PUBLICADO EM 28 de mar de 2026

Colunista: Leitura em dia

Leitura é prazer, conhecimento e força

João Carlos Gonçalves faz um incentivo à leitura e mostra como a prática é uma ferramenta de transformação e pode ampliar seu potencial e entendimento do mundo.

Leitura é essencial para a política e para a vida.

Leitura é essencial para a política e para a vida.

Ler é um acréscimo de força à vida. Quem lê amplia seu potencial — nas ações, nas conversas, nas análises. A leitura não é apenas hábito: é ferramenta de transformação.

Abrir espaço e tempo no cotidiano para ler também é uma forma de agir. É fortalecer a capacidade de intervenção, especialmente na atuação sindical e política, onde compreender a realidade é essencial para transformá-la.

Essa prática é especialmente fundamental para os ativistas sociais, jovens e mais experientes. Ela é capaz de proporcionar mudanças na vida e na sociedade  — e acompanhar esse movimento exige atualização constante. Conviver com a leitura é renovar o olhar, aprofundar a análise, ampliar horizontes.

Nosso país, por exemplo, passou por inúmeras transformações ao longo dos séculos. Entender esse processo nos leva a perguntas essenciais: quem foram os protagonistas dessas mudanças, com quais interesses? Qual foi o papel das classes sociais? Como se organizaram?

Existem também os livros que nos convidam a viajar no tempo e no espaço, que apresentam histórias e propõe reflexões para além da sua realidade cotidiana.

Nas minhas leituras, busco variar os temas: história do Brasil e do mundo, romances nacionais e universais, análises políticas e biografias. Essa diversidade amplia a compreensão da realidade, sempre com um olhar atento às questões sociais.

Reservo, diariamente, pelo menos uma hora para esse exercício. E, nessas horas, viajo.

Viajei pela Segunda Guerra Mundial com M: O Filho do Século, de Antonio Scurati, que revela o surgimento do fascismo na Itália. Estive na Guerra de Canudos com Os Sertões, de Euclides da Cunha, testemunha direta daquele conflito que expõe a força e a resistência do sertanejo brasileiro. Conheci a dura realidade da escravidão em Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves, um romance potente sobre dor, luta e resistência.

Também percorri a França do século XIX em Os Miseráveis, de Victor Hugo, onde o autor expõe a miséria e as injustiças sociais de seu tempo, e me lancei aos mares em Moby Dick, de Herman Melville, obra que revela a vida dura e a luta dos pescadores em águas desconhecidas. Conheci também o drama existencial do ser criado por Victor Frankenstein no livro de Mary Shelley que coloca em xeque ética e valores humanos.

A Bíblia também foi e continua sendo uma leitura fundamental na minha trajetória. Ela traz parábolas, salmos, histórias e ensinamentos que atravessam o tempo e dialogam com a vida cotidiana.

Sempre gostei de ler, mas foi a partir de 2021 que consegui me organizar de forma mais sistemática. Com o hábito consolidado pelo uso de um dispositivo de leitura, que me acompanha em casa e também nas viagens, a leitura se transformou em um compromisso saudável comigo mesmo. Desde então, percorri obras clássicas, atravessei inúmeras páginas, assimilando histórias, épocas, espaços, ideias e informações.

Recentemente, encomendei o segundo volume da biografia de Lula, de Fernando Morais — mais uma leitura que certamente trará importantes reflexões.

Fica aqui meu convite: leiam. A leitura é prazer, é conhecimento, é força. É tão essencial quanto o ar que respiramos e a água que nos sustenta.

João Carlos Gonçalves, Juruna, metalúrgico, secretário geral da Força Sindical, ex-presidente do DIEESE, é leitor assíduo e interessado de literatura, livros históricos e biografias.

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