PUBLICADO EM 18 de fev de 2026

Sindicalismo perde Jairo Carneiro, liderança histórica do Rio Grande do Sul

Lamentamos a perda de Jairo Carneiro, ex-presidente da FTM-RS e defensor dos direitos dos trabalhadores metalúrgicos gaúchos.

Saiba mais sobre Jairo Carneiro, uma das maiores lideranças do movimento sindical gaúcho e sua contribuição para a democracia.

Saiba mais sobre Jairo Carneiro, uma das maiores lideranças do movimento sindical gaúcho e sua contribuição para a democracia.

Faleceu na noite desta segunda-feira (17), em Porto Alegre, o metalúrgico Jairo Carneiro.

Trabalhador da Koch Metalúrgica, de Cachoeirinha, Jairo foi uma das maiores lideranças do movimento sindical gaúcho. Nos últimos anos, ele enfrentou diversos problemas de saúde e passou por inúmeras internações, mas nunca perdeu o bom humor e a vontade de mudar o mundo.

Sua história

Filho de metalúrgico, ele nasceu em 31 de outubro de 1949 e iniciou sua militância nos movimentos populares, com mais afinco junto a Juventude Operária Católica (JOC). Foi dirigente nacional da entidade entre 1971 e 1974, década em que foi perseguido político pela ditadura militar.

Jairo Carneiro

Jairo Carneiro

Já na Nova República, ele ajudou a reformular o movimento sindical, contribuindo, desta forma, para a construção de democracia.

Ele foi:

  • Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos da Grande Porto Alegre (STIMEPA), de 1989 a 1994;
  • Presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RS), de 1992 a 1997, e;
  • Esteve à frente da FTM-RS entre 2012 a 2018.

Repercussão

Em nota divulgada pela Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do RS (FTM-RS), o diretor, Milton Viário afirmou:

“Suas gestões foram marcadas por solidariedade! Todos que chegavam pedindo ajuda, recebiam. Principalmente, aqueles que vinham dos movimentos populares mais necessitados”.

Para ele, isso é reflexo da vida de Jairo:

“Ele teve uma vida dedicada a ajudar os próximos, os que mais precisavam. A luta sempre foi uma característica dele e ele foi até o fim lutando pela vida.”

A Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, CNM, também lançou nota de pesar em que diz:

“Neste momento de grande consternação e tristeza, diante da perda deste grande companheiro, a CNM/CUT se junta à FTM-RS e manifesta toda nossa solidariedade e nossas condolências aos familiares, amigos, companheiros de militância e colegas de trabalho”.

O Sindicato dos Professores e Funcionários de Escola do RS (Cepers/Sindicato), filiado à CTB, lamentou a morte de Jairo afirmando que o metalúrgico “foi uma liderança por onde de passou” e que “Apesar do peso desta partida, é possível encarar esse momento com um olhar de completude e de celebração”. “Jairo foi um camarada que teve êxito em suas lutas e que merece ter sua trajetória reverenciada”, diz o Sindicato.

Já o Secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Juruna, que também foi membro da Juventude Operária Católica, disse em suas redes sociais:

“Tive a chance de conhecê-lo no começo dos anos 1970. Uma figura! Dirigente nacional da JOC, nos incentivou muito na época. Devo muito do meu aprendizado a ele, seu incentivo, os debates. Ele também tocava um bom violão. Enfim, um grande companheiro”.

O presidente nacional da CUT, Sergio Nobre, lembrou que:

“Jairo foi um homem e um dirigente que lutou a vida inteira pela classe trabalhadora”.

E o ex-ministro Miguel Rossetto, que atualmente é deputado estadual do RS pelo PT, em seu Facebook, disse:

“Muito triste com a notícia da morte do Jairo Carneiro, um grande amigo e companheiro. Conheci o Jairo em 1979, quando militamos juntos na Pastoral Operária, ele sempre foi uma grande referência. Uma liderança dos trabalhadores, sindical, construtor da CUT, do PT, um homem de esquerda, sempre no campo do diálogo, dos compromissos políticos. Não é uma história pequena que construímos juntos, caminhamos juntos por um longo tempo das nossas vidas. Fica uma tristeza enorme, e minha homenagem a este grande companheiro, Jairo Carneiro”.

Jairo Carneiro, presente!

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