PUBLICADO EM 19 de jan de 2026

Indústria de transformação cresce, mas emprego segue em queda

Saiba como a indústria de transformação brasileira mostrou crescimento em novembro de 2025, apesar da queda no emprego.

Indústria de transformação e sua evolução no mercado brasileiro até novembro de 2025. Foto: Miguel Ângelo, CNI

Indústria de transformação e sua evolução no mercado brasileiro até novembro de 2025. Foto: Miguel Ângelo, CNI

O faturamento real da indústria de transformação brasileira voltou a crescer em novembro de 2025, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Mas, apesar da alta de 1,2% em relação a outubro, o mercado de trabalho do setor segue em desaceleração, com queda de 0,2% no emprego indústria de transformação, a terceira consecutiva.

Tipos de indústria

O termo “indústria” abrange todo o setor industrial, que é dividido em três grandes segmentos:

  1. Indústria extrativa – responsável por extrair recursos naturais da natureza.
    Exemplo: mineração, petróleo, gás, extração de madeira.
  2. Indústria de transformação – responsável por transformar matérias-primas em produtos elaborados.
    Exemplo: fabricação de automóveis, alimentos, roupas, máquinas, produtos químicos.
  3. Serviços industriais de utilidade pública – incluem energia elétrica, gás, água e saneamento.

Desaceleração no mercado de trabalho

De acordo com a CNI, a perda de fôlego do emprego começou em setembro e se intensificou nos últimos meses, refletindo os efeitos do aperto monetário e da redução no ritmo da atividade industrial ao longo do segundo semestre. Desde setembro, o recuo acumulado no número de trabalhadores chega a 0,6%, embora o saldo no ano ainda seja positivo, com alta de 1,7% entre janeiro e novembro.

Para Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o desempenho do emprego está ligado ao ciclo anterior de recuperação do setor.

“O emprego reagiu à melhora da atividade iniciada em 2023, que teve seu auge em 2024, mas começou a perder força com o aumento da taxa Selic. Somente após meses de resultados mais fracos, o emprego passou a ser afetado”, explicou.
Azevedo destacou ainda que demissões e recontratações são custosas para a indústria, que depende fortemente de mão de obra qualificada.

Massa salarial e rendimento: leve alívio, mas saldo negativo

Após quatro meses de retração, a massa salarial real cresceu 1,5% em novembro, mas acumula queda de 2,3% no ano.
O rendimento médio real também apresentou melhora pontual de 1,6% no mês, porém ainda registra recuo de 4% entre janeiro e novembro.

Produção perde ritmo

Mesmo com o crescimento do faturamento, os demais indicadores da atividade industrial mostram um cenário de desaceleração.

As horas trabalhadas na produção caíram 0,7% em novembro, ainda que mantenham leve alta de 0,9% no acumulado do ano.
A utilização da capacidade instalada caiu 0,6 ponto percentual, atingindo 77,5%, o que representa 2,4 pontos a menos que o nível registrado em novembro de 2024.

No acumulado de 2025, o faturamento da indústria de transformação mostra avanço tímido de 0,3%, reforçando, segundo a CNI, a expectativa de perda de ritmo do setor na segunda metade do ano, em um contexto de juros altos e demanda enfraquecida.

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