
Taxação pode afetar a economia brasileira. Foto: Vosmar Rosa/MPOR
O estudo Impactos potenciais da taxação nos setores, nos empregos e nas negociações coletivas do 2ºsemestre, elaborado pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), apresenta um panorama dos possíveis efeitos da nova taxação imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e como ela pode afetar a economia, o emprego e as negociações coletivas já no segundo semestre.
O estudo mostra que em 2024, o comércio entre os dois países movimentou cerca de 81 bilhões de dólares e, embora o déficit brasileiro tenha sido o menor desde 2009, os EUA continuam sendo o segundo principal destino das exportações nacionais.
As novas tarifas, que podem chegar a 50% para produtos como aço e alumínio e a até 76% para carne bovina, atingem setores estratégicos como café, frutas, máquinas e equipamentos, siderurgia, eletroeletrônicos, químicos e autopeças. Projeções indicam que, no pior cenário, o país pode perder mais de 720 mil postos de trabalho, com queda na renda e impacto no PIB. Mesmo em uma hipótese mais moderada, as perdas ainda seriam significativas, especialmente na indústria de transformação e no agronegócio.
As consequências também se estendem ao mundo do trabalho: mais de 3 mil empresas brasileiras que exportam para os EUA têm acordos coletivos ativos, envolvendo quase 1,5 mil sindicatos, com concentração nas regiões Sudeste e Sul. Esse cenário coloca pressão não apenas sobre a produção e as exportações, mas também sobre a renda dos trabalhadores e a capacidade de negociação das categorias afetadas.
O estudo aborda:
Estrutura das Tarifas
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Total de exportações afetadas (2024): US$ 40,4 bilhões.
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Divisão por categoria:
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“Tarifaço” (10 % + 40 %): US$ 14,5 bilhões (35,9 %)
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Tarifas adicionais de até 10 %: US$ 18 bilhões (44,6 %).
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Tarifas específicas (Seção 232): US$ 7,9 bilhões (19,5 %); incluem sobretaxas de 25 % em autopeças e automóveis e de 50 % para aço, alumínio e cobre.
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Impactos Econômicos
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A perda potencial é de 726 701 postos de trabalho, com redução de R$ 38,87 bilhões em valor adicionado e R$ 14,33 bilhões na massa salarial.
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A arrecadação de impostos cairia R$ 11,01 bilhões, e o PIB encolheria 0,357 %.
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Sectores mais afetados: indústria de transformação (metalurgia, alimentos, madeira, químico e vestuário) e serviços.
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Com projeções menos pessimistas, o PIB poderia cair 0,1 %, e as exportações, 1,19 %.
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A redução de exportações para os EUA seria parcialmente compensada por efeitos positivos de retaliações a outros países (ex.: China).
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A perda líquida de empregos seria de cerca de 57,3 mil vagas.
Setores Produtivos Atingidos
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Café: 34 % do consumo americano é brasileiro.
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Carne bovina: tarifas podem chegar a 76,4 %; perda prevista de US$ 1 bilhão.
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Frutas: manga, uva e frutas processadas compõem 90 % das exportações; risco de desemprego sazonal.
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Celulose e papel: tarifas em madeira e papéis; anúncios de realocação de operações.
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Máquinas e equipamentos: 25 % das exportações vão para os EUA (US$ 3,6 bi), com baixa possibilidade de redirecionamento.
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Siderurgia: já sofre alíquota de 50 %; em 2024, os EUA importaram 5,6 milhões de toneladas de placas de aço, sendo 3,4 milhões do Brasil.
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Eletroeletrônicos: EUA representam 29 % das exportações do setor.
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Químicos: apenas cinco NCMs estão isentos; cancelamentos de pedidos já ocorrem.
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Autopeças: queda de 4,9 % nas exportações no 1º semestre de 2025.
Negociações Coletivas Atingidas
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3 075 empresas exportadoras para os EUA possuem acordos coletivos em vigor.
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Os 1 459 sindicatos envolvidos concentram-se em quatro setores: indústria (1 933 instrumentos), serviços (175), rural (93) e comércio (68).
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Picos de negociações acontecem em maio, setembro e novembro.
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Regionalmente, o Sudeste concentra a maioria dos instrumentos (1 286), sobretudo em São Paulo (1 005), seguido das regiões Sul (614) e Centro-Oeste (58).
Ameaça
O estudo conclui que o “tarifaço” representa uma ameaça significativa ao emprego e à renda, com possibilidade de perdas massivas em setores estratégicos.
Mesmo cenários moderados apontam queda no PIB e nas exportações, sugerindo forte necessidade de diversificar mercados e estratégias de negociação.
A pressão sobre sindicatos e negociações coletivas tende a aumentar, especialmente em estados com grande número de exportadoras, exigindo mobilização e acompanhamento constante.
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