
Manifestação pela redução da jornada e regras para trabalho no fim de semana. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
O debate sobre o fim da escala 6×1 sem redução salarial ganhou força e chegou ao centro da agenda sindical e política nacional. Apesar de o tema ainda avançar lentamente no Congresso Nacional, conta agora com um apoio decisivo: o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo integrantes do governo, essa é uma das prioridades do presidente para 2026.
Apoio sindical e resistência patronal
Defendida pelas centrais sindicais, a proposta enfrenta resistência do empresariado, que teme aumento de custos e necessidade de contratar mais trabalhadores. No entanto, estudos apontam que a redução da jornada pode gerar o efeito contrário ao temido pelos empresários — com ganhos de produtividade, aumento do consumo e criação de milhões de empregos.
A economista Marilane Teixeira, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit/Unicamp), destaca que a redução da jornada e a reorganização das escalas têm potencial para gerar entre 4 e 4,5 milhões de novos postos de trabalho nos setores de comércio e serviços. Segundo ela, uma jornada de 36 horas semanais poderia elevar a produtividade em cerca de 4,5%.
CUT intensifica mobilização
O presidente da CUT, Sérgio Nobre, afirma que o tema já foi assimilado pela sociedade e até por parte das empresas.
“As próprias empresas estão acabando com a escala 6×1 e transformando isso em ativo competitivo. A sociedade comprou essa ideia. O que falta agora é pressão no Congresso”, destacou.
Para o secretário de Assuntos Financeiros da CUT, Ariovaldo de Camargo, as ações do governo Lula têm aberto um novo horizonte para os trabalhadores.
“Tivemos a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil, conquistada com apoio da CUT, e seguimos lutando pelo fim da escala 6×1. Precisamos avançar para uma jornada de até 40 horas semanais, garantindo mais tempo para a família, o lazer e a vida”, afirmou.
Camargo reforça que a mobilização continuará nas ruas, como na Marcha a Brasília, realizada no ano passado.
“Desde o plebiscito e da Marcha da Classe Trabalhadora, essa pauta está no radar e seguirá sendo prioridade permanente da CUT.”
Projetos em tramitação
No Senado Federal, a PEC 148/2025, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e aguarda votação em plenário. O texto propõe:
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Redução imediata da jornada de 44 para 40 horas semanais após a promulgação;
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Redução gradual de uma hora por ano até chegar a 36 horas;
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Limite de cinco dias de trabalho por semana, com dois dias de descanso;
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Manutenção integral dos salários.
Na Câmara dos Deputados, tramitam três propostas principais:
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PEC 8/2025, da deputada Érika Hilton (Psol-SP), que propõe jornada de 36 horas e o fim da escala 6×1;
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PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê redução gradual para 36 horas em 10 anos;
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PL 67/2025, da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que reduz a jornada para 40 horas até 2028.
Pressão política e apoio popular
Embora pesquisas indiquem que 71% da população brasileira apoiam o fim da escala 6×1, a resistência ainda é grande no Congresso, especialmente entre deputados da oposição. Para especialistas e sindicalistas, o entrave é mais político do que econômico.
Enquanto o debate avança, cresce a mobilização social por uma mudança que pode redefinir a relação entre trabalho, bem-estar e desenvolvimento no Brasil.
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