PUBLICADO EM 22 de abr de 2022
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Colunista Chiquinho Pereira

Votar é preciso!

Nossa categoria é muito necessária na sociedade contemporânea e temos muitas histórias para contar. Hoje eu quero contar algumas para vocês. Sou Chiquinho dos Padeiros e vim do sertão da Paraíba com minha mãe e 10 filhos vivos de 13 que éramos. Isto foi no começo dos anos 1960, fugindo da seca. A história do nordestino é mais ou menos igual e São Paulo sempre foi o sonho de crescimento a ser realizado para todos que buscavam trabalho e melhoria de vida.

O meu pai veio na frente e cinco anos depois viemos nós – para juntos seguir nossas vidas. Foram muitas e imensas as dificuldades. Depois de engraxar muito sapato, vender sorvete, suco, amendoim e frutas, pois tínhamos que nos virar e todos trabalhamos muito.

Trabalho nas padarias e lutas no Sindicato

Em 1968, comecei a trabalhar em padaria, em um período muito difícil do Brasil, sob o autoritarismo e a repressão da ditadura militar, inclusive em cima da classe trabalhadora.

Além disso, nesta época, as condições de trabalho nas empresas eram péssimas: mais de 90% dos trabalhadores não tinham direitos garantidos na legislação trabalhista, nem registro em carteira e nem roupas e sapatos adequados para o trabalho.

Indignado, procurei o Sindicato, comecei a militar, fiquei sócio, entrei para a diretoria e participei dos debates e das lutas pela redemocratização do País e por mais direitos e melhores condições de trabalho.

Meu primeiro mandato como presidente do Sindicato começou em 1986 e sigo nesta luta, nesta missão sindical, que é reconhecida pelos trabalhadores e que mudou bastante o perfil de nossa categoria e do próprio setor.

Política é coisa séria!

O sindicalismo atua a partir das entidades representativas de todas as categorias, mas não pode ir além das Convenções e dos Acordos Coletivos e da busca de melhores salários e melhores condições de trabalho.

A política está na sequência do sindicalismo, pois é nela que se decide se vamos ter pessoas de “primeira ou de segunda categoria”, se vamos ter cidadania ou não!
Os mandatos representativos, nos níveis municipais, estaduais e federais, são de extrema importância para a democracia e para o desenvolvimento do País.

Além dos governos, são os legislativos, as casas de lei, que decidem a vida das pessoas: se os trabalhadores vão ter emprego de qualidade, educação, moradia, transporte e segurança; se vamos ter esporte, cultura, lazer, saneamento básico, inclusão social e assim por diante.

Valorização do voto

O que fazer? Se as pessoas de fato tivessem uma compreensão maior do poder que têm, valorizariam o seu direito ao voto e escolheriam com mais reflexão e responsabilidade os seus representantes, focando nas questões mais relevantes e importantes para o povo trabalhador deste País.

O voto é uma procuração extremamente importante e, até mesmo perigosa, pois muitas bancadas eleitas são formadas de acordo com interesses meramente econômicos e nada sociais e populares.
Devemos lutar e muito para nós, trabalhadores, nos fazermos representar em todas as esferas da política. Temos que ter coerência, responsabilidade com a vida e consciência que votar é um ato muito sério. Precisamos discutir o nosso País, de uma maneira honesta e transparente, e participar das mudanças. Vamos em frente e prepare-se para votar com consciência de classe!

Chiquinho Pereira, presidente do Sindicato dos Padeiros de São Paulo e da Febrapan (Federação Brasileira dos Trabalhadores nas Indústrias de Panificação, Confeitaria e Padarias) e Secretário Nacional de Organização, Formação e Políticas Sindicais da UGT

As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Rádio Peão Brasil

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