PUBLICADO EM 24 de jan de 2026

Greve Geral e a Luta pelos Direitos dos Imigrantes em Minnesota; contra o ICE

Líderes religiosos realizaram um ato de desobediência civil no terminal da Delta no Aeroporto Internacional de Minneapolis-St. Paul

Líderes religiosos realizaram um ato de desobediência civil no terminal da Delta no Aeroporto Internacional de Minneapolis-St. Paul

Dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas de Minneapolis, no estado de Minnesota, na sexta-feira (23), em uma mobilização que ficou conhecida como a “Greve Geral de Minnesota”, reunindo sindicatos, grupos religiosos e organizações comunitárias em protesto contra a presença do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).

A ação foi convocada após uma série de batidas e prisões de imigrantes realizadas sob a chamada “Operação Metro Surge”, que levou milhares de agentes federais às ruas do estado. O movimento reivindica o fim da atuação do ICE em Minnesota e a responsabilização de agentes federais envolvidos em mortes recentes, como a de Renée Good, atingida por um agente do ICE no início do mês.

As informações são do portal norte-americano People’s World, em reportagem assinada por Cameron Harrison, publicada em 23 de janeiro de 2026.

Trabalhadores em marcha

Liderados por April Verrett, presidente do Sindicato Internacional dos Trabalhadores de Serviços (SEIU), os manifestantes marcharam pelo centro da cidade sob o lema “Verdade e Liberdade”, enfrentando temperaturas de até –16 °C. “Quando a injustiça se torna política, o povo se levanta, porque a única alternativa é a rendição — e Minnesota não vai se render”, declarou Verrett.

O movimento contou com centenas de sindicatos e grupos de direitos civis, incluindo o Black Lives Matter, Indivisible, Veteranos pela Paz, Voz Judaica pela Paz, o Partido Comunista dos EUA e os Socialistas Democráticos da América.

Segundo o People’s World, entre 50 mil e 100 mil pessoas participaram dos atos, sem contar aqueles que aderiram à paralisação, deixando de trabalhar, estudar ou consumir. Cerca de 700 empresas locais fecharam as portas em solidariedade.

Sindicatos e grupos comunitários ocupam a rua no piso de embarque do terminal da Delta Airlines. | Cameron Harrison / People's World

Sindicatos e grupos comunitários ocupam a rua no piso de embarque do terminal da Delta Airlines. | Cameron Harrison / People’s World

Protesto no aeroporto

Antes da grande marcha, uma ação de desobediência civil reuniu centenas de sindicalistas, religiosos e trabalhadores no Aeroporto Internacional de Minneapolis–St. Paul, especialmente em frente ao terminal da Delta Airlines. O protesto denunciou o envolvimento da companhia aérea em voos de deportação realizados pelo ICE.

Durante o ato, os manifestantes exigiram o fim da presença massiva do ICE em Minnesota, o encerramento de seus contratos com empresas privadas, e a responsabilização do agente federal Jonathan Ross, acusado de matar Renée Good.

Pelo menos 100 pessoas foram presas, entre elas líderes religiosos que cantavam hinos e seguravam cartazes com nomes de trabalhadores deportados. Enquanto eram levados pela polícia, os manifestantes gritavam: “Nós somos os trabalhadores, os poderosos trabalhadores!”

“Isto é intimidação, não imigração”

Diversos líderes sindicais e religiosos denunciaram o que chamaram de “violência sancionada pelo Estado” contra comunidades imigrantes e trabalhadores.

Randi Weingarten, presidente da Federação Americana de Professores (AFT), afirmou que “Donald Trump está usando o ICE para incitar violência em comunidades que sempre foram acolhedoras”. Segundo ela, as ações federais têm como objetivo “intimidar e aterrorizar”, e não garantir segurança ou lei e ordem.

Claude Cummings Jr., presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Comunicação da América (CWA), também discursou, dizendo que o país “está unido contra homens mascarados e armados que sequestram e aterrorizam trabalhadores e seus filhos”.

“Desde os tempos de Jim Crow não víamos um governo tão determinado a nos dividir e silenciar. Mas acredito no poder do povo trabalhador de se levantar contra o ódio e o autoritarismo”, afirmou Cummings.

Um contingente do Partido Comunista dos EUA marcha com dezenas de milhares de outros manifestantes pelo centro de Minneapolis, na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026. | Cameron Harrison / People's World

Um contingente do Partido Comunista dos EUA marcha com dezenas de milhares de outros manifestantes pelo centro de Minneapolis, na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026. | Cameron Harrison / People’s World

Solidariedade e próximos passos

Para os organizadores, o movimento representa uma união inédita entre sindicatos, comunidades religiosas e grupos sociais. “O movimento operário é a comunidade — e a comunidade é o movimento operário. Somos um só”, declarou David Stiggers, presidente da seção local da Amalgamated Transit Union (ATU).

Os líderes prometem manter as mobilizações e planejam uma Marcha Nacional sobre Washington, liderada por trabalhadores, para “enviar uma mensagem direta ao regime fascista: o povo é o poder”.

Contexto

A mobilização em Minnesota ocorre em meio a uma onda de operações migratórias intensificadas pelo governo Trump, que tem mobilizado milhares de agentes federais pelo país. Organizações de direitos humanos denunciam que o ICE tem agido com violência e discriminação racial, especialmente em estados governados por democratas

A “Greve Geral de Minnesota” foi vista por analistas locais como o maior ato de solidariedade trabalhista e comunitária desde os protestos pela morte de George Floyd em 2020.

Fonte: People’s World — “Minnesota General Strike unites workers and community against ICE”, por Cameron Harrison.

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