
Miguel Torres com Marcio Ferreira (Sintrabor), Gilberto Almazan (Metalúrgicos Osasco), Magrão (Federação Metalúrgicos), Serginho (Fequimfar), Cidão (Metalúrgicos de São Caetano), Ricardo Xabi (Metalúrgicos de Guarulhos), Juca (Metalúrgicos de Piracicaba) e Cícero (Metalúrgicos de São Caetano).
Dirigentes sindicais de diversas categorias industriais que negociam com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) se reuniram nesta segunda-feira (16), na sede da Força Sindical, na capital paulista, para discutir estratégias de mobilização em defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.
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O encontro foi convocado oficialmente pela central por meio de ofício assinado pelo presidente da entidade, Miguel Torres. O documento, datado de 10 de março, convidou representantes de categorias da área industrial para debater ações conjuntas e fortalecer a articulação entre os sindicatos que negociam com o setor empresarial ligado à Fiesp.

Sindicalistas dos setor industrial da Força Sindical decidem incentivar negociação coletiva sobre redução de jornada/Foto: Jaelcio Santana
Declarações
“Vamos intensificar as mobilizações e ações, tanto nas empresas, incentivando negociações locais como atuar no Congresso Nacional”, adiantou Miguel Torres.
O presidente da Federação dos Químicos no Estado de São Paulo (Fequimfar), Sérgio Luiz Leite (Serginho), destacou que a redução da jornada de trabalho pode trazer ganhos importantes para os trabalhadores.
“A redução da jornada irá melhorar a qualidade de vida e a qualificação dos trabalhadores”, afirmou.
O secretário-geral da Federação dos Metalúrgicos de São Paulo, Claudio Magrão de Camargo, ressaltou que, apesar da diversidade existente entre as categorias, a unidade é fundamental para avançar nas reivindicações.
“A diversidade nas categorias é muito grande. O importante é unirmos as categorias e fortalecer a luta para avançarmos na redução da jornada de trabalho”, reforçou.
Já o presidente do Sindicato dos Borracheiros de São Paulo e Santo André (Sintrabor), Márcio Ferreira, destacou que as entidades sindicais possuem experiência e instrumentos para ampliar a mobilização.
“Os sindicatos têm ferramentas e conhecimentos para intensificar a luta. Nas fábricas já há negociação”, ressaltou.
O presidente do Sindicato dos Têxteis de São Paulo, Sérgio Marques, também enfatizou a importância de fortalecer a mobilização pelo fim da escala 6×1.
“A redução da jornada irá gerar empregos”, afirmou.
Redução da jornada
Durante o encontro, dirigentes também fizeram uma avaliação sobre o debate recente em torno da redução da jornada e da escala 6×1 nas redes sociais. Segundo a análise apresentada, o tema ganhou visibilidade a partir de mobilizações digitais, muitas vezes conduzidas por lideranças políticas sem vínculo direto com o movimento sindical.
Na avaliação dos sindicalistas, embora esse movimento tenha contribuído para ampliar o debate público e até impulsionado iniciativas políticas, ele não resultou na construção de organização coletiva entre os trabalhadores nem incentivou a participação nas entidades sindicais.
Dirigentes destacaram que a negociação efetiva das condições de trabalho depende da atuação das entidades representativas. “Quem tem poder de negociação são os sindicatos”, ressaltaram.
Diante desse cenário, a estratégia definida na reunião é retomar o protagonismo das entidades sindicais na condução da pauta da redução da jornada, levando reivindicações organizadas pelos sindicatos e federações diretamente aos setores patronais.
A iniciativa deve começar pelo setor industrial, com negociações junto às empresas e entidades empresariais. A proposta é ampliar posteriormente o debate para comércio e serviços, buscando incentivar a mobilização em todo o país.
Outro eixo da estratégia é estimular a organização dos trabalhadores nos locais de trabalho e fortalecer as negociações coletivas por empresa e por setor econômico, conduzidas pelos sindicatos e federações de trabalhadores.
“A intenção é dialogar com os setores e desenvolver, juntos, estratégias de luta e negociar e pressionar o setor patronal”, finalizou Miguel Torres.
Representatividade
A mobilização envolve uma ampla base sindical no Estado de São Paulo. Levantamento apresentado na reunião aponta que a central reúne 206 entidades filiadas no estado, sendo 199 sindicatos da área industrial que participam diretamente das articulações com o setor produtivo.
Desse total, 24 entidades estão localizadas na Grande São Paulo, distribuídas entre os setores:
- metalúrgico (7),
- químico (5),
- têxtil e vestuário (5) e outras categorias.
Já no interior do estado, o número chega a 161 entidades, abrangendo categorias como:
- alimentação (34),
- construção civil (4),
- eletricitários (2),
- gráficos (17),
- metalúrgicos (48),
- químicos (40) e
- têxtil e vestuário (16).
No estado de São Paulo, a Força Sindical reúne 202 entidades sindicais do setor industrial, que representam 1.370.687 trabalhadores distribuídos em sete categorias da indústria.
Entre elas estão:
- metalúrgicos, com 486.034 trabalhadores;
- construção civil, com 351.056;
- têxtil e vestuário, com 183.890;
- químicos, com 149.884;
- alimentação, com 105.393;
- gráficos, com 84.300;
- e eletricitários, com 10.130 trabalhadores.
Esses números demonstram a forte presença sindical e a ampla representação de trabalhadores industriais no estado.
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