PUBLICADO EM 13 de ago de 2025

Human Rights Watch acusa governo Trump de manipular relatório de direitos humanos

Entenda as acusações da Human Rights Watch sobre o relatório de direitos humanos dos Estados Unidos e suas implicações políticas.

Enquanto palestinos sofrem com a crise humanitária na Faixa de Gaza, o relatório de direitos humanos do governo dos EUA fecham os olhos para as violações promovidas por Israel. Entenda as críticas da Human Rights Watch.

Enquanto palestinos sofrem com a crise humanitária na Faixa de Gaza, o relatório de direitos humanos do governo dos EUA fecham os olhos para as violações promovidas por Israel. Entenda as críticas da Human Rights Watch.

A Human Rights Watch (HRW), uma das mais importantes organizações não governamentais de defesa dos direitos humanos, acusou o governo dos Estados Unidos de distorcer informações e omitir violações no relatório anual de direitos humanos do Departamento de Estado, divulgado nesta terça-feira (12). Segundo a entidade, o documento favorece países aliados de Washington e exagera ou manipula dados sobre nações que estão na mira política da Casa Branca, como Brasil e África do Sul.

Omissões e distorções

De acordo com a diretora da HRW em Washington, Sarah Yager, o relatório de 2024 foi transformado “em uma arma política” para suavizar a imagem de governos autoritários aliados e minimizar abusos cometidos nesses países. Entre os casos citados, estão El Salvador, Hungria e Israel, onde denúncias graves teriam sido ignoradas ou apagadas.

A organização afirma que categorias inteiras de abusos — como violações contra mulheres, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência — foram excluídas, comprometendo a credibilidade do informe.

Brasil no alvo

O documento dos EUA aponta suposta piora no cenário brasileiro, destacando “violação à liberdade de expressão” em ações do Supremo Tribunal Federal (STF) contra grupos acusados de atacar o sistema eleitoral e incitar golpe de Estado.

Segundo o relatório, o governo brasileiro teria restringido de forma desproporcional o discurso de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. A HRW, porém, sustenta que a narrativa oficial repete o discurso político da Casa Branca e ignora o contexto das investigações sobre ataques ao Estado Democrático de Direito.

Pedro Kelson, do Programa de Democracia da Washington Brazil Office (WBO), afirmou que a extrema-direita no Brasil e nos EUA vem distorcendo fatos para sustentar a tese de censura e perseguição política, numa tentativa de deslegitimar investigações sobre a tentativa de anular o resultado das eleições de 2022.

Aliados poupados

No caso de Israel, o relatório não menciona o deslocamento forçado em massa de palestinos na Faixa de Gaza, nem o uso da fome e a privação deliberada de água, energia e assistência médica como táticas de guerra. Também omite a destruição generalizada de casas, escolas e hospitais.

Sobre El Salvador, o documento afirma não haver relatos confiáveis de abusos significativos, apesar das denúncias de prisões arbitrárias, julgamentos em massa e suspensão prolongada de liberdades individuais sob o governo Nayib Bukele. A HRW acusa Washington de suavizar o cenário devido à parceria política e financeira com o país.

Já na Hungria, não há menção aos ataques do governo contra a mídia independente, restrições à sociedade civil e perseguição a pessoas LGBT e migrantes.

África do Sul e a narrativa do “genocídio branco”

A HRW também contesta as conclusões sobre a África do Sul, outro país alvo da Casa Branca, acusado pelo relatório de intensificar abusos contra minorias brancas após a aprovação da nova lei de terras. O governo sul-africano defende que a medida busca corrigir a histórica concentração fundiária herdada do apartheid, permitindo desapropriação de terras ociosas sem indenização.

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