PUBLICADO EM 08 de set de 2020
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Colunista José Carlos Ruy

Lula quer pacto social com base no voto

Foi o tempo suficiente para o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva apresentar uma arrasadora avaliação do governo de Jair Bolsonaro e condenar a submissão do ocupante do Palácio do Planalto aos interesses dos EUA, ao qual se rebaixa “de maneira humilhante”.

“O Brasil está vivendo um dos piores períodos de sua história”, acusou ele.

Foi um discurso simples, claro e direto – um documento histórico em defesa da democracia, da liberdade, do povo brasileiro e da autonomia e soberania do país. Lula acusou Bolsonaro de crime de lesa-pátria por trair a soberania do Brasil que, ao tomar posse como presidente da República, ele jurou defender. Acusou Bolsonaro de não obedecer a própria Constituição “para atender a interesses econômicos e estratégicos dos EUA”. Lula articula o desprezo de Bolsonaro pelo povo brasileiro com o desrespeito à soberania do país. Lula, em seu discurso demonstrou que este é um único movimento conservador, da direita, que faz da genuflexão do presidente brasileiro ao imperialismo a outra face da moeda de seu desprezo pelo Brasil e desdém pelo povo. Desdém e desprezo que, neste tempo de pandemia, ficam mais evidentes quando o chefe do governo brasileiro banaliza a morte provocada pela pandemia. “Estamos entregues a um governo que não dá valor à vida e banaliza a morte, que converteu o coronavírus em uma arma de destruição em massa”. Mortes que atingem sobretudo, acusa Lula, “pobres, pretos que o Estado abandonou”.

Se Lula ataca de maneira tão devastadora Bolsonaro e a elite conservadora que sentiu ameaçados seus interesses com a ampliação da democracia no período em que ele e Dilma Rousseff governaram o Brasil, cabe destacar, em seu pronunciamento, o chamado feito por ele a um novo contrato social; apela aos brasileiros comprometidos com o Estado Democrático de Direito, com o povo, a democracia e a soberania nacional.

Lula se coloca à disposição do Brasil e dos brasileiros para a busca do rumo da retomada da democracia, do desenvolvimento e da soberania brasileira.
Ás vésperas de completar 75 anos de idade (que ocorrerá no dia 27 de outubro) faz uma proposta inspirada pela experiência dessa vida marcada pelo esforço de negociar, desde a década de 1970 (há mais de 50 anos), pela liberdade, democracia e de uma vida decente para o povo e os trabalhadores.

Lula chamou os brasileiros para “reconstruirmos o Brasil pós pandemia, precisamos de um novo contrato social entre todos os brasileiros,” cujo alicerce deve ser “o símbolo e a base do regime democrático: o voto. É através do exercício do voto, livre de manipulações e fake news, que devem ser formados os governos e ser feitas as grandes escolhas e as opções fundamentais da sociedade.” E adverte, reforçando seu compromisso com o povo e os trabalhadores: “Não contem comigo para qualquer acordo em que o povo seja mero coadjuvante.”

Em certa altura de seu pronunciamento, reforçou a profunda e íntima ligação entre democracia e soberania nacional: “Soberania significa independência, e o contrário disso é dependência e submissão. Não vai haver liberdade se o próprio país não for livre”, disse nesta tarde de 7 de setembro, quando se comemora os 198 anos da Independência do Brasil.

José Carlos Ruy, jornalista, escritor, estudioso de história e do pensamento marxista e autor do livro Biografia da Nação, história e luta de classes, Editora Anita Garibaldi, 2018.

 

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