
Marcha da enfermagem em Brasília defenderá o valorização salarial para profissionais da saúde.
Enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem de todo o país preparam uma grande mobilização em Brasília no dia 17 de março, quando ocorrerá a Marcha em Defesa do Piso Salarial da Enfermagem . O ato tem como objetivo central pressionar o Congresso Nacional e o governo federal por reajuste real do piso da categoria, além da criação de mecanismos automáticos de correção salarial que preservem o poder de compra ao longo do tempo.
A mobilização ocorre em meio a um cenário de debates sobre valorização profissional no serviço público. Na segunda quinzena de janeiro, o governo federal publicou uma Medida Provisória que altera o critério de reajuste do piso salarial nacional dos professores da educação básica, fixando aumento de 5,4% em 2026, com ganho real acima da inflação de 2025. Com isso, o piso docente passará de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63, para jornada de 40 horas semanais.
Para a Enfermagem, o reajuste concedido aos professores reacende um debate antigo e urgente. O piso da categoria está há três anos sem correção, acumulando defasagem real próxima de 22% em relação à inflação, o que compromete diretamente as condições de vida e trabalho dos profissionais que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS) e da rede privada.
Segundo o presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Manoel Carlos Neri, a valorização salarial precisa refletir a importância estratégica da categoria.
“É imprescindível que a Enfermagem tenha um piso que reflita a complexidade e a relevância de seu trabalho para o SUS e para a população brasileira. O reajuste automático é tão crucial para nós quanto foi discutido recentemente para outras categorias”, afirma.
Unidade nacional e pressão política
A Marcha em Brasília é promovida pelo Sistema Cofen/Conselhos Regionais, com apoio de sindicatos da Enfermagem e instituições de ensino, e busca demonstrar unidade nacional da categoria. Além de pressionar parlamentares, o ato pretende sensibilizar a sociedade para a urgência da pauta e para a necessidade de aprovação da PEC 19 ainda no primeiro semestre de 2026.
Para o Cofen, a mobilização tem caráter histórico. A expectativa é de que o movimento contribua para a construção de um consenso político capaz de transformar em realidade uma reivindicação que impacta diretamente mais de 2,8 milhões de profissionais em todo o Brasil.
Em um contexto de negociações recentes entre o governo federal e outras categorias, a Enfermagem busca retomar protagonismo e reafirmar que não há sustentabilidade para o futuro da profissão sem recomposição salarial e melhores condições de trabalho. A marcha, avaliam as entidades, é um passo decisivo nessa luta.
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