
A Páscoa é a comemoração do fundamento da fé cristã — a crença de que Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia. Imagem: Pintura “Ressurreição de Cristo”, por Rafael Sanzio (1499–1502).
Para os cristãos, a Páscoa celebra a ressurreição de Jesus Cristo, simbolizando a vitória sobre a morte, a renovação da vida e a esperança.
A data também carrega forte ligação com a tradição judaica. Sua origem está relacionada à Pessach (Páscoa judaica), que comemora a libertação dos hebreus da escravidão no Egito, sob a liderança de Moisés. Segundo a tradição, o sangue do cordeiro nas portas das casas fazia com que o anjo da morte “passasse adiante”, poupando os hebreus.
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No cristianismo, Jesus é associado a esse simbolismo como o “Cordeiro de Deus”, cuja morte e ressurreição representam a redenção dos pecados e a passagem para uma nova vida.
Astronomia define a data
A definição da Páscoa está diretamente ligada a fenômenos astronômicos. A celebração ocorre no primeiro domingo após a primeira lua cheia que acontece depois do equinócio da primavera no hemisfério norte (por volta de 20 de março).
Por isso, trata-se de um feriado móvel, que pode ocorrer entre o fim de março e a segunda quinzena de abril.
Mistura de calendários e tradições
A complexidade da data vem da tentativa de conciliar diferentes sistemas de contagem do tempo:
- Calendário solar (egípcio e romano)
- Calendário lunar (hebraico)
- Tradições religiosas distintas
Essa combinação exige cálculos complexos a cada ano, já que o calendário civil não coincide perfeitamente com os ciclos astronômicos.
Origem histórica da regra
A padronização da Páscoa ocorreu no ano 325, durante o Concílio de Niceia, que definiu a regra atual para evitar divergências entre as comunidades cristãs.
Ainda assim, diferenças persistem. Igrejas ortodoxas, por exemplo, utilizam o calendário juliano, o que faz com que a celebração nem sempre coincida com a das igrejas ocidentais.
Semana Santa marca os principais eventos
A Páscoa é o ponto culminante da Semana Santa, período que relembra momentos centrais da tradição cristã:
- Domingo de Ramos (entrada de Jesus em Jerusalém)
- Quinta-feira Santa (Última Ceia)
- Sexta-feira Santa (crucificação)
- Domingo de Páscoa (ressurreição)
Sexta-feira Santa: entre a memória da crucificação e os rituais que atravessam séculos
A Sexta-feira Santa, também chamada de Sexta-feira da Paixão, é um dos momentos mais solenes do calendário cristão. A data relembra a crucificação e morte de Jesus Cristo e integra o núcleo central da fé cristã, que se completa com a ressurreição celebrada no Domingo de Páscoa.
Mais do que uma cerimônia religiosa, a Sexta-feira Santa reúne tradição, história e práticas que atravessam séculos e continuam presentes na vida de milhões de fiéis em todo o mundo. A origem da data remonta aos primeiros séculos do cristianismo. A data marca o dia em que, segundo os Evangelhos, Jesus foi julgado, condenado e crucificado pelo Império Romano.
Ao longo dos séculos, a Sexta-feira Santa também incorporou elementos culturais locais. Em países de tradição católica, como o Brasil, são comuns:
- Procissões e encenações da Paixão de Cristo
- Apresentações teatrais ao ar livre
- Fechamento de estabelecimentos em respeito à data
- Consumo de pratos à base de peixe
Em algumas regiões, práticas populares reforçam o caráter simbólico do dia, como evitar festas, manter silêncio ou dedicar-se a momentos de oração em família.
Símbolos: ovos e coelho
Além do significado religioso, a Páscoa incorporou símbolos de origem pagã. Ovos e coelhos, associados a antigas celebrações da primavera no hemisfério norte, representam fertilidade, renascimento e vida nova.
Esses elementos foram incorporados à tradição cristã ao longo do tempo, convivendo com o significado religioso da data.
Debate sobre unificação da data
Nos últimos anos, lideranças cristãs têm discutido a possibilidade de unificar a data da Páscoa entre diferentes tradições. O tema, no entanto, esbarra em diferenças históricas e culturais que ainda dificultam um consenso.
Uma data entre fé, história e ciência
A Páscoa reúne dimensões religiosas, históricas e científicas. Ao mesmo tempo em que celebra a fé cristã na ressurreição, também reflete tradições milenares e cálculos baseados no movimento do Sol e da Lua.
Por isso, permanece como uma das poucas datas do calendário moderno que ainda dependem diretamente do céu — e de uma herança cultural construída ao longo de séculos.
Com informações de BBC Brasil – Por que a data da Páscoa varia?
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