
Manifestações por justiça pelo Orelha mostram a força do ativismo animal. Saiba mais sobre esse movimento nacional. Foto: reprodução redes sociais.
Manifestações tomaram ruas e praças de várias cidades brasileiras neste domingo (1º) em um movimento nacional por justiça no caso do cão Orelha, espancado e morto após sofrer maus-tratos na Praia Brava, em Florianópolis (SC), no início de janeiro. O crime, que causou forte comoção popular, uniu protetores de animais, ativistas, artistas e cidadãos comuns em um coro uníssono: “Justiça por Orelha”.
Ato na Avenida Paulista reúne centenas de manifestantes
Em São Paulo, o ato mais expressivo ocorreu na Avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (MASP). Centenas de pessoas se reuniram vestindo preto e empunhando cartazes que pediam a prisão dos responsáveis.
O protesto contou com coletivos de defesa animal, artistas e influenciadores digitais, além de performances artísticas e distribuição de panfletos sobre direitos dos animais e canais de denúncia. Houve também palavras de ordem pedindo o endurecimento das penas e, em alguns grupos, a redução da maioridade penal.
Florianópolis: epicentro da mobilização
Na capital catarinense, onde o crime ocorreu, a Avenida Beira-Mar Norte foi tomada por manifestantes que carregavam faixas, cartazes e cruzes simbólicas em homenagem a Orelha.
O ato contou com trio elétrico e terminou ao meio-dia, reunindo moradores, ativistas e tutores que participaram acompanhados de seus pets. Além de Florianópolis, outras cidades de Santa Catarina — como Balneário Camboriú, Blumenau, Criciúma e São José — também realizaram protestos pedindo justiça.
O caso que chocou o país
Segundo a Polícia Civil, o cão Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro por três adolescentes na Praia Brava. O animal foi encontrado agonizando e levado a uma clínica veterinária, onde passou por eutanásia no dia seguinte devido à gravidade dos ferimentos.
Perícia apontou que o cão foi atingido na cabeça com um objeto contundente. Além disso, o caso também envolve a tentativa de afogamento de outro cão comunitário, chamado Caramelo. Três adultos — dois pais e um tio dos adolescentes — foram indiciados por coagir uma testemunha durante as investigações.
Atos em várias capitais brasileiras
Além de Florianópolis e São Paulo, diversas capitais registraram manifestações.
Em Belo Horizonte (MG), a passeata percorreu a Avenida Afonso Pena até a Praça Sete, com cartazes pedindo penas mais duras para crimes de maus-tratos.
Em Vitória (ES), cerca de 300 pessoas caminharam pela orla da Praia de Camburi vestindo preto e segurando balões da mesma cor.
Em Porto Alegre (RS), o ato reuniu defensores da causa animal no Parque da Redenção e também mobilizou grupos em Caxias do Sul, na Serra Gaúcha.
No Norte do país, cerca de 100 pessoas se concentraram em frente ao Palácio Rio Branco, sede do governo do Acre, pedindo punição exemplar aos agressores. Em Belém (PA), o ato em frente ao Mercado de São Brás reuniu dezenas de pessoas com faixas e cartazes em defesa dos direitos dos animais.
Interior de São Paulo também se mobiliza
Cidades do interior paulista, como Campinas, São José do Rio Preto e Araçatuba, também aderiram ao movimento.
Em Campinas, a caminhada reuniu ONGs e protetores de animais na Lagoa do Taquaral. Os manifestantes assinaram um documento que será entregue à prefeitura pedindo “fiscalização rigorosa” e punições mais severas.
Em Rio Preto e Araçatuba, os atos ocorreram em praças e em frente a prédios públicos, com pedidos de maior rigor na aplicação da Lei de Crimes Ambientais.
Solidariedade de artistas, políticos e do esporte
A mobilização em torno de Orelha ultrapassou fronteiras ideológicas e ganhou apoio de artistas e políticos de diferentes espectros, tanto da esquerda quanto da direita, que se manifestaram nas redes sociais em solidariedade à causa animal e cobrando justiça.
O caso também repercutiu no mundo do esporte. No dia 29 de janeiro, o Botafogo entrou em campo exibindo uma faixa com a mensagem “Justiça por Orelha”, durante partida oficial, em gesto de apoio às manifestações e de repúdio aos maus-tratos contra animais (link).

Botafogo em homenagem ao cão Orelha
A Escola de Samba Mocidade Independente também fez sua homenagem:

Mocidade em homenagem ao cão Orelha
Homenagem de Eduardo Kobra
A comoção nacional também inspirou manifestações artísticas. O muralista Eduardo Kobra, conhecido mundialmente por suas obras de arte urbana, prestou homenagem a Orelha com uma pintura emocionante que retrata o cão cercado por mãos em gesto de carinho e proteção.
A obra, publicada nas redes sociais do artista (link), simboliza a empatia e a luta contra os maus-tratos aos animais. Na imagem, Orelha aparece de olhos fechados, sereno, envolto por mãos coloridas — um tributo que transformou a dor coletiva em arte e sensibilização.

Arte de Eduardo Kobra em homenagem ao cão Orelha divulgada na rede X
Sociedade exige punições mais severas
O caso do cão Orelha reacendeu o debate sobre os maus-tratos e a efetividade das leis de proteção animal no Brasil.
Atualmente, a Lei Federal nº 14.064/2020 prevê pena de dois a cinco anos de prisão para quem maltratar cães e gatos, além de multa e proibição de guarda. No entanto, ativistas afirmam que a aplicação ainda é branda e que os responsáveis frequentemente respondem em liberdade.
O movimento nacional deste domingo mostrou que a sociedade brasileira está cada vez mais mobilizada em defesa dos animais — e exige justiça, não apenas por Orelha, mas por todas as vítimas da crueldade.
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