PUBLICADO EM 06 de out de 2017
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Brasil acolhe melhor os refugiados

Nos últimos cinco anos, o número de estrangeiros em busca de refúgio no Brasil cresceu. Por razões das mais diferentes, mais e mais pessoas preferem este país para viver. Ademais, o governo do país apoia a política dos “braços abertos” para acolher refugiados, como disse Dilma Rousseff em discurso na ONU quase dois anos atrás. Mas, na verdade, é difícil garantir a implementação desta política, se o órgão de fundamental importância neste processo, о Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), está funcionando sem as estruturas técnica e orçamentária certas para lidar com o grande volume de pedidos de refúgio no Brasil.

Por isto, a partir de 2013, cada um dos solicitantes de refúgio sente este crescimento, especialmente em função da demora da decisão do Conare, a burocracia do processo, e, às vezes, a falta de atenção das pessoas neste sistema.

Eu me chamo Anya Prosiuk, vim da Ucrânia no começo de março 2015. O Brasil recebeu-me com os braços abertos. Na verdade, os brasileiros são muito receptivos, alegres e simpáticos, com uma grande curiosidade e sempre estão dispostos a ajudar os estrangeiros; o clima e a natureza no Brasil são incríveis e, além disto, a abundância de frutas e legumes é impressionante em sua variedade.

Mas, falando sobre o outro lado da moeda, eu sei bem como é ser um solicitante e morar mais de dois e anos e meio no país só com um único documento de identificação, o chamado Protocolo de Permanência Provisória, e também como a enfrentar a falta dos todos os benefícios que o RNE permite obter. Por exemplo: é impossível a gente se registrar em todos os sistemas eletrônicos que solicitam o número do RNE. Nesta situação o número do Protocolo nunca vai ajudar, até porque é enorme.

Durante minha estada no Brasil, tive dois Protocolos renovados sem qualquer resposta do Conare. Apenas em junho de 2017, com a ajuda da Cáritas-SP, fui convidada para a entrevista no Conare. Um mês antes da entrevista, descobri que o número do meu protocolo tem uma diferença em relação àquele que está no sistema do Polícia Federal. Por alguma razão, a pessoa que me registrou na Polícia Federal copiou um algarismo errado do registro eletrônico para o Protocolo em papel. No ano seguinte um outro funcionário só repetiu a ação anterior. E assim eu passei dois anos sem nenhuma resposta do Conare aos meus pedidos de entrevista.

É óbvio que essa demora afeta todas as áreas da vida de uma pessoa, especialmente as que convivem com tamanha instabilidade ao seu redor. Mesmo as empresas grandes não têm pressa em contratar um solicitante de refúgio para boas vagas, e nele investir, devido ao desconhecimento do futuro dessa pessoa.

Apesar disto, tenho a coragem de criar planos para o futuro, construir uma carreira e pensar sobre minha própria situação neste país.

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