PUBLICADO EM 08 de abr de 2026

Colunista: Eusébio Pinto Neto

Dois projetos de mundo em confronto: uma análise de conjuntura para a classe trabalhadora

Estamos diante de uma encruzilhada histórica. Não se trata de um momento comum, mas de um raro instante em que as estruturas de poder mundial rangem sob nossos pés. Para a classe trabalhadora, que sempre sente na pele os primeiros abalos desses terremotos, definir em que campo se posicionar não é um exercício acadêmico, é uma questão de sobrevivência e dignidade.

Vivemos o choque entre forças antagônicas. De um lado o Norte, liderado pelos EUA, que há décadas sustenta sua hegemonia por meio de guerras, dívida externa impagável e a exploração do Sul como fornecedor de commodities e mão de obra barata. Um império decadente, que sente o terreno escapar sob os pés, mas que parece disposto a “cair atirando”, com medidas cada vez mais irresponsáveis, que ameaçam a estabilidade do mundo.

Em paralelo assistimos à ascensão do Sul Global, tendo a China como referência de superpotência com modelo próprio. Mais do que um polo econômico, a China estimula a cooperação entre as nações (como nos Brics ou na Nova Rota da Seda), e coloca a infraestrutura como eixo do desenvolvimento, em contraste com a financeirização predatória que conhecemos tão bem.

A questão não é apenas saber “quem vencerá”, mas qual projeto será capaz de oferecer um futuro com trabalho digno, soberania e justiça para os povos do Sul?

Essa conjuntura complexa não é abstrata para a classe trabalhadora. Para o frentista, esse rangido das estruturas do poder geopolítico mundial não é metáfora, é o preço da gasolina subindo, o posto sendo vendido, a rotatividade cada vez mais veloz do mercado de trabalho. A falta de uma política de Estado para o setor – como a defesa da Petrobras e a reestatização da BR Distribuidora – nos torna ainda mais vulneráveis aos choques externos, que impactam o bolso do trabalhador e a estabilidade do setor.

A questão não é torcer por um polo ou outro. É saber, de que lado estará a força organizada dos trabalhadores. Nossa tarefa imediata não é esperar o desfecho da disputa entre grandes potências. É construir unidade no chão de fábrica, no posto e na estrada. É eleger representantes que estejam comprometidos com a nossa dignidade, não com a agenda do mercado. É mostrar que a classe trabalhadora tem projeto próprio — e que esse projeto passa por soberania, trabalho digno e justiça.

Eusébio Luís Pinto Neto é Presidente do Sindicato dos Frentistas do Rio de Janeiro e da Federação Nacional dos Frentistas

   

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