PUBLICADO EM 03 de abr de 2026

Origem e o significado da Semana Santa

Conheça os símbolos e significados da Semana Santa, uma celebração essencial da fé cristã e da tradição judaica.

A Páscoa é a comemoração do fundamento da fé cristã — a crença de que Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia. Imagem: Pintura "Ressurreição de Cristo", por Rafael Sanzio (1499–1502).

A Páscoa é a comemoração do fundamento da fé cristã — a crença de que Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia. Imagem: Pintura “Ressurreição de Cristo”, por Rafael Sanzio (1499–1502).

Para os cristãos, a Páscoa celebra a ressurreição de Jesus Cristo, simbolizando a vitória sobre a morte, a renovação da vida e a esperança.

A data também carrega forte ligação com a tradição judaica. Sua origem está relacionada à Pessach (Páscoa judaica), que comemora a libertação dos hebreus da escravidão no Egito, sob a liderança de Moisés. Segundo a tradição, o sangue do cordeiro nas portas das casas fazia com que o anjo da morte “passasse adiante”, poupando os hebreus.

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No cristianismo, Jesus é associado a esse simbolismo como o “Cordeiro de Deus”, cuja morte e ressurreição representam a redenção dos pecados e a passagem para uma nova vida.

Astronomia define a data

A definição da Páscoa está diretamente ligada a fenômenos astronômicos. A celebração ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que acontece depois do equinócio da primavera no hemisfério norte (por volta de 20 de março).

Por isso, trata-se de um feriado móvel, que pode ocorrer entre o fim de março e a segunda quinzena de abril.

Mistura de calendários e tradições

A complexidade da data vem da tentativa de conciliar diferentes sistemas de contagem do tempo:

  • Calendário solar (egípcio e romano)
  • Calendário lunar (hebraico)
  • Tradições religiosas distintas

Essa combinação exige cálculos complexos a cada ano, já que o calendário civil não coincide perfeitamente com os ciclos astronômicos.

Origem histórica da regra

A padronização da Páscoa ocorreu no ano 325, durante o Concílio de Niceia, que definiu a regra atual para evitar divergências entre as comunidades cristãs.

Ainda assim, diferenças persistem. Igrejas ortodoxas, por exemplo, utilizam o calendário juliano, o que faz com que a celebração nem sempre coincida com a das igrejas ocidentais.

Semana Santa marca os principais eventos

A Páscoa é o ponto culminante da Semana Santa, período que relembra momentos centrais da tradição cristã:

  • Domingo de Ramos (entrada de Jesus em Jerusalém)
  • Quinta-feira Santa (Última Ceia)
  • Sexta-feira Santa (crucificação)
  • Domingo de Páscoa (ressurreição)

Sexta-feira Santa: entre a memória da crucificação e os rituais que atravessam séculos

A Sexta-feira Santa, também chamada de Sexta-feira da Paixão, é um dos momentos mais solenes do calendário cristão. A data relembra a crucificação e morte de Jesus Cristo e integra o núcleo central da fé cristã, que se completa com a ressurreição celebrada no Domingo de Páscoa.

Mais do que uma cerimônia religiosa, a Sexta-feira Santa reúne tradição, história e práticas que atravessam séculos e continuam presentes na vida de milhões de fiéis em todo o mundo. A origem da data remonta aos primeiros séculos do cristianismo. A data marca o dia em que, segundo os Evangelhos, Jesus foi julgado, condenado e crucificado pelo Império Romano.

Ao longo dos séculos, a Sexta-feira Santa também incorporou elementos culturais locais. Em países de tradição católica, como o Brasil, são comuns:

  • Procissões e encenações da Paixão de Cristo
  • Apresentações teatrais ao ar livre
  • Fechamento de estabelecimentos em respeito à data
  • Consumo de pratos à base de peixe

Em algumas regiões, práticas populares reforçam o caráter simbólico do dia, como evitar festas, manter silêncio ou dedicar-se a momentos de oração em família.

Símbolos: ovos e coelho

Além do significado religioso, a Páscoa incorporou símbolos de origem pagã. Ovos e coelhos, associados a antigas celebrações da primavera no hemisfério norte, representam fertilidade, renascimento e vida nova.

Esses elementos foram incorporados à tradição cristã ao longo do tempo, convivendo com o significado religioso da data.

Debate sobre unificação da data

Nos últimos anos, lideranças cristãs têm discutido a possibilidade de unificar a data da Páscoa entre diferentes tradições. O tema, no entanto, esbarra em diferenças históricas e culturais que ainda dificultam um consenso.

Uma data entre fé, história e ciência

A Páscoa reúne dimensões religiosas, históricas e científicas. Ao mesmo tempo em que celebra a fé cristã na ressurreição, também reflete tradições milenares e cálculos baseados no movimento do Sol e da Lua.

Por isso, permanece como uma das poucas datas do calendário moderno que ainda dependem diretamente do céu — e de uma herança cultural construída ao longo de séculos.

Com informações de BBC Brasil – Por que a data da Páscoa varia?

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