
Saúde mental no trabalho: sindicato cobra aplicação da NR-1
O Sinpospetro RJ manifestou preocupação com a possibilidade de novo adiamento das multas para empresas que descumprirem regras de saúde mental previstas na Norma Regulamentadora 1.
De acordo com informações recentes, o Ministério do Trabalho e Emprego avalia postergar novamente a aplicação das punições, que deveriam começar a valer em maio deste ano.
Entretanto, o sindicato critica duramente a medida. A entidade afirma que as empresas já tiveram prazo suficiente para adaptar ambientes e políticas internas.
A NR-1 estabelece diretrizes de saúde e segurança no trabalho. Inicialmente, a norma deveria entrar em vigor em maio de 2025.
Contudo, o governo concedeu um ano de prazo sem aplicação de multas para permitir que empresas organizassem seus ambientes de trabalho e adequassem procedimentos.
Mesmo assim, setores patronais voltaram a pedir mais tempo. Para o sindicato, a nova tentativa representa descaso com a saúde mental dos trabalhadores.
O presidente do Sinpospetro RJ, Eusébio Pinto Neto, criticou a postura do empresariado diante das exigências previstas na norma regulamentadora.
Segundo ele, os patrões tiveram tempo suficiente para adotar medidas efetivas, mas muitos ainda ignoram problemas graves que atingem trabalhadores nos postos.
“Não dá mais para aceitar a choradeira patronal. Eles tiveram prazo para cuidar da saúde mental dos trabalhadores, porém preferiram ignorar o problema”, afirmou.
O dirigente acrescentou que metas abusivas, assédio moral constante e jornadas exaustivas seguem provocando adoecimento entre trabalhadores de postos e lojas de conveniência.
Além disso, Eusébio destacou que o Ministério do Trabalho tem papel importante na reconstrução de direitos, mas alertou para riscos de flexibilizar punições.
“Saúde mental não é frescura, é direito fundamental. Portanto, o momento exige fiscalização firme e aplicação imediata das multas previstas na NR-1”, reforçou.
Dados recentes reforçam a gravidade da situação. Somente em 2025, o país registrou mais de 500 mil afastamentos relacionados a estresse, ansiedade e burnout.
De acordo com especialistas e sindicatos, esses problemas estão ligados a assédio constante, metas abusivas, excesso de jornada e falta de equilíbrio entre trabalho e vida.
Apesar disso, representantes empresariais alegam falta de clareza nas regras ou necessidade de novas orientações técnicas sobre prevenção e identificação de riscos.
O Sindicato rebate esses argumentos e afirma que combater assédio e riscos psicossociais exige respeito ao trabalhador, não consultorias caras ou novos adiamentos.
O Sinpospetro RJ defende que o governo mantenha firmeza na política trabalhista e garanta aplicação imediata das punições previstas na NR-1.
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