PUBLICADO EM 26 de fev de 2021

Gabriel , o pensador canta : A dança do desempregado; música

Gabriel, o pensador: cantor e compositor brasileiro

Gabriel, o pensador: cantor e compositor brasileiro

“Dança do Desempregado”, de Gabriel, o Pensador, é mais que uma música — é uma crítica mordaz à precariedade do trabalho e ao abandono social enfrentado por milhões de brasileiros marginalizados pelo sistema. Com ironia, ritmo contagiante e versos cortantes, Gabriel transforma a tragédia cotidiana do desemprego em uma espécie de “dança macabra”, que vai do desalento econômico à criminalização da pobreza.

A letra apresenta uma narrativa em espiral descendente: começa com a perda do emprego e a busca frustrada por novas oportunidades, passa pela informalidade e exploração sexual, e culmina na violência e no encarceramento. Tudo isso embalado em um refrão aparentemente leve, que contrasta com o peso da realidade retratada. Ao final, a mensagem é clara: ninguém está imune. “Amanhã o dançarino pode ser você.”

A música permanece atual e necessária, ecoando o drama de uma sociedade onde a falta de trabalho e de políticas públicas empurra os excluídos para caminhos extremos — e onde a única dança disponível é a da sobrevivência.

Dança do Desempregado

(Composição: Gabriel o Pensador/1997)
Intérprete: Gabriel, o Pensador

Essa é a dança do desempregado
Quem ainda não dançou tá na hora de aprender
A nova dança do desempregado
Amanhã o dançarino pode ser você

E vai levando um pé na bunda vai
Vai por olho da rua e não volta nunca mais
E vai saindo vai saindo sai
Com uma mão na frente e a outra atrás
E bota a mão no bolsinho (Não tem nada)
E bota a mão na carteira (Não tem nada)
E bota a mão no outro bolso (Não tem nada)
E vai abrindo a geladeira (Não tem nada)
Vai procurar mais um emprego (Não tem nada)
E olha nos classificados (Não tem nada)
E vai batendo o desespero (Não tem nada)
E vai ficar desempregado

Essa é a dança do desempregado
Quem ainda não dançou tá na hora de aprender
A nova dança do desempregado
Amanhã o dançarino pode ser você

E vai descendo vai descendo vai
E vai descendo até o Paragüai
E vai voltando vai voltando vai
“Muamba de primeira olhaí quem vai?”
E vai vendendo vai vendendo vai
Sobrevivendo feito camelô
E vai correndo vai correndo vai
O rapa tá chegando olhaí sujô!…
E vai rodando a bolsinha (Vai, vai!)
E vai tirando a calcinha (Vai, vai!)
E vai virando a bundinha (Vai, vai!)
E vai ganhando uma graninha
E vai vendendo o corpinho (Vai, vai!)
E vai ganhando o leitinho (Vai, vai!)
É o leitinho das crianças (Vai, vai!)
E vai entrando nessa dança

Essa é a dança do desempregado
Quem ainda não dançou tá na hora de aprender
A nova dança do desempregado
Amanhã o dançarino pode ser você

E bota a mão no bolsinho (Não tem nada)
E bota a mão na carteira (Não tem nada)
E não tem nada pra comer (Não tem nada)
E não tem nada a perder
E bota a mão no trinta e oito e vai devagarinho
E bota o ferro na cintura e vai no sapatinho
E vai roubar só uma vez pra comprar feijão
E vai roubando e vai roubando e vai virar ladrão
E bota a mão na cabeça!! (É a polícia)
E joga a arma no chão E bota as mãos nas algemas
E vai parar no camburão
E vai contando a sua história lá pro delegado
“E cala a boca vagabundo malandro safado”
E vai entrando e olhando o sol nascer quadrado
E vai dançando nessa dança do desempregado

Essa é a dança do desempregado
Quem ainda não dançou tá na hora de aprender
A nova dança do desempregado
Amanhã o dançarino pode ser você

#Música&Trabalho

Fonte: Centro de Memória Sindical

Leia também: Como um hospital italiano salvou pacientes dos nazistas inventando uma doença falsa

Tom Zé canta: ‘Botaram tanta fumaça’; música



COLUNISTAS

QUENTINHAS