalmente demonstram afeto. Normalmente não, sempre. E, se não bem tratados, eles também retribuem tratando seus tutores, seus convivas, muito bem. É realmente uma coisa preocupante”, avalia.

Dr. Guido diz ainda que a condutopatia possui ainda outras denominações que ajudam a entendê-la. “Tem outros sinônimos como, por exemplo, loucura moral e enfermidade do caráter. Os próprios nomes, por si só, já mostram quem são essas figuras, mas, as principais deformidades, são as deformidades do sentimento, porque são indivíduos que não possuem nenhum sentimento superior de piedade, de altruísmo ou compaixão. São pessoas com uma insensibilidade imensa e desejos deformados, como, por exemplo, maltratar animais para se divertir, matar para ver cair, entre outras coisas. São indivíduos que se comprazem em fazer o mal e uma outra característica bastante marcante dos condutopatas é ausência completa de remorso daquilo que eles fazem”, assevera.

Para uma psiquiatra, existe uma forte conexão entre a psicopatia e a crueldade contra animais. “Por que pessoas normais não maltratam animais? Por que elas reconhecem que os animais têm sentimentos, que os animais sofrem. Que os animais têm do mundo deles a sua sensibilidade, os seus gostos, as suas dores, os seus desejos. Então, você ignorar tudo isso é ser extremamente insensível. É uma pessoa sem valor ético ou moral, sem valor superior de altruísmo ou de nada. Ele está fazendo o mal e está insensível ao mal que está causando. É uma pessoa que tem uma deformidade de caráter e mostra isso, mas também é uma deformidade do querer, da vontade. Maltratar um animal? Por quê?”, reflete.

O especialista forense afirma ainda que geralmente seriais killers agem sozinhos, mas não exclui a participação de outros criminosos. “Normalmente essas deformidades estão em uma pessoa. Porém, nada impede de ter aquilo que se chama de folie à deux (“loucura a dois”, em francês). Nada impede que tenha alguém que esteja junto por contaminação, uma pessoa induzida. Claro que para você ser induzido a fazer algo dessa natureza tem que ter algumas características. Por exemplo, primeiro, ser uma pessoa no mínimo com uma fraqueza, com uma deformidade mental”, disse

E completa: “Não vai ser uma pessoa normal que vai ser sugestionada a maltratar animal. Então, essa pessoa, se existir, é um sugestionado. Agora, para ser sugestionado tem que ter não apenas uma fraqueza, como tem que ter um grau de subordinação com o indutor. É uma questão de indutor e induzido. O indutor é o verdadeiro condutopata e o induzido é alguma pessoa que o tem em um grau de superioridade. Normalmente entre um indutor e um induzido tem um grau qualquer de submissão, de adoração, de submissão, na verdade. Essa submissão pode ser de um ou de mais de um. Pode ser até duas ou três pessoas fazendo isso”, acredita.

Ele reforça ainda que alguém que maltrata animais, facilmente também fará vítimas humanas. “O insensível não é somente insensível aos animais, ele é insensível a tudo, insensível ao sofrimento do ser humano, obviamente. Não há insensibilidade só para isso ou para aquilo. A insensibilidade é uma deformidade do caráter”, enfatiza.

Dr. Guido Palomba reforça também que há diferença entre maldade e psicopatia. “Quando você pode explicar psicologicamente um fato, então você entra na patologia, por exemplo ‘eu estou sem dinheiro, eu mato uma pessoa para pegar a carteira dela’, ‘eu vou ser delatado, eu mato a pessoa para que ela não me acuse’. São atos moralmente e juridicamente condenáveis, mas são explicáveis. Agora, quando eu arranco o olho de um cachorro para vê-lo sofrer, é grave, isso não é explicável psicologicamente. Você não consegue explicar sem dar uma pitada de anormalidade”, explica.

Segundo o psiquiatra, compreender os atos de um condutopata de um ponto de vista moral e social podem não ser tão simples. “A psicopatia não é uma doença mental propriamente dita. O indivíduo que tem psicopatia fica na zona fronteiriça entre a normalidade e a loucura. É igual a aurora, não é noite e nem dia, é uma zona fronteiriça. É sempre biológico. Doenças mentais e condutopatia, a pessoa nasce e morre com ela, sempre. Pode ter fator social que esteja desencadeando, mas ele tem que ter uma potência. Por pior que façam para você, você não vai judiar de um animal se você for normal. Agora, se você tiver uma potência grande para fazer isso, de repente aquilo que estão te fazendo de mal te desencadeia um comportamento dessa natureza”, acredita.

E completa afirmando que investigações sobre seriais killers de animais precisam ser minuciosas e atentas. “Todos os detalhes são importantes. É como recolher peças de um quebra-cabeças e depois encaixar uma na outra para ver que imagem forma”, conclui.

Fonte: Site Anda

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  • Sandra

    Conheço pessoas que descartam animais em outros lugares. Tirando o problema da frente deles. Isso pode ser encarado com mal formação de caráter.

  • Janaína

    Não há dúvidas de que as condutas de um ser humano em relação ao animais dizem muito sobre ele: abandono, negligência, maus-tratos, tortura e assassinato… são ações de crueldade que deveriam ser severamente punidas! Por que a sociedade não o faz?! Porque pactua silenciosamente com isso. No fundo, crê que a vida do animal vale menos do que a sua. Todas as formas de vidas importam, só há essa hierarquia de graus de importância na cabeça dos humanos. Pobres de nós!

  • Leonora

    Boa tarde. Entendo que o ambiente em que alguém vive interfere bastante, filhos imitam os pais e outras pessoas. Pode já trazer um caráter defeituoso e agressivo que somados aí a outros fatores faz desse indivíduo um psicopata. Pode ser que se esse mesmo indivíduo passar por um período de esclarecimento, ele possa amenizar essa crueldade. Ex: fazer ele sentir medo de passar por situação ou algo semelhante na condição de indefeso, por ele em teste pra refletir, aí ele vai temer um sofrimento para si mesmo, sofrer alguma injustiça grave sem condições de defesa. Alguns irão refletir, outros, chucros ao extremo, nem isso conseguirão, são amorais e indiferentes. Infelizmente,a crueldade anda junto com a total ignorância, muitas vezes herdadas da família e do ambiente. Obrigada. Simples opinião minha.

  • Anônimo

    Quando mais nova eu maltratava os gatos, jogava no chão, pisava, enforcava, e pendurava pelo rabo, e quando eu lembro fico me perguntando porque eu fazia aquilo

  • Dre

    Parei aqui, pq estava pesquisando um cara que conheci, ele disse q com 13a, com amigo, mataram um gato de torturar. Mas ele falou tentando ter uma conotação de peso, mas perguntei se sentiu mal etc.. ah, não foi legal, torturamos ele até morrer, tenho q confessar pra você. Eu tenho 2 gatos e a pessoa lembrou disso pq viu eles. Com 13a sugeriu ou foi o submetido? Como diz o artigo, nem interessa mto não, a pessoa tem desvio enorme moral e nao tem empatia, pra ajudar, ele usa droga pesada…. isso já indica muita coisa. Não? Eles so olham pra si, nao pro sofrimento alheio e fingem empatia por espelhamento.

  • Valdete

    Quem maltrata animais tem traços de psicopata,, a matéria já tá dizendo,, não tem nem o que responder ,,é psicopata..já nasceu com traços de psicopata

  • Felipe Nogueira

    Tenho uma amiga. Não considero mais, pois ela é uma mentirosa descarada.
    Ela disse uma vez que quando ela era criança ou adolescente prendia o rabo dos gatos para ver eles correndo e morria de rir.

    Será que pode ser considerado normal por ser engraçado? Ou ela é psicopata?
    Eu mesmo jamais faria isso.

  • sara

    Olá Glória! Não existe ninguém puro, já nascemos em pecado. A maldade nos acompanham desde a origem do pecado. Se ler a Bíblia irá encontrar respostas para tudo nesta vida.

  • Glória Borges de Sousa

    Pesquisei e não encontrei a resposta exata. Gostaria de saber por que crianças que são puras e inocentes matam um cachorrinho ou gatinho ou pintinho? Não conformo se eu ler a mesma resposta que “a criança que faz isso sofre maus tratos e faz igual”. Queria entender outra explicação. A criança que não é maltratada e mata um filhotinho e sabe que não é bom, pois se você flagra ela fica constrangida e com peso na consciência. Como o cachorro que é pego no flagra rasgando lixo. Alguém me responde? Por que crianças sentem prazer e tiram a vida de outro ser vulnerável sem motivo?

  • José Maria da Silva Santos

    Há pessoas que se acham ou são mesmo bonitas e eróticas que sentem uma certa volúpia em sentir alguém agonizar às suas mãos. Chegam a atingir o clímax durante o acto de tirar assim a vida a algo ou alguém. Outros matadores até se masturbam, após o episódio. A mente não tem limites!

  • Roseli Rodrigues de Sá

    Até quando isso vai acontecer

  • Roseli Rodrigues de Sá

    Estão colocando comidas envenenadas em todas as casas que tem animais

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