
Trabalhadores do setor de calçados ameaçados pelo tarifaço/Foto: Abicalçados/Divulgação
Diante da ameaça representada pelo aumento das tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros, entidades empresariais e sindicais do Rio Grande do Sul uniram forças para buscar soluções que protejam empregos e setores produtivos. Em reunião realizada nesta semana, representantes da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) e de cerca de 15 federações de trabalhadores discutiram estratégias para enfrentar o impacto econômico da medida dos EUA.
O presidente da Fiergs, Cláudio Bier, ressaltou que o enfrentamento ao tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos precisa combinar ação diplomática e proteção ao emprego. “Precisamos resolver o conflito com os EUA e minimizar os impactos para as empresas e os trabalhadores”, afirmou. Segundo ele, o momento exige união para salvar a indústria nacional e os postos de trabalho.
O setor industrial do Rio Grande do Sul é especialmente vulnerável por estar fortemente vinculado ao mercado norte-americano. Estima-se que os segmentos mais expostos empreguem cerca de 140 mil pessoas, o que aumenta a urgência de medidas de defesa comercial e política.
O vice-presidente da Fiergs, Gilberto Porcello Petry, também defendeu a intensificação do diálogo institucional com o governo federal e a construção de uma política industrial de longo prazo. Já Guilherme Socciozero, dirigente da área trabalhista, pontuou que pelo menos 20 mil postos de trabalho no estado estão diretamente ameaçados.

Empresários e trabalhadores reunidos na FIERGS, buscam soluções para o emprego e produção apesar do tarifaço
Representantes sindicais também expressaram preocupação. Amarildo Cenci, presidente da Central Única dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul (CUT/RS), lembrou que as medidas unilaterais dos EUA atingem diretamente os trabalhadores, e destacou a necessidade de articulação ampla com outras centrais e setores sociais. “A resposta não pode ser só diplomática. É preciso proteger a renda e o trabalho dos brasileiros”, disse.
Claudio Correa, diretor da Força Sindical-RS disse que “é preciso que as empresas se manter funcionando para que possam manter os empregos. Podemos construir um projeto para que possamos superar este momento difícil. Nós já vencemos a pandemia e as enchentes. Vamos encontrar uma saída com diálogo
O encontro destacou ainda os riscos políticos da escalada tarifária para o relacionamento entre os países. Participantes defenderam que o Brasil reforce sua soberania econômica por meio de um projeto nacional de desenvolvimento, baseado na reindustrialização, inovação e valorização do trabalho.
A Fiergs anunciou que levará as propostas consolidadas ao governo federal nas próximas semanas, em um esforço para garantir medidas emergenciais de proteção comercial e estímulo à produção interna.
























