
Ricardo Patah, presidente da UGT lidera manifestação na Paulista
A União Geral dos Trabalhadores (UGT) e o Sindicato dos Comerciários de São Paulo (SECSP) realizaram na manhã desta quinta-feira (4) um protesto em frente à sede da Justiça Federal, na Avenida Paulista, para denunciar os abusos praticados por operadoras de planos de saúde e exigir uma atuação mais rigorosa da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Com carro de som, faixas e discursos contundentes, o ato destacou o descontentamento das entidades com a omissão da ANS diante de práticas recorrentes que prejudicam os consumidores. Durante o protesto, foi anunciada a entrada de uma Ação Civil Pública contra a agência reguladora, exigindo o cumprimento do seu papel fiscalizador e medidas urgentes para coibir abusos no setor. A ação também pede uma indenização de R$ 50 milhões por danos morais coletivos, valor que deve ser revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Abusos denunciados
Entre os principais problemas apontados pelas entidades estão:
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Aumentos abusivos nas mensalidades;
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Recusa de cobertura para exames e tratamentos essenciais;
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Limitação injusta em sessões de terapia;
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Falta de transparência nos contratos;
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Cancelamentos unilaterais de planos, inclusive de pacientes vulneráveis;
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Discriminação contra pessoas com doenças pré-existentes.
“Descaso e abandono”, denuncia Ricardo Patah
O presidente da UGT e do SECSP, Ricardo Patah, criticou duramente a omissão da ANS e trouxe relatos concretos para ilustrar a gravidade da situação. Um dos casos mencionados foi o da dentista Dra. Tereza, funcionária do sindicato, que precisou aguardar 30 dias por autorização para uma cirurgia após fratura na clavícula — só liberada após decisão judicial. Durante a espera, ela ainda contraiu Covid-19.
“Entramos com a ação na 5ª Vara Federal porque não dá mais para aceitar esse descaso. Só no ano passado, mais de 300 mil ações judiciais foram movidas contra planos de saúde. São 300 mil pessoas ignoradas por um sistema que deveria protegê-las”, afirmou Patah.
O dirigente também relatou casos de trabalhadores diagnosticados com câncer que enfrentam longas esperas para iniciar o tratamento. “No momento mais difícil da vida, ainda precisam lidar com a burocracia e o abandono. Isso é desumano”, disse.
Saúde como mercadoria
Josimar Andrade, dirigente do SECSP, também participou da manifestação e classificou como “vergonhosa” a situação da saúde suplementar no país. Ele lembrou que, apesar das inúmeras denúncias, o setor apresentou lucro de 114% recentemente.
“Enquanto trabalhadores sofrem para conseguir atendimento, os planos de saúde lucram como nunca. Isso mostra o tamanho da desigualdade no acesso à saúde”, destacou.
Jornada 6×1 também foi alvo de críticas
Durante o protesto, os manifestantes também defenderam o fim da jornada de trabalho 6×1 no comércio, denunciando os impactos negativos dessa escala na saúde física e mental dos trabalhadores.
“Não dá pra falar em qualidade de vida quando o trabalhador mal tem tempo para descansar”, enfatizou Josimar.
Pressão por mudanças
A UGT informou que continuará mobilizada para pressionar por mudanças no setor. “Saúde não é mercadoria. Queremos respeito aos consumidores, responsabilidade das operadoras e uma ação firme do Estado para combater os abusos”, concluiu Ricardo Patah.



