PUBLICADO EM 19 de mar de 2020
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Colunista Diógenes Sandim Martins

Viva o SUS (Sistema Único de Saúde) !

Estamos vivendo uma experiência inédita no mundo nos últimos anos, uma pandemia com intensidade dispersiva de contágio nunca visto antes. Apesar de estarmos no final do segundo decanato do século XXI, com as novas tecnologias à nossa disposição, nada foi possível ser feito em tempo hábil para suprimir o avanço dessa virose pandêmica, a não ser no campo da comunicação, que pudemos acompanhar  em tempo real o desenvolvimento da epidemia do corona vírus na China e, em seguida, por definição da OMS, uma pandemia que foi espalhada por todos continentes do planeta.

Interessante notar que o Mercado, esse ente tão invisível quanto o corona vírus, sistematicamente elevado à condição do “Grande Irmão” que vê tudo e organizador de todas contradições da vida em sociedade, quem diria, aparece com as “calças na mão” e todos podem ver que o “Rei está nu”. Os que sempre defenderam a sentença “deixa como está que o Mercado cuida melhor que o Estado” estão calados, vendo o debacle do Mercado em todo mundo, mais precisamente nos países que colocaram o Sr. Mercado como demiurgo, solucionador de tudo.

Nesse momento em que a situação aguda expõe as entranhas do organismo social – de tal forma que não há condições como antes, de jogar com a ignorância das massas utilizando a “Mass media” efetuando lances de ilusionismo – o tal Mercado se apresenta encolhidinho, pedindo arrego. Não havendo como fazer as costumeiras enganações coletivas, agora evocam o Estado, não só como aquele que precisa ordenar atenção a saúde das pessoas, mas também aquele que precisa socializar os prejuízos desse colapso econômico. Sempre foi assim e assim sempre será, até ganharmos consciência e não permitir mais ilusões pirotécnicas dessa elite econômica predatória.

Na questão da Saúde Pública, em momentos como este que estamos atravessando, fica evidente perante todos que o Estado, que possui um sistema público de saúde de cobertura universal e equânime no atendimento, como propõe o SUS, tem uma vantagem significativa na proteção da saúde coletiva. É só vermos nos Estados Unidos da América (EUA), onde as ordens do mercado não permitiram uma saúde pública, a enorme dificuldade, desde os aspectos de informações epidemiológicas, até assistência médica a todos que necessitam, em lidar com esta pandemia. Nas próximas semanas, se houver acentuada inflexão da curva de incidência, nos depararemos com situações inusitadas neste país.

No Brasil, utilizando as palavras do Ministro da Saúde dr. Luiz Henrique Mandetta “…nossa sorte é que temos o SUS”. Sim, temos um Sistema Único de Saúde instituído em 1988, há 32 anos portanto, como resultado de uma luta construída a partir de uma doutrina Humanista e  Sistêmica, que permitiu uma ampla unidade política que promoveu a Constituinte cidadã: um  consenso hegemônico deixado como legado a ser retomado, nos vários estágios, da ainda incompleta Reforma Sanitária Brasileira.

Apesar de todas as dificuldades que enfrentamos para um sistema ideal, o SUS hoje é considerado o Sistema de Saúde mais bem formulado do mundo. Com a crise da saúde coletiva oriunda da pandemia do corona vírus em várias partes do mundo, o SUS tem, a partir de suas informações epidemiológicas e controle de gestão de uma rede sistêmica de saúde descentralizada, integrada e hierarquicamente organizada que poderá, com implementação de recursos e investimento que faltaram esses anos todos, organizar e dar conta de enfrentar a pandemia tanto para as atividades de promoção, proteção da saúde dos cidadãos como na  recuperação e reabilitação  da saúde dos infectados.

VIVA O SUS!

Vamos aproveitar este momento em que todos podem  perceber a importância estratégica de termos um Sistema de Saúde como o SUS, para fazê-lo forte e organizado, recuperando o terreno perdido, no que tange suas finanças e a promoção da consciência sanitária da população por uma gestão humanista e sistêmica, a vocação de sempre  do nosso SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE.

VIVA O SUS!

Que o atual sr. Ministro de saúde, Dr. Luiz Henrique Mandetta, cumpra um papel histórico e progressista durante sua gestão, que outrora foi muito bem representado por outro campo grandense, também ministro da saúde, o Dr. Wilson Fadul.

Diógenes Sandim Martins, médico sanitarista, membro titular do Conselho Nacional de Saúde de 1994-2004 , médico-aposentado da Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo.

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    Sim o SUS é um sistema que p mundo importa do Brasil!!
    Quando não funciona é pelas má gestão!

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