
Entenda o impasse que os eletricitários enfrentam nas negociações. O Sindicato busca reposição da inflação e ganhos reais.
O Sindicato dos Eletricitários de São Paulo realizou, no dia 2 de abril, mais uma rodada de negociação com empresas do setor, dando continuidade à campanha salarial e ao processo de renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) das empreiteiras.
Participaram do encontro representantes de diversas empresas e do sindicato patronal, em nova tentativa de avançar nas reivindicações da categoria. No entanto, apesar da manutenção do diálogo, não houve progresso nas cláusulas econômicas.
Aumento real
Diante do aumento do custo de vida e das dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores — especialmente os terceirizados, mais expostos à precarização das condições de trabalho, o Sindicato defende, desde o início das tratativas, a reposição integral da inflação com ganho real.
As empresas, por sua vez, alegam dificuldades para atender às demandas. Entre os principais argumentos estão limitações nos contratos com as distribuidoras, reajustes abaixo do IPCA, aumento de custos — sobretudo com combustível —, alta rotatividade de mão de obra e incertezas no setor, incluindo os impactos da possível caducidade de concessões.
Diante desse cenário, afirmam não haver, neste momento, viabilidade para avanços econômicos, mantendo abertura apenas para discutir cláusulas sociais sem impacto financeiro.
Assembleia para deliberar sobre a campanha salarial
O Sindicato, então, decidiu levar a discussão à base. Serão realizadas assembleias em todas as regiões, nas quais os trabalhadores poderão avaliar o cenário e deliberar sobre os próximos passos da campanha salarial. A previsão é de que esse processo ocorra ao longo de aproximadamente 30 dias.
Caso não haja avanço nas negociações, não está descartada a abertura de dissídio coletivo. As empresas se comprometeram a buscar retorno junto às distribuidoras e apresentar nova posição até o dia 13 de abril.
Para o presidente do Sindicato, Eduardo Annunciato (Chicão), o momento exige unidade e mobilização da categoria.
“Sabemos das dificuldades apresentadas pelas empresas, mas não vamos aceitar que a conta recaia sobre os trabalhadores. É fundamental garantir a reposição da inflação e buscar ganho real. Seguiremos firmes, com mobilização e participação da categoria para avançar nas negociações e defender condições dignas para todos”, afirmou.
O Sindicato reforça que este é um momento decisivo para a campanha salarial. A participação nas assembleias será fundamental para definir os rumos das negociações. A orientação é que os trabalhadores acompanhem as convocações e participem ativamente do processo.
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