
Movimento sindical fortalece debate sobre justiça climática na COP30
A capital federal sediou, nos dias 16 e 17 de outubro, o evento “Participação Social na Agenda de Ação COP30”, promovido pela Secretaria-Geral da Presidência da República em parceria com diversos conselhos nacionais, ministérios e movimentos sociais. O encontro, realizado na Universidade de Brasília (UnB), reuniu mais de 60 conselhos nacionais, 281 organizações da Amazônia Legal e centenas de representantes da sociedade civil para consolidar propostas que irão compor o documento-base da COP30, marcada para novembro de 2025, em Belém (PA).
A sociedade civil no centro da transição justa
De acordo com o governo federal, o objetivo da iniciativa é garantir que as contribuições da sociedade civil estejam no centro das decisões sobre o enfrentamento da crise climática. As propostas debatidas no fórum foram organizadas em seis eixos temáticos:
- Transição energética, industrial e de transporte;
- Proteção das florestas, oceanos e biodiversidade;
- Transformação da agricultura e dos sistemas alimentares;
- Cidades e infraestrutura resilientes;
- Desenvolvimento humano e social;
- E os catalisadores das mudanças, como financiamento, tecnologia e capacitação.
Durante o evento, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, destacou que “a participação social é o coração da COP30”, enquanto a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ressaltou que esta deve ser “a COP da implementação e também da verdade — uma conferência construída com diálogo nas bases populares”.
Sindicato dos Eletricitários leva pauta trabalhista e social
Um dos representantes do movimento sindical foi o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo, representado por seu presidente Eduardo Annunciato (Chicão), que também é secretário de Educação e Formação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI). Chicão representou a Força Sindical no fórum, levando a perspectiva dos trabalhadores para o centro do debate sobre o clima e o desenvolvimento sustentável.
O dirigente defendeu a inclusão do movimento sindical como ator estratégico nas políticas públicas de transição ecológica, afirmando que o desafio da COP30 é articular crescimento econômico, justiça social e responsabilidade ambiental:
“Enquanto muitos bradam, dão chiliques, perdem tempo com fake news e maledicências, o atual governo segue firme construindo soluções com participação social. Isso é muito importante, para o bem do Brasil e dos brasileiros”, afirmou.
Chicão reforçou ainda que o trabalhador deve ser protagonista nas políticas ambientais e de desenvolvimento:
“O trabalhador deve ser lembrado em todos os projetos estatais e em todos os debates institucionais. Nosso papel é defender o interesse da classe trabalhadora, especialmente dos trabalhadores nas indústrias urbanas.”
COP30: participação social como marca do Brasil
A participação social tem sido apresentada pelo governo e pela presidência da COP30 como uma das principais marcas do Brasil na conferência internacional. A expectativa é que a edição em Belém seja uma das COPs mais participativas da história, reunindo povos da Amazônia, movimentos sindicais e populares, organizações sociais e instituições acadêmicas.
Com investimentos anunciados em recuperação de áreas degradadas, regularização fundiária, reflorestamento produtivo e transição energética, a preparação para a COP30 sinaliza um esforço do país para unir desenvolvimento sustentável e justiça social.
Chicão concluiu destacando que o movimento sindical seguirá vigilante para garantir que a agenda climática brasileira seja construída com a classe trabalhadora e voltada à redução das desigualdades:
“A transição justa só será verdadeira se incluir os trabalhadores na tomada de decisões e na implementação das políticas públicas.”
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