PUBLICADO EM 25 de set de 2025

Greve dos eletricitários da Celesc cobra reajuste salarial e rejeita privatização

Entenda a greve dos eletricitários da Celesc e suas demandas por direitos e avanços nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho

Greve dos eletricitários da Celesc cobra reajuste salarial e rejeita privatização – Foto: Reprodução Celesc

Nesta terça-feira (23), a greve dos trabalhadores e trabalhadoras da Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc) completou o segundo dia de paralisação em todo o estado.

O movimento, aprovado por unanimidade em assembleias organizadas pelos sindicatos que compõem a Intercel – coletivo de cinco sindicatos majoritários que representam todos os trabalhadores da Celesc.

Os trabalhadores cobram avanços reais nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e reafirmam a luta contra a privatização da companhia, que é uma das principais empresas públicas do setor energético no Brasil.

A pauta central da greve é a isonomia de direitos entre todos os trabalhadores. Atualmente, há uma divisão criada em 2016, quando, após mudanças no ACT, parte dos trabalhadores deixou de receber benefícios históricos da categoria, como o anuênio (1% de reajuste anual por tempo de serviço) e a gratificação diferenciada de férias.

“Nosso principal ponto de reivindicação é a isonomia. Hoje temos trabalhadores que ingressaram até 2016 com direitos garantidos e outros que entraram depois, sem os mesmos benefícios. Isso é injusto e cria desigualdades dentro da própria empresa”, afirma Leonardo Contin da Costa, diretor de Imprensa do Sindicato dos Trabalhadores Indústria de Energia Elétrica Florianópolis (Sinergia/CUT-SC) e trabalhador da Celesc.

A categoria reivindica reajuste salarial com ganho real, recomposição das perdas inflacionárias e contratação de novos trabalhadores, já que o quadro atual não atende à demanda crescente.

Leonardo reforça: “A Celesc é uma das empresas públicas de energia mais bem avaliadas do Brasil. Para manter essa qualidade, precisamos contratar mais. Sem isso, aumenta a sobrecarga de trabalho e a população sofre as consequências.”

Negociações frustradas e propostas rebaixadas

As negociações do ACT começaram em 28 de agosto, com cinco rodadas até agora, mas não avançaram. A direção da empresa apresentou proposta inicial considerada afronta.

O dirigente critica: “É inaceitável. A Celesc registrou faturamento recorde no último ano, mas oferece proposta que não repõe nem a inflação. Isso desrespeita quem constrói a empresa diariamente.”

Após o início da greve, a direção apresentou nova contraproposta na sexta-feira (20). Porém, os sindicatos afirmam que o texto não contempla os principais pontos da pauta.

Para agravar, a empresa condicionou a retomada das negociações ao fim da greve. Em assembleia, os trabalhadores rejeitaram essa postura de forma unânime em todo o estado.

Adesão à greve

Mesmo em greve, eletricitários e eletricitárias mantêm atendimentos emergenciais em hospitais, postos de saúde, delegacias e outros serviços essenciais. A Celesc opera com cerca de 30% do efetivo.

A participação massiva da categoria expressa indignação com o tratamento da direção e fortalece a disposição de manter a greve até atender as reivindicações.

Privatiza que piora

Além da pauta econômica, a greve responde às ameaças de privatização e terceirização de serviços na Celesc, tema que preocupa trabalhadores e sindicatos em todo o estado.

Nos últimos meses, a direção defendeu mudanças no Estatuto que ampliariam a terceirização. Mais de 300 trabalhadores rechaçaram essa proposta em ato na sede, em Florianópolis.

A resistência tem como base a experiência concreta de outros estados.

“Em todos os lugares onde a energia foi privatizada, a qualidade caiu. No Rio Grande do Sul, a CEEE – Equatorial Energia – não conseguiu atender a população durante a catástrofe climática. No Paraná, a Copel privatizada já enfrenta uma onda de reclamações. Em Goiás, até o governador reconheceu que foi um erro. Não queremos esse destino para Santa Catarina”, alerta Leonardo.

Os sindicatos lembram ainda que a categoria tem realizado mobilizações permanentes em defesa da Celesc pública:

  • Em janeiro deste ano, trabalhadores ocuparam as ruas de Florianópolis em ato unificado;
  • em fevereiro mais de 400 eletricitários estiveram na Assembleia Legislativa para dialogar com deputados; e
  • em abril, uma audiência pública reuniu parlamentares de diferentes partidos, que chegaram a elogiar a qualidade dos serviços prestados pela Celesc, mesmo entre setores historicamente favoráveis à privatização.

Categoria mobilizada

De acordo com a Intercel, a greve não é apenas pela pauta salarial, mas também pela defesa de um patrimônio estratégico do povo catarinense.

“Nossa categoria está sensibilizada e firme. Estamos em greve para conquistar direitos iguais, melhores salários e para defender a Celesc como empresa pública. Essa é uma luta de toda a sociedade catarinense”, conclui o dirigente.

Expectativas

Os sindicatos reafirmam que a greve continuará enquanto a direção da Celesc não apresentar uma proposta que contemple as reivindicações da categoria.

A unidade demonstrada nas assembleias e nas mobilizações indica que se a empresa mantiver a postura intransigente, o movimento tende a se fortalecer ainda mais nos próximos dias.

Fonte: Eletricitários participam de debates estratégicos sobre o futuro do trabalho

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