
Vai-Vai celebrou a cultura de São Bernardo do Campo neste Carnaval.
Na madrugada deste sábado (14) desfilou uma das mais tradicionais escolas do Carnaval paulistano: a Vai-Vai, que levou para a avenida uma homenagem à cidade de São Bernardo do Campo.
Fundada em 1930, a agremiação do bairro do Bixiga foi a penúltima a se apresentar no Sambódromo do Anhembi, reunindo 2.300 integrantes distribuídos em 21 alas, quatro alegorias e um elemento cênico na comissão de frente.
- O objetivo: celebrar a história, o trabalho e a cultura da cidade do ABC e buscar a tão sonhada 16ª estrela em seu pavilhão.
O desfile, previsto para começar às 4h45, teve um atraso devido a um incidente na pista — o derramamento de óleo deixado após a passagem da Acadêmicos do Tatuapé. O “esquenta” começou às 5h21, e a Vai-Vai entrou na avenida às 5h40, com fogos de artifício e o dia já amanhecendo. Às 6h05, a apresentação se encerrava sob aplausos e emoção do público presente.
São Bernardo em cartaz
Com o enredo “Em Cartaz: A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”, a Vai-Vai transformou a história de São Bernardo em uma grande produção cinematográfica. A escola fez uma viagem pela memória da cidade, desde o auge da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, nas décadas de 1950 e 1960, até o protagonismo dos trabalhadores nas greves operárias que marcaram o país.
O abre-alas “Luzes, Câmera, Ação: Nas Lentes da Vera Cruz” recriou o glamour dos estúdios cinematográficos, exibindo 18 cartazes de filmes clássicos como Tico-Tico no Fubá e Nadando em Dinheiro. Já o segundo carro, “Nas Linhas de Montagem”, representou a força industrial de São Bernardo, com réplicas de Fuscas dos anos 1960 e figuras femininas simbolizando o papel das mulheres na construção da cidade.
Carro “Greve”
O terceiro carro, “Greve”, destacou as mobilizações operárias de 1979 e 1980, período que consolidou São Bernardo como berço do sindicalismo moderno brasileiro. A bateria Pegada de Macaco surgiu caracterizada como trabalhadores de montadoras, embalando o público ao som de versos que exaltavam o valor do trabalho e a dignidade do povo.
Encerrando o desfile, o carro “Em Grand Finale São Bernardo: a Vedete da Pauliceia” apresentou uma visão idealizada da cidade, onde cultura, justiça e cidadania convivem lado a lado. A Velha Guarda desfilou em poltronas de cinema, assistindo à própria trajetória, enquanto esculturas de saracuras — símbolo da escola — rodeavam uma fonte inspirada no Paço Municipal e na arquitetura moderna do ABC.
Emoção e orgulho
Antes de entrar na avenida, o mestre-sala Pedro Trindade, de 38 anos, resumiu o sentimento da comunidade:
“Trabalhamos muito para este momento. Representar São Bernardo foi uma das melhores escolhas que a escola fez. É uma cidade incrível, e a expectativa é enorme.”
O supervisor comercial Murillo Félix Lozano, de 35 anos, reforçou o clima de confiança:
“A maior campeã de títulos do estado de São Paulo entra sempre para ganhar. Queremos trazer a 16ª estrela para o nosso pavilhão.”
A secretária de Cultura de São Bernardo, Samara Dinis, acompanhou o desfile e destacou a parceria com a escola:
“Há mais de um ano colaboramos na construção do enredo. Mostramos o turismo, o sindicalismo e a alma da cidade. É uma emoção imensa ver São Bernardo brilhando na avenida.”
Um espetáculo de amor e identidade
Com a presença de gestores culturais, trabalhadores e 18 mulheres integrando o carro cênico principal, a Vai-Vai encerrou o desfile sob aplausos e gritos de “é campeã!”. O espetáculo reafirmou o elo entre o samba e a história de São Bernardo — uma cidade que inspira, resiste e segue em cartaz no coração do Carnaval paulistano.
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