PUBLICADO EM 20 de fev de 2026

Metalúrgicos SP preparam ações do Março Mulher e combate ao feminicídio

Diretoras do Sindicato dos Metalúrgicos iniciam o Março Mulher, reforçando ações em defesa das trabalhadoras e combate ao feminicídio

Metalúrgicos SP prepara ações do Março Mulher e combate ao feminicídio

Metalúrgicos SP prepara ações do Março Mulher e combate ao feminicídio

Diretoras do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, o presidente Miguel Torres e secretário-geral Arakém do  reuniram-se nesta sexta, 20/02/2026 para tratar dos preparativos do Março Mulher, mês em que o movimento sindical se dedicará especialmente a ações e debates sobre questões relativas às mulheres, como igualdade salarial, fim da violência, política do cuidado, creche, entre outros.

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Feminicídio

O objetivo do encontro foi fortalecer mobilização sindical na defesa das trabalhadoras e no enfrentamento ao feminicídio.

Dados recentes divulgados pela Agência Brasil, mostram que o Brasil registrou cerca de 1.500 vítimas de feminicídio em 2025. O que equivale a cerca de 4 mulheres assassinadas por dia em razão do gênero. Trata-se do maior número desde que o feminicídio foi tipificado como crime, em 2015.

De acordo com Miguel Torres, a luta coletiva defende direitos, segurança e vida das mulheres, além de impulsionar empoderamento feminino na política, trabalho e sociedade brasileira atual.

Desigualdade salarial

Outra questão importante sobre esse tema, é a desigualdade salarial.

Em 2025, mesmo após dois anos de vigência da Lei nº 14.611/2023 (Lei da Igualdade Salarial), as mulheres seguem recebendo, em média, 21,2% menos que os homens nas empresas com 100 ou mais empregados — o equivalente a cerca de R$ 1.050 a menos por mês, segundo o 4º Relatório de Transparência Salarial do Ministério do Trabalho.

Embora a participação feminina no emprego formal tenha aumentado de 40% para 41,1% entre 2023 e 2025, sua fatia na massa total de rendimentos passou de apenas 34,1% para 35%, indicando que o acesso ao trabalho não se converteu em maior remuneração relativa. A desigualdade é ainda maior em cargos de direção e gerência (27,1%) e atinge de forma mais intensa as mulheres negras, que recebem até 53,3% menos que homens brancos. Apesar de avanços institucionais como a obrigatoriedade de relatórios de transparência e planos de ação nas empresas, os dados de 2025 mostram que o hiato salarial permanece estrutural, com mulheres ganhando, em média, cerca de 80% do rendimento masculino no mercado formal.

Desafios para a mulher trabalhadora

No Brasil atual, a mulher trabalhadora enfrenta um conjunto de desafios estruturais que limitam sua autonomia econômica e suas condições de inserção no mercado de trabalho, entre eles a persistente desigualdade salarial, a sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidados não remunerados, a maior concentração em ocupações precárias, informais ou de baixa remuneração, e as dificuldades de acesso a creches e políticas de apoio à maternidade.

Mesmo com maior escolaridade média, as mulheres seguem sub-representadas em cargos de liderança e mais expostas à rotatividade, ao desemprego e à discriminação no ambiente laboral — realidade que se agrava quando atravessada por raça e classe social.

Para muitas, especialmente chefes de família, a combinação entre baixos rendimentos, jornadas extensas e ausência de redes públicas de proteção amplia a vulnerabilidade social e econômica, impactando diretamente suas possibilidades de qualificação profissional, mobilidade social e participação plena na vida produtiva.

Ao mesmo tempo, se observa o aumento da violência de gênero e dos casos de feminicídio, fenômeno que evidencia como a dependência material e a precarização das condições de vida podem intensificar situações de risco no âmbito doméstico e afetivo.

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