
Entregadores de Campinas fazem breque contra iFood e leis patronais – Foto: Pedro Caldas/Jornalistas Livres
O Breque dos Apps retorna em Campinas. Desta vez, entregadores denunciam a precarização imposta pelo iFood e o avanço de leis contrárias à categoria.
A mobilização acontece nos dias 12, 13 e 14 de setembro. A concentração será sempre às 8h, em frente ao Shopping Iguatemi, com debates e atividades formativas.
O modelo de Sub-Praça, criado pelo iFood, está no centro das reivindicações. A medida aumenta o controle sobre entregadores e reduz os valores por entrega.
Em Campinas, há corridas que rendem apenas R$3,30. Esse valor é inferior ao conquistado após o primeiro Breque Nacional, quando as tarifas chegaram a R$7,50.
No novo sistema, o trabalhador só recebe R$8 por hora se permanecer na área delimitada e aceitar todas as corridas. A autonomia desaparece.
Na prática, mesmo sob rígido controle, o rendimento líquido cai para R$4,49 a R$7,11 por hora. Isso é menos que o salário mínimo paulista.
O resultado é uma rotina desumana, com jornadas de até 90 horas semanais. Além disso, os entregadores seguem sem direitos trabalhistas básicos.
Em defesa do PL 2479/25
A paralisação também apoia o PL 2479/25. O projeto foi construído pelos trabalhadores após o Breque Nacional de abril e reúne suas principais demandas.
Em contrapartida, os entregadores rejeitam o PL 152. Para eles, a proposta institucionaliza a “escravidão moderna” nos aplicativos e legitima práticas exploratórias.
“O PLP 152 é uma resposta direta das empresas contra a luta dos trabalhadores e contra o PL 2479, o verdadeiro projeto das ruas”, afirma Renato, ativista da CSP-Conlutas.
“Esse projeto dá carta branca às empresas para explorar até a última gota de suor. Se aprovado, desmontará as condições mínimas de trabalho”, conclui.
Aula pública
No sábado, 13 de setembro, às 14h, o Breque realiza uma aula pública sobre direito de greve. O jurista Jorge Luiz Souto Maior ministrará a atividade.
O encontro acontece no estacionamento do Shopping Iguatemi. O convite é aberto a entregadores, estudantes, professores e trabalhadores de outras categorias.
A atividade integra o primeiro Curso de Formação de Entregadores da USP, reforçando a dimensão educativa da mobilização.
A luta é coletiva!
Os entregadores de Campinas chamam a população a participar. A luta não é só por melhores condições nos aplicativos, mas por dignidade para todos os trabalhadores.
A CSP-Conlutas participa ativamente da mobilização e reforça o recado: sem direitos, não há entrega. Viva o Breque dos Apps!
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