PUBLICADO EM 02 de abr de 2018
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Colunista Zoel Garcia Siqueira Siqueira

31 de março ou 1° de abril? Em 64, golpe ou revolução?

Completamos 54 anos de um importante acontecimento da nossa história contemporânea, que foi o início do governo militar. Como muitos querem seu retorno, faço aqui algumas considerações sobre o polêmico assunto.

Cito a educadora Terezinha Rios, que afirma ser mais importante o caminho para alcançar algo do que propriamente alcançá-lo. Quando você usa o caminho da verdade, da transparência, fica muito mais fácil concluir o caminho. Quando mente, o resultado é quase sempre negativo.

Afirmo isso para responder a primeira pergunta do título deste texto. A história tradicional data o início da ditadura em 31 de março, mas essa não é a verdade. Até 1° de abril, João Goulart ainda era presidente do Brasil, quando foi de Brasília para Porto Alegre.

No dia 2 de abril, o presidente da câmara, Ranieri Mazzilli, assumiu interinamente a presidência da república. Portanto, o golpe aconteceu em abril, não em março. Como 1º é o dia da mentira, os defensores do governo dataram o inicio do fato histórico em 31 de março.

Para definir se foi golpe ou revolução, vamos aos conceitos: revolução é quando ocorre uma grande transformação na estrutura da sociedade, alterando a hierarquia de poder, mudando o sistema econômico, político e social.

Golpe é quando ocorre simplesmente a troca de grupos políticos no comando.

Em 1° de abril, foi retirado do cargo de presidente do Brasil, João Goulart, quando provisoriamente assumiu Ranieri Mazzilli e, logo depois, o general Humberto de Alencar Castelo Branco.

Como foi mantida a estrutura social, política e econômica, o que ocorreu em 1° de abril de 1964 foi, portanto, um golpe civil, midiático e militar.

Felizmente, a história não é uma ciência exata e pode sofrer interpretações várias. Também felizmente, não existe uma única verdade.

Os fatos históricos estão aí para ser analisados. E vai do interesse de cada um buscar a sua verdade. O importante é deixar de ser manipulado por uma ideologia que tem como função manter a sociedade como está. Até a próxima.

Zoel é professor, formado em sociologia e diretor financeiro do Sindserv (sindicato dos servidores municipais) Guarujá

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