PUBLICADO EM 18 de mar de 2026

Frentistas denunciam violência e insegurança em audiência na Alerj

Frentistas denunciam a violência de gênero e buscam proteção e segurança nas palavras da audiência pública da Alerj.

Frentistas denunciam a violência de gênero em audiência pública, destacando a luta por segurança nas profissões no Rio de Janeiro.

Frentistas denunciam a violência de gênero em audiência pública, destacando a luta por segurança nas profissões no Rio de Janeiro.

A Comissão de Trabalho, Legislação e Seguridade Social da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou, nesta quarta-feira (18), audiência pública para discutir a violência de gênero e a segurança das mulheres trabalhadoras. O debate reuniu representantes sindicais, especialistas e autoridades públicas, com o objetivo de apontar caminhos para o enfrentamento da violência e o fortalecimento de políticas de proteção.

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A vice-presidente do Sinpospetro-RJ, Aparecida Evaristo, levou à tribuna as vozes de milhares de mulheres que enfrentam diariamente o medo e a insegurança nos postos de combustível e lojas de conveniência.

“A mulher frentista vive sob alerta constante. O assédio e a importunação fazem parte da rotina. O Poder Público precisa olhar para isso com urgência”, alertou Cida.

Números que assustam

Os dados apresentados durante a audiência escancaram uma realidade brutal. Em 2025, o Estado do Rio de Janeiro registrou mais de 71 mil casos de violência contra mulheres, ocupando a quinta posição no ranking nacional de feminicídios.

O recorte social é ainda mais preocupante: a violência atinge majoritariamente mulheres negras, periféricas e trabalhadoras — justamente aquelas que enfrentam jornadas duplas, longos deslocamentos em transporte público e ambientes de trabalho muitas vezes desprotegidos.

Na linha de frente

Para as frentistas, o risco não está apenas no trajeto entre casa e trabalho. Dentro dos postos, a situação também é crítica. As trabalhadoras lidam diariamente com assédio moral e sexual, importunação de clientes e ausência de estruturas adequadas de segurança.

Muitas exercem suas funções sozinhas, especialmente em turnos noturnos, em locais isolados e sem protocolos efetivos de proteção. Esse cenário, além de expor as trabalhadoras à violência, também impacta diretamente a saúde física e mental da categoria.

Mobilização e cobrança por medidas concretas

A presença do Sinpospetro-RJ na audiência reforça a luta por condições dignas de trabalho e por maior responsabilidade do poder público e dos empregadores na proteção das mulheres trabalhadoras.

A entidade destacou a urgência de medidas concretas e apresentou um conjunto de reivindicações:

  • Ampliação e fortalecimento de políticas públicas de proteção à mulher;
  • Criação de canais efetivos de denúncia e acolhimento;
  • Exigência de medidas de segurança nos postos, como iluminação adequada, câmeras e protocolos contra o assédio;
  • Campanhas de conscientização para trabalhadores e clientes;
  • Garantia de condições dignas de trabalho e respeito à mulher frentista.

Segundo Aparecida:

“Não podemos aceitar que o medo seja parte da rotina de trabalho de nenhuma mulher. O Sindicato está vigilante e vai continuar cobrando ações concretas, não apenas discursos”.

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