
Agricultores protestam em SP contra trabalho escravo no café
Trabalhadores rurais das lavouras de café protestaram, nesta segunda-feira (26), na Avenida Paulista denunciando trabalho escravo, cobrando fiscalização efetiva e responsabilização empresarial por violações recorrentes graves.
A mobilização denunciou situações de trabalho em condições análogas à escravidão e outras violações de direitos humanos e trabalhistas na cadeia produtiva do café no Brasil, especialmente no Sul de Minas Gerais, região estratégica para o fornecimento de grãos a grandes marcas globais.
O ato ocorreu em frente à Starbucks e foi organizado pela ADERE/MG, com apoio da UGT, Força Sindical e CUT, destacando abusos no Sul de Minas Gerais.
De acordo com as lideranças sindicais, colhedores enfrentam informalidade, dívidas, ausência de EPIs e alojamentos precários; além disso, o protesto relembrou os 22 anos da Chacina de Unaí histórica.
Em seguida, o movimento conectou a denúncia brasileira às greves de baristas nos Estados Unidos, criticando um modelo global que prioriza lucros sobre direitos humanos.
Punição aos criminosos
Lideranças sindicais defenderam cadeias responsáveis, punição aos criminosos e aprovação do Projeto de Lei 572/22, afirmando que transparência e fiscalização fortalecem dignidade e segurança jurídica trabalhista nacional.
Jorge Ferreira Filho, representante da ADERE/MG, destacou que o problema atinge inclusive propriedades com certificações de sustentabilidade.
“Quem procura trabalho não merece escravidão. O criminoso tem que ir para a cadeia”, afirmou.
O dirigente, que já foi vítima de trabalho escravo, defende o Projeto de Lei 572/22. O texto busca criar um marco legal sobre direitos humanos e empresas no Brasil.
Ricardo Patah, presidente da UGT, defendeu que a responsabilidade deve ser compartilhada por toda a cadeia.
“É preciso que empresas como a Starbucks assumam responsabilidade pelo que acontece nas plantações”, declarou.
Para Rubens Fernandes da Silva, vice-presidente do Sinthoresp, a presença no ato reforça uma posição institucional.
“A discussão sobre direitos não pode ficar restrita à ponta do consumo. Não existe consumo sem responsabilidade. Quando uma cadeia produtiva se sustenta sobre trabalho análogo à escravidão, isso não é um problema distante, é um problema de todos nós”.
Rubens reafirmou que a transparência garante segurança jurídica. “O fortalecimento das instituições de fiscalização é essencial para a dignidade de quem vive do trabalho”, reforçou.
Sobre o ato
De acordo com a ADERE/MG, grande parte dos trabalhadores da colheita do café ainda enfrenta informalidade, endividamento, ausência de equipamentos de proteção, falta de banheiros e alojamentos precários, além de outras condições degradantes em fazendas que abastecem grandes empresas do setor.
O ato reuniu trabalhadores rurais e contou com o apoio de diversas entidades sindicais, entre elas CUT, UGT, Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Femaco e o Sinthoresp.
“Essa mobilização reforça que a exploração do trabalho atravessa diferentes cadeias produtivas e atinge públicos vulneráveis diversos”, afirmou Jorge Ferreira Filho.
Na outra ponta da cadeia, o protesto também dialogou com a mobilização internacional de baristas organizados nos Estados Unidos, por meio da Starbucks Workers United, que mantêm greves e ações sindicais desde novembro de 2025 em várias cidades.
As reivindicações incluem denúncias de baixos salários, sobrecarga de trabalho, jornadas imprevisíveis e práticas antissindicais.
Para os participantes do ato em São Paulo, a conexão entre a realidade das lavouras e das cafeterias evidencia a necessidade de transparência em cadeias produtivas globalizadas.
As lideranças sindicais defenderam:
- maior transparência em toda a cadeia do café, do campo ao consumo;
- revisão de sistemas de certificação;
- reparação às vítimas e
- fortalecimento da fiscalização.
Leia também: Metalúrgicos debatem ações de 2026 em defesa dos direitos



