PUBLICADO EM 30 de maio de 2025

No Paraná, audiência pública debate saúde mental dos bancários

Descubra a importância da saúde mental dos bancários e os impactos do assédio moral nas condições de trabalho

Audiência pública promove debate sobre saúde mental dos bancários - Foto: Laurito Porto Lira

Audiência pública promove debate sobre saúde mental dos bancários – Foto: Laurito Porto Lira

O evento destacou o impacto do assédio moral e das condições de trabalho na saúde mental da categoria, reforçando a necessidade de políticas públicas

A saúde mental é uma das principais causas de afastamentos do trabalho por bancárias e bancários, segundo levantamento nacional realizado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

Com o intuito de chamar atenção para o problema e discutir possíveis soluções, foi realizada audiência pública intitulada “Medo, pressão e assédio: a saúde mental dos bancários e financiários”, no último dia 20 de maio, na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná).

A proposição ocorreu pelo mandato da deputada estadual Ana Julia Ribeiro (PT), que coordena a Frente Parlamentar de Promoção da Saúde Mental, em parceria com o Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região.

Demandas debatidas

Segundo Laurito Porto Lira, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região, durante a audiência, foi destacado que o assédio moral é usado frequentemente pelos bancos como uma ferramenta de gestão para alcançar metas abusivas e aumentar os lucros. Essa prática impacta na saúde mental dos trabalhadores, levando a problemas como ansiedade, depressão e burnout.

Os participantes também apontaram que as instituições bancárias muitas vezes negam que esse problema seja estrutural, tratando-o como algo pontual e atribuindo a responsabilidade apenas a alguns gestores.

Outro ponto levantado foi a terceirização da perícia médica pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que dificulta o acesso dos bancários ao afastamento e ao acesso a tratamentos.

Por fim, foi debatida a discriminação contra trabalhadores que adoecem e a necessidade de investimentos do Estado em políticas de saúde.

Participantes

Segundo Lira, cerca de 70 pessoas compareceram à audiência, entre elas, representantes de entidades sindicais de 11 estados, incluindo o Coletivo de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT) e a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (FETEC-CUT-PR) .

Confira a composição da mesa:

  • Ana Júlia Ribeiro (PT) – deputada estadual e proponente da audiência;
  • Cristiane Zacarias – Presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região;
  • Elias Jordão – Secretário de Comunicação da Contraf-CUT;
  • Mauro Sales – Secretário de Saúde da Contraf-CUT;
  • José Lima – Secretário de Formação do Sintracom;
  • Deonisio Schmidt – Presidente da FETEC-CUT-PR;
  • Elver Morondi – Médico ocupacional da Secretaria de Saúde de Curitiba;
  • Elaine Rodela – Psicóloga e Diretora do SindSaúde;
  • André Guerra – Psicólogo;
  • Ricardo Mendonça – Assessor jurídico da FETEC-CUT-PR e da CUT-PR;
  • Diego Martins – Advogado previdenciário;
  • Manuela Mazian – Técnica do INSS.

Encaminhamentos

Foi deliberada a realização de uma nova audiência pública, desta vez na Câmara dos Deputados, em Brasília, com o objetivo de:

  • Dar visibilidade nacional ao problema da saúde mental na categoria bancária;
  • Pressionar os bancos e o governo federal por medidas concretas de enfrentamento ao assédio moral e reestruturação dos modelos de cobrança e avaliação de desempenho;
  • Debater as alterações recentes nas perícias médicas do INSS e seus impactos sobre os trabalhadores do setor financeiro.

Adoecimento mental da Categoria Bancária

A Pesquisa nacional realizada pelo Dieese reuniu dados sobre afastamentos do trabalho (acidentários e previdenciários) do ano de 2024 e utilizou como base informações fornecidas pelo INSS. Entre os principais resultados estão:

  • Em 2024, os bancos múltiplos com carteira comercial ficaram em 1º lugar em afastamentos acidentários por saúde mental (1.946 afastamentos) e em 5º lugar em afastamentos previdenciários por saúde mental (8.345 ocorrências), considerando a atividade econômica;
  • No Brasil, os afastamentos por doenças mentais e comportamentais cresceram 66,5% em relação a 2023 e 135% em dois anos, atingindo quase 500 mil trabalhadores em 2024;
  • Na categoria bancária, a saúde mental foi a principal causa dos afastamentos em 2024;
  • Em 2012, as doenças osteomusculares eram a principal causa de afastamentos acidentários (48,9%), mas em 2024, as doenças mentais e comportamentais responderam por 55,9% do total de afastamentos acidentários na categoria bancária;
  • Para os afastamentos previdenciários, as doenças mentais e comportamentais foram a principal causa tanto em 2012 quanto em 2024. Em 2024, elas responderam por 51,80% dos afastamentos previdenciários;
  • Em 2024, as doenças mentais e comportamentais foram responsáveis por mais da metade dos afastamentos (acidentários e previdenciários);
  • 76% dos afastamentos relacionados à saúde mental estão ligados à ansiedade.

Leia também: Em defesa de aposentados, FES convoca mobilização na ALEP

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