A continuidade do movimento grevista, iniciada no dia 28 de janeiro deve-se a falta de diálogo por parte da empresa com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) para negociar uma proposta de Acordo Coletivo de Trabalho a altura das empresas do setor, focado em melhores condições salariais e benefícios.
Além deste entrave, os trabalhadores enfrentam junto com os diretores do SMC a repressão da Policia Militar, que nesta manhã, conforme imagens registradas na frente da empresa, agiu de forma truculenta com prisões e gás de pimenta.
Uma ambulância precisou ser acionada para atender as pessoas que foram atingidas pelo agente inflamatório que causa cegueira temporária, dor, tosse e falta de ar.
A repressão da PM também foi marcada pelo impedimento da realização da assembleia do Sindicato na porta de fábrica.
Pauta de reivindicações
Atualmente, os trabalhadores da empresa recebem aproximadamente R$ 2.500,00. Vale-mercado de 500 reais e não possuem PLR (Participação de Lucros e Resultados).
As reivindicações dos funcionários consistem em negociar correção salarial pelo INPC + 2,5% de aumento real, equiparar vale-mercado às empresas do seguimento, discutir jornada de trabalho e implantação de PLR, um benefício já tradicional na categoria.
Enquanto a Brose se nega há anos negociar o justo para os empregados, a maioria das empresas do setor de autopeças de São José dos Pinhais tradicionalmente já negociam com os diretores sindicais o Acordo Coletivo de Trabalho, beneficiando milhares de trabalhadores e famílias. Veja alguns exemplos abaixo.
Pirelli
- Reajuste salarial: 6%;
- Reajuste no vale-mercado: Sobe de R$ 700,00 para R$ 1.080,00 (VM adicional de R$ 1.000,00);
- PLR: R$ 22.100,00 (100% das metas).
J-Tekt
- Reajuste salarial: 6%;
- Vale-mercado: R$ 1.170,00;
- PLR: R$ 17.000,00 (100% das metas) / R$ 10.000,00 de primeira parcela fixa.
Adient
- Reajuste salarial: INPC + 1% de aumento real
- Vale-mercado: R$ 1.080,00;
- PLR: R$ 17.100,00 (100% das metas);
- Abono: R$ 5.000,00.
Segundo o diretor Executivo do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Ezequiel Romão:
“As autopeças da região estão pagando perto de R$ 3.400,00 para funcionários iniciais, enquanto a Brose só reajustou o salário para aproximadamente R$ 2.500,00. É um absurdo! As outras empresas pagam 1000 reais a mais”.
Práticas antissindicais
Tentando desmobilizar os trabalhadores, a Brose, segundo relatos, começou a praticar atos antissindicais.
Assédio, pressão e a tentativa de utilizar a polícia militar para desmotivar os trabalhadores tem sido constante, porém, revoltados os trabalhadores se mantem firmes a luta.
Agora a empresa dá mais um passo rumo a ilegalidade passando a contratar trabalhadores temporários por apenas R$ 1.900,00.
O Sindicato já acionou seu jurídico para denunciar a empresa à justiça.
Trabalhadores seguem firmes na luta por mais respeito e dignidade esperando o bom senso da Brose.
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