PUBLICADO EM 27 de jan de 2026

Agricultores protestam em SP contra trabalho escravo no café

Protesto na Avenida Paulista denuncia trabalho escravo nas lavouras de café, cobra fiscalização e responsabilização de empresas globais da cadeia produtiva

Agricultores protestam em SP contra trabalho escravo no café

Agricultores protestam em SP contra trabalho escravo no café

Trabalhadores rurais das lavouras de café protestaram, nesta segunda-feira (26), na Avenida Paulista denunciando trabalho escravo, cobrando fiscalização efetiva e responsabilização empresarial por violações recorrentes graves.

A mobilização denunciou situações de trabalho em condições análogas à escravidão e outras violações de direitos humanos e trabalhistas na cadeia produtiva do café no Brasil, especialmente no Sul de Minas Gerais, região estratégica para o fornecimento de grãos a grandes marcas globais.

O ato ocorreu em frente à Starbucks e foi organizado pela ADERE/MG, com apoio da UGT, Força Sindical e CUT, destacando abusos no Sul de Minas Gerais.

De acordo com as lideranças sindicais, colhedores enfrentam informalidade, dívidas, ausência de EPIs e alojamentos precários; além disso, o protesto relembrou os 22 anos da Chacina de Unaí histórica.

Em seguida, o movimento conectou a denúncia brasileira às greves de baristas nos Estados Unidos, criticando um modelo global que prioriza lucros sobre direitos humanos.

Punição aos criminosos

Lideranças sindicais defenderam cadeias responsáveis, punição aos criminosos e aprovação do Projeto de Lei 572/22, afirmando que transparência e fiscalização fortalecem dignidade e segurança jurídica trabalhista nacional.

Jorge Ferreira Filho, representante da ADERE/MG, destacou que o problema atinge inclusive propriedades com certificações de sustentabilidade.

“Quem procura trabalho não merece escravidão. O criminoso tem que ir para a cadeia”, afirmou.

O dirigente, que já foi vítima de trabalho escravo, defende o Projeto de Lei 572/22. O texto busca criar um marco legal sobre direitos humanos e empresas no Brasil.

Ricardo Patah, presidente da UGT, defendeu que a responsabilidade deve ser compartilhada por toda a cadeia.

“É preciso que empresas como a Starbucks assumam responsabilidade pelo que acontece nas plantações”, declarou.

Para Rubens Fernandes da Silva, vice-presidente do Sinthoresp, a presença no ato reforça uma posição institucional.

“A discussão sobre direitos não pode ficar restrita à ponta do consumo. Não existe consumo sem responsabilidade. Quando uma cadeia produtiva se sustenta sobre trabalho análogo à escravidão, isso não é um problema distante, é um problema de todos nós”.

Rubens reafirmou que a transparência garante segurança jurídica. “O fortalecimento das instituições de fiscalização é essencial para a dignidade de quem vive do trabalho”, reforçou.

Sobre o ato

De acordo com a ADERE/MG, grande parte dos trabalhadores da colheita do café ainda enfrenta informalidade, endividamento, ausência de equipamentos de proteção, falta de banheiros e alojamentos precários, além de outras condições degradantes em fazendas que abastecem grandes empresas do setor.

O ato reuniu trabalhadores rurais e contou com o apoio de diversas entidades sindicais, entre elas CUT, UGT, Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Femaco e o Sinthoresp.

“Essa mobilização reforça que a exploração do trabalho atravessa diferentes cadeias produtivas e atinge públicos vulneráveis diversos”, afirmou Jorge Ferreira Filho.

Na outra ponta da cadeia, o protesto também dialogou com a mobilização internacional de baristas organizados nos Estados Unidos, por meio da Starbucks Workers United, que mantêm greves e ações sindicais desde novembro de 2025 em várias cidades.

As reivindicações incluem denúncias de baixos salários, sobrecarga de trabalho, jornadas imprevisíveis e práticas antissindicais.

Para os participantes do ato em São Paulo, a conexão entre a realidade das lavouras e das cafeterias evidencia a necessidade de transparência em cadeias produtivas globalizadas.

As lideranças sindicais defenderam:

  • maior transparência em toda a cadeia do café, do campo ao consumo;
  • revisão de sistemas de certificação;
  • reparação às vítimas e
  • fortalecimento da fiscalização.

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