No mês de março, quando o mundo fala sobre o Dia Internacional da Mulher, nós, do Sindicato dos Empregados no Comércio de Porto Alegre – Sindec POA, não queremos prestar homenagens. Queremos assumir responsabilidade.
Vivemos tempos em que ser mulher no Brasil ainda significa correr riscos todos os dias. O feminicídio não é só um dado estatístico. É o retrato cruel de uma cultura que ainda ensina meninos a não chorar, a não demonstrar fragilidade, a confundir autoridade com violência e silêncio com força.
Eu sou um homem criado dentro de uma sociedade machista. Cresci ouvindo frases como “homem não chora”, “homem resolve”, “homem manda”. Muitos de nós fomos educados assim. E é justamente por isso que precisamos falar.
A violência contra a mulher não começa na execução do crime. Ela começa na formação. Começa na naturalização do controle, do ciúme, do grito, da humilhação. Começa quando ensinamos que emoção é fraqueza e que poder é domínio do outro.
Se queremos o fim dos feminicídios, precisamos romper com esse modelo de masculinidade que adoece homens e mata mulheres.
Como Sindicato cuja categoria é majoritariamente composta por mulheres, não podemos tratar esse tema como pauta pontual de março. Precisamos olhar para todas as nossas ações pela perspectiva de gênero. Precisamos construir ambientes de trabalho seguros. Precisamos promover muita formação. Precisamos convocar os homens para a mudança.
Não existe neutralidade diante da violência.
O Sindec assume o compromisso de fazer deste março um marco. Um chamado à reflexão, à formação e à transformação.
Porque quando defendemos o direito das mulheres à vida, estamos defendendo o direito de toda a sociedade a um futuro mais justo.
Mais tempo para viver!
Mais força para transformar!
Nilton Neco é Presidente do Sindec-POA



