PUBLICADO EM 01 de dez de 2025

EUA: Sindicato conquista votação de lei pró-trabalhador

Saiba mais sobre o sindicato e o pedido de apoio à Lei de Proteção da Força de Trabalho Americana para trabalhadores federais.

Membros da Federação Americana de Trabalhadores do Governo (AFGE) demonstram apoio ao movimento para acabar com os ataques contra trabalhadores. | AFGE

Membros da Federação Americana de Trabalhadores do Governo (AFGE) demonstram apoio ao movimento para acabar com os ataques contra trabalhadores. | AFGE

Por Mark Gruenberg

Um pedido referente ao Protect America’s Workforce Act (Lei de Proteção da Força de Trabalho Americana) alcançou 218 assinaturas na segunda-feira, obrigando a Câmara dos Representantes a votar, dentro de sete dias legislativos, a restauração dos direitos sindicais para trabalhadores federais.

O projeto bipartidário, apresentado pelos deputados Jared Golden (D–Maine) e Brian Fitzpatrick (R–Pensilvânia), reverte a ordem executiva do presidente Donald Trump que retirou os direitos sindicais de 1,5 milhão de trabalhadores federais. Nos meses seguintes, o governo Trump ampliou o ataque, retirando ainda mais direitos de negociação coletiva e cancelando unilateralmente contratos sindicais de mais de 400 mil trabalhadores federais.

Em comunicado, a AFL-CIO declarou que “esses ataques da administração Trump/DOGE/Project 2025 contra trabalhadores federais já tiveram efeitos em cascata sobre serviços essenciais dos quais os norte-americanos dependem, desde aumento no tempo de espera e falta de pessoal em hospitais do Departamento de Assuntos de Veteranos até ameaças à segurança alimentar e à resposta a desastres.”

Depois de receber as assinaturas dos deputados Mike Lawler e Nick LaLota, ambos de Nova York, na segunda-feira, o Protect America’s Workforce Act agora tem votação garantida no plenário da Câmara. Se aprovado, o projeto será a primeira legislação a derrubar diretamente uma ordem executiva da administração Trump nesta legislatura.

“O movimento trabalhista reagiu contra o maior ato de repressão sindical da história dos Estados Unidos fazendo aquilo que sabemos fazer melhor: organizar. Trabalhadores e trabalhadoras construíram uma coalizão bipartidária para restaurar os direitos sindicais aos servidores federais diante de ataques sem precedentes às nossas liberdades. Saudamos cada democrata e republicano que assinou o pedido de descarga para levar o Protect America’s Workforce Act à votação, mas a luta ainda não acabou”, afirmou Liz Shuler, presidente da AFL-CIO.

A AFL-CIO lançou uma campanha de mobilização total por e-mail e nas redes sociais para pressionar pela aprovação do projeto bipartidário. Nem o presidente Donald Trump nem o presidente da Câmara Mike Johnson (R–Louisiana) podem impedir que a votação aconteça agora.

“Ligue para o seu representante agora e peça que vote a favor do Protect America’s Workforce Act”, declarou a federação em comunicado.

A luta, porém, ainda não acabou, porque mesmo que a Câmara aprove a medida, o Senado controlado pelos republicanos pode derrubá-la ou — caso o Senado a aprove — Trump pode vetá-la.

“O povo norte-americano não concordou com isso. Aproximadamente 70% dos norte-americanos — pessoas com diferentes posições políticas — apoiam o direito de ingressar em um sindicato. É por isso que temos o apoio de que precisamos para levar o Protect America’s Workforce Act até a linha de chegada”, diz o comunicado da AFL-CIO.

Esse apoio forçou a votação iminente. Agora, a federação quer que os legisladores cumpram sua parte. É aqui que entra a pressão pública. “Precisamos que cada representante, democrata ou republicano, que afirma apoiar os sindicatos dos EUA vote a favor do Protect America’s Workforce Act… Então, vamos ao trabalho.”

Golden e Fitzpatrick apresentaram o Protect America’s Workforce Act há meses. Fitzpatrick é o único republicano da Câmara que às vezes pode ser considerado pró-trabalhador. Sua pontuação vitalícia no ranking da AFL-CIO é de 61% favorável, o único republicano acima de 40%. A pontuação vitalícia de Golden é de 88%, uma das mais baixas entre os democratas.

Diante de um bloqueio da liderança republicana — e de Trump — a dupla lançou o pedido de descarga (discharge petition), um mecanismo para tirar da gaveta projetos de lei que os líderes não querem levar adiante e que, de outra forma, seriam arquivados e esquecidos.

Eles conseguiram, em 17 de novembro, reunir as 218 assinaturas — uma maioria — necessárias para liberar o projeto pró-trabalhador, retirando-o dos comitês do Congresso para onde Johnson o havia enviado para morrer, e levá-lo ao plenário da Câmara. Foi o segundo pedido de descarga bem-sucedido em uma única semana.

O primeiro — e mais divulgado — pedido de descarga forçará uma votação sobre uma legislação que ordena ao Departamento de Justiça de Trump a liberação de todos os arquivos de Jeffrey Epstein, incluindo aqueles que implicam Trump no esquema de exploração sexual de mulheres e meninas pelo predador sexual Epstein.

Mark Gruenberg  é chefe do gabinete de Washington, D.C., do People’s World.

Texto traduzido do People’s World por Luciana Cristina Ruy

Leia também:

EUA: Como os comunistas do Harlem abriram caminho para Mamdani em Nova York

 

 

 

Banner


COLUNISTAS

QUENTINHAS