PUBLICADO EM 20 de mar de 2020
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Tião Carreiro e Pardinho cantam: ‘Menino da Porteira’; música

O menino da porteira começa com a imagem bucólica de um garoto vivendo feliz no meio da natureza. Mas depois se transforma em uma peça trágica. Pode ser interpretada como uma metáfora das relações de dominação no campo, onde o menino é o trabalhador, frágil, ingênuo e oprimido, e o boi o poderoso senhor de terra (ressalvando que a situação não deve ser atribuída aos animais, que não tem, na realidade intenções de prejudicar o outro). Pode também ser uma alegoria da profunda transição social, do predomínio do rural para o predomínio do urbano. Isso pode ser entendido quando ele fala em “porteira fechada”, quando fala sobre a cruz no estradão, ou quando ele pressente que vê a imagem do menino e o triste rangido, como uma lembrança de algo que ficou para trás.

Menino da Porteira

(Composição: Teddy Vieira e Luizinho/1955)

Interprete: Tião Carreiro e Pardinho

Toda vez que eu viajava
Pela estrada de ouro fino
De longe eu avistava
A figura de um menino
Que corria abri a porteira
Depoi vinha me pedindo
Toque o berrante seu moço
Que é pra mim ficá ouvindo

Quando a boiada passava
Que a porteira ia fechando
Eu jogava uma moeda,
Ele saia pulando;
Obrigado, boiadeiro
Que Deus vai lhe acompanhando
Pra aquele sertão afora
Meu berrante ia tocando

No caminho desta vida
Muito espinho encontrei
Mais nenhum calou mais fundo
Do que isso que eu passai:
Na minha viage de volta
Quarqué coisa eu cismei,
Vendo a porteira fechada
E o menino não avistei

Apiei do meu cavalo
Num ranchinho beira chão,
Vi uma muié chorando
Quis sabê qual a razão:

Boiadeiro veio tarde,
Veja a cruz no estradão,
Quem matou o meu filinho
Foi um boi sem coração

Lá pra banda de ouro fino
Levando o gado servage,
Quando eu passo na porteira
Até vejo sua image
O seu rangido tão triste
Mai parece uma mensage
Daquele rosto trigueiro
Desejando me boa viage

A cruzinha do estradão
Do pensamento não sai
Eu já fiz um juramento
Que eu não esqueço jamais
Nem que o meu gado estore
Que eu preciso ir atrás
Nesse pedaço de chão
Berrante eu não toco mais.

Fonte: memoriasindical.com.br

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