
A reforma trabalhista de Milei gera tensão social. FETIASP e CNTA reagem.
Em meio a forte tensão social e mobilização sindical nas ruas, o Senado argentino iniciou nesta quarta-feira (11) a votação da reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei, considerada um dos pilares de sua agenda liberal.
Diante do avanço da medida, no Brasil, a FETIASP (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Estado de São Paulo), por meio de sua Secretaria de Relações Internacionais, com apoio da CNTA (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação e Afins), lançou nota oficial repudiando a proposta e manifestando solidariedade ao movimento sindical argentino.
As entidades alertam que o projeto altera profundamente o sistema de proteção ao trabalho, restringe o direito de greve e flexibiliza demissões, ampliando o desequilíbrio nas relações entre capital e trabalho.
Leia aqui a nota:
Nota oficial CNTA / FETIASP – contra a reforma trabalhista de Milei
A FETIASP (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação do Estado de São Paulo), por meio de sua Secretaria de Relações Internacionais, com apoio da CNTA (Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação e Afins) vem por meio desta manifestar apoio irrestrito ao movimento sindical argentino e CONTRA a Reforma Trabalhista do Governo Javier Milei.
A proposta, que será votada no Senado nesta quarta-feira (11), e depois pela Câmara dos Deputados, se assemelha em muito à Reforma Trabalhista ocorrida no Brasil em 2017. Conhecemos na prática os efeitos danosos de tal iniciativa para a classe trabalhadora, e por esta razão é preciso unidade e resistência para proteger os direitos conquistados com muita luta
O projeto de Milei desequilibra fortemente as relações trabalhistas em favor do Capital, e em claro desfavor dos trabalhadores. Horas-extras deixarão de ser pagas para criação de bancos de horas e as demissões serão facilitadas. O direito à greve sofrerá restrições e a ação das entidades sindicais será atacada, numa clara precarização das condições de trabalho em benefício do empregador.
A experiência brasileira com a Reforma Trabalhista de 2017 mostra trajetória de resistência do movimento sindical, além de órgãos como o Ministério do Trabalho e Ministério Público do Trabalho, e o judiciário brasileiro, que buscam reverter os pontos críticos da reforma. Tal união nasceu do desequilíbrio provocado, que chegou às raias da irracionalidade e da desumanidade, mobilizando esforços de toda a sociedade.
A Reforma Trabalhista brasileira, além de retirar direitos consagrados dos trabalhadores, fragilizou as organizações sindicais, no que parecia ser seu único objetivo. O movimento sindical resistiu por meio de greves gerais, ações jurídicas e negociações coletivas para mitigar a perda de direitos, embora tenha enfrentado enfraquecimento financeiro e estrutural.
O capitalismo opera sem barreiras geográficas na busca por maximizar lucros e precarizar o trabalho. Precisamos unificar as lutas e buscar a solidariedade entre os trabalhadores de todos os países contra um inimigo comum, para alcançarmos melhorias das condições de vida globalmente.
Artur Bueno de Camargo – Presidente da CNTA
Melquíades Araújo – Presidente da FETIASP
Artur Bueno Junior – Secretário de Relações Internacionais da FETIASP
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