
Audiência pública promove debate sobre saúde mental dos bancários – Foto: Laurito Porto Lira
O evento destacou o impacto do assédio moral e das condições de trabalho na saúde mental da categoria, reforçando a necessidade de políticas públicas
A saúde mental é uma das principais causas de afastamentos do trabalho por bancárias e bancários, segundo levantamento nacional realizado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Com o intuito de chamar atenção para o problema e discutir possíveis soluções, foi realizada audiência pública intitulada “Medo, pressão e assédio: a saúde mental dos bancários e financiários”, no último dia 20 de maio, na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná).
A proposição ocorreu pelo mandato da deputada estadual Ana Julia Ribeiro (PT), que coordena a Frente Parlamentar de Promoção da Saúde Mental, em parceria com o Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região.
Demandas debatidas
Segundo Laurito Porto Lira, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região, durante a audiência, foi destacado que o assédio moral é usado frequentemente pelos bancos como uma ferramenta de gestão para alcançar metas abusivas e aumentar os lucros. Essa prática impacta na saúde mental dos trabalhadores, levando a problemas como ansiedade, depressão e burnout.
Os participantes também apontaram que as instituições bancárias muitas vezes negam que esse problema seja estrutural, tratando-o como algo pontual e atribuindo a responsabilidade apenas a alguns gestores.
Outro ponto levantado foi a terceirização da perícia médica pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que dificulta o acesso dos bancários ao afastamento e ao acesso a tratamentos.
Por fim, foi debatida a discriminação contra trabalhadores que adoecem e a necessidade de investimentos do Estado em políticas de saúde.
Participantes
Segundo Lira, cerca de 70 pessoas compareceram à audiência, entre elas, representantes de entidades sindicais de 11 estados, incluindo o Coletivo de Saúde da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT) e a Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (FETEC-CUT-PR) .
Confira a composição da mesa:
- Ana Júlia Ribeiro (PT) – deputada estadual e proponente da audiência;
- Cristiane Zacarias – Presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região;
- Elias Jordão – Secretário de Comunicação da Contraf-CUT;
- Mauro Sales – Secretário de Saúde da Contraf-CUT;
- José Lima – Secretário de Formação do Sintracom;
- Deonisio Schmidt – Presidente da FETEC-CUT-PR;
- Elver Morondi – Médico ocupacional da Secretaria de Saúde de Curitiba;
- Elaine Rodela – Psicóloga e Diretora do SindSaúde;
- André Guerra – Psicólogo;
- Ricardo Mendonça – Assessor jurídico da FETEC-CUT-PR e da CUT-PR;
- Diego Martins – Advogado previdenciário;
- Manuela Mazian – Técnica do INSS.
Encaminhamentos
Foi deliberada a realização de uma nova audiência pública, desta vez na Câmara dos Deputados, em Brasília, com o objetivo de:
- Dar visibilidade nacional ao problema da saúde mental na categoria bancária;
- Pressionar os bancos e o governo federal por medidas concretas de enfrentamento ao assédio moral e reestruturação dos modelos de cobrança e avaliação de desempenho;
- Debater as alterações recentes nas perícias médicas do INSS e seus impactos sobre os trabalhadores do setor financeiro.
Adoecimento mental da Categoria Bancária
A Pesquisa nacional realizada pelo Dieese reuniu dados sobre afastamentos do trabalho (acidentários e previdenciários) do ano de 2024 e utilizou como base informações fornecidas pelo INSS. Entre os principais resultados estão:
- Em 2024, os bancos múltiplos com carteira comercial ficaram em 1º lugar em afastamentos acidentários por saúde mental (1.946 afastamentos) e em 5º lugar em afastamentos previdenciários por saúde mental (8.345 ocorrências), considerando a atividade econômica;
- No Brasil, os afastamentos por doenças mentais e comportamentais cresceram 66,5% em relação a 2023 e 135% em dois anos, atingindo quase 500 mil trabalhadores em 2024;
- Na categoria bancária, a saúde mental foi a principal causa dos afastamentos em 2024;
- Em 2012, as doenças osteomusculares eram a principal causa de afastamentos acidentários (48,9%), mas em 2024, as doenças mentais e comportamentais responderam por 55,9% do total de afastamentos acidentários na categoria bancária;
- Para os afastamentos previdenciários, as doenças mentais e comportamentais foram a principal causa tanto em 2012 quanto em 2024. Em 2024, elas responderam por 51,80% dos afastamentos previdenciários;
- Em 2024, as doenças mentais e comportamentais foram responsáveis por mais da metade dos afastamentos (acidentários e previdenciários);
- 76% dos afastamentos relacionados à saúde mental estão ligados à ansiedade.
Leia também: Em defesa de aposentados, FES convoca mobilização na ALEP



