PUBLICADO EM 29 de set de 2025

Trabalho em aplicativos cresce 170% em dez anos no Brasil

Crescimento do trabalho em aplicativos no Brasil impulsiona ocupação, mas traz queda de renda, jornadas extensas e desafios regulatórios para garantir direitos e proteção social.

Comissão vai debater regulamentação do trabalho em aplicativos

Trabalho em aplicativos cresce 170% em dez anos no Brasil – Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O trabalho em aplicativos cresceu 170% no Brasil na última década, passando de 770 mil para 2,1 milhões de ocupados. Esse fenômeno gera impactos contraditórios no mercado.

De acordo com o relatório do Banco Central, divulgado na quinta-feira (25), os aplicativos ajudam a reduzir o desemprego. Sem essas plataformas, a taxa poderia atingir até 5,5% da população.

Contudo, especialistas apontam que o avanço ocorre à custa de condições precárias. O rendimento médio dos motoristas caiu de R$ 3,1 mil para menos de R$ 2,4 mil.

Além da queda da renda, o Ipea registrou aumento das jornadas extensas. Entre 2012 e 2022, cresceu o número de motoristas que trabalham mais de 49 horas semanais.

Paralelamente, houve colapso na proteção previdenciária. Em 2015, quase metade dos motoristas contribuía com a Previdência; em 2022, menos de um quarto mantinha essa cobertura.

Relatórios internacionais reforçam o cenário. O estudo Fairwork Brasil indica que as plataformas não asseguram padrões mínimos de remuneração justa nem condições dignas para os trabalhadores.

Ainda assim, os aplicativos ganharam relevância econômica. Em 2025, o setor representou 2,1% da população ocupada e já influencia diretamente o cálculo oficial da inflação.

O Banco Central reconhece que as plataformas ampliam o ingresso de trabalhadores na força de trabalho. No entanto, alerta para os desafios regulatórios que exigem equilíbrio entre flexibilidade e direitos.

A questão central para o futuro do setor é conciliar a inovação digital com garantias mínimas de proteção social. Sem isso, a precarização continuará se aprofundando no Brasil.

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