PUBLICADO EM 18 de mar de 2026

Histórica marcha da enfermagem em Brasília mobiliza categoria por valorização e avanço da PEC 19

A marcha da enfermagem mobilizou profissionais de todo o Brasil em Brasília pela aprovação da PEC 19 e valorização da categoria.

SinSaúdeSP na Marcha da Enfermagem em Brasília

SinSaúdeSP na Marcha da Enfermagem em Brasília

Profissionais da enfermagem de todo o país ocuparam, nesta terça-feira (17), a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, em um grande ato nacional pela aprovação da PEC 19 — proposta considerada fundamental para garantir dignidade e valorização à categoria. A mobilização reuniu cerca de 5 mil participantes de diversas regiões, representando quase 3 milhões de enfermeiros, técnicos e auxiliares em todo o Brasil.

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Mesmo com previsão de chuva, o tempo abriu e permitiu que a marcha percorresse toda a Esplanada até o Congresso Nacional, em um ato marcado por palavras de ordem, bandeiras e forte participação popular.

SinSaúdeSP

O SinSaúdeSP teve participação ativa na Marcha pela Valorização da Enfermagem, reforçando seu compromisso histórico com a defesa dos direitos da categoria.

Representado pelo presidente Jefferson Caproni, dirigentes sindicais e trabalhadores da saúde, o sindicato integrou a mobilização nacional em Brasília, somando-se às vozes que exigem reajuste do piso salarial, jornada digna e a aprovação da PEC 19. A presença do SinSaúdeSP evidenciou a importância da organização sindical na construção de conquistas concretas e no fortalecimento da luta coletiva por melhores condições de trabalho e valorização profissional.

Resistência

A mobilização também foi marcada por histórias de resistência. Operada há apenas 20 dias, a técnica de enfermagem Claudeane Nunes atravessou a Esplanada em cadeira de rodas para participar do ato. “Queremos reajuste do piso salarial já”, afirmou ao Portal da Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). Como muitos profissionais da categoria, ela possui formação superior, mas não vê essa qualificação refletida na remuneração.

A PEC 19 prevê que o piso salarial da enfermagem seja calculado com base em uma jornada de 30 horas semanais, além de estabelecer reajuste anual permanente com correção inflacionária. A reivindicação ganha ainda mais urgência diante da perda de mais de 20% do poder de compra do piso nos últimos três anos.

Jornada de trabalho

Atualmente, decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) fixou a jornada de 44 horas como referência para o cálculo do piso, o que, na prática, tem reduzido os salários da categoria. Dados do DIEESE e do Ministério do Trabalho indicam que a jornada predominante na enfermagem é de 36 horas semanais, sendo que apenas 23,4% dos profissionais trabalham acima de 40 horas.

Proposta pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA) e com relatoria favorável do senador Fabiano Contarato (PT-ES), a PEC 19 está parada desde dezembro de 2024 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A marcha teve como um de seus principais objetivos pressionar pela retomada da tramitação.

“Queremos sensibilizar o presidente Lula para a importância do reajuste do piso e contar com o apoio da base governista para a aprovação da PEC 19”, afirmou o presidente do Cogen, Manoel Neri.

Representação política

A mobilização também contou com a participação de parlamentares, como as deputadas Alice Portugal, Jandira Feghali, Talíria Petrone e Maria do Rosário, além de outros deputados federais e da senadora Roberta Acioly, que acompanharam o percurso ao lado dos trabalhadores.

Durante o ato, dirigentes do sistema Cofen e dos Conselhos Regionais reforçaram o compromisso com a continuidade da mobilização no Congresso Nacional. “Vamos manter a pressão até a aprovação da PEC 19”, destacou a presidente do Coren-RJ, Lilian Behring.

Promovida pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais, com apoio de sindicatos, instituições de ensino e entidades do Fórum Nacional pela Valorização da Enfermagem, a marcha reforça a unidade da categoria em defesa de direitos, melhores condições de trabalho e reconhecimento profissional.

A valorização da enfermagem — responsável por mais de 60% da força de trabalho do SUS — segue como uma pauta central para o desenvolvimento do sistema de saúde e para o reconhecimento daqueles que estão na linha de frente do cuidado à população.

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