PUBLICADO EM 16 de mar de 2026

Redução da jornada: Força Sindical intensifica a negociação coletiva

Sindicatos debatem a importância da negociação coletiva e a mobilização nos locais de trabalho, na luta por redução da jornada e fim da escala 6×1.

Miguel Torres com dirigentes sindicais do setor industrial da Força Sindical

Miguel Torres com Marcio Ferreira (Sintrabor), Gilberto Almazan (Metalúrgicos Osasco), Magrão (Federação Metalúrgicos), Serginho (Fequimfar), Cidão (Metalúrgicos de São Caetano), Ricardo Xabi (Metalúrgicos de Guarulhos), Juca (Metalúrgicos de Piracicaba) e Cícero (Metalúrgicos de São Caetano).

Dirigentes sindicais de diversas categorias industriais que negociam com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) se reuniram nesta segunda-feira (16), na sede da Força Sindical, na capital paulista, para discutir estratégias de mobilização em defesa da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.

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O encontro foi convocado oficialmente pela central por meio de ofício assinado pelo presidente da entidade, Miguel Torres. O documento, datado de 10 de março, convidou representantes de categorias da área industrial para debater ações conjuntas e fortalecer a articulação entre os sindicatos que negociam com o setor empresarial ligado à Fiesp.

Sindicalistas dos setor industrial da Força Sindical decidem incentivar negociação coletiva  sobre redução de jornada/Foto: Jaelcio Santana

Sindicalistas dos setor industrial da Força Sindical decidem incentivar negociação coletiva  sobre redução de jornada/Foto: Jaelcio Santana

Declarações

“Vamos intensificar as mobilizações e ações, tanto nas empresas, incentivando negociações locais  como atuar  no Congresso Nacional”, adiantou Miguel Torres.

O presidente da Federação dos Químicos no Estado de São Paulo (Fequimfar), Sérgio Luiz Leite (Serginho), destacou que a redução da jornada de trabalho pode trazer ganhos importantes para os trabalhadores.

“A redução da jornada irá melhorar a qualidade de vida e a qualificação dos trabalhadores”, afirmou.

O secretário-geral da Federação dos Metalúrgicos de São Paulo, Claudio Magrão de Camargo, ressaltou que, apesar da diversidade existente entre as categorias, a unidade é fundamental para avançar nas reivindicações.

“A diversidade nas categorias é muito grande. O importante é unirmos as categorias e fortalecer a luta para avançarmos na redução da jornada de trabalho”, reforçou.

Já o presidente do Sindicato dos Borracheiros de São Paulo e Santo André (Sintrabor), Márcio Ferreira, destacou que as entidades sindicais possuem experiência e instrumentos para ampliar a mobilização.

“Os sindicatos têm ferramentas e conhecimentos para intensificar a luta. Nas fábricas já há negociação”, ressaltou.

O presidente do Sindicato dos Têxteis de São Paulo, Sérgio Marques, também enfatizou a importância de fortalecer a mobilização pelo fim da escala 6×1.

“A redução da jornada irá gerar empregos”, afirmou.

Redução da jornada

Durante o encontro, dirigentes também fizeram uma avaliação sobre o debate recente em torno da redução da jornada e da escala 6×1 nas redes sociais. Segundo a análise apresentada, o tema ganhou visibilidade a partir de mobilizações digitais, muitas vezes conduzidas por lideranças políticas sem vínculo direto com o movimento sindical.

Na avaliação dos sindicalistas, embora esse movimento tenha contribuído para ampliar o debate público e até impulsionado iniciativas políticas, ele não resultou na construção de organização coletiva entre os trabalhadores nem incentivou a participação nas entidades sindicais.

Dirigentes destacaram que a negociação efetiva das condições de trabalho depende da atuação das entidades representativas. “Quem tem poder de negociação são os sindicatos”, ressaltaram.

Diante desse cenário, a estratégia definida na reunião é retomar o protagonismo das entidades sindicais na condução da pauta da redução da jornada, levando reivindicações organizadas pelos sindicatos e federações diretamente aos setores patronais.

A iniciativa deve começar pelo setor industrial, com negociações junto às empresas e entidades empresariais. A proposta é ampliar posteriormente o debate para comércio e serviços, buscando incentivar a mobilização em todo o país.

Outro eixo da estratégia é estimular a organização dos trabalhadores nos locais de trabalho e fortalecer as negociações coletivas por empresa e por setor econômico, conduzidas pelos sindicatos e federações de trabalhadores.

“A intenção é dialogar com os setores e desenvolver, juntos, estratégias de luta e negociar e pressionar   o setor patronal”, finalizou Miguel Torres.

Representatividade

A mobilização envolve uma ampla base sindical no Estado de São Paulo. Levantamento apresentado na reunião aponta que a central reúne 206 entidades filiadas no estado, sendo 199 sindicatos da área industrial que participam diretamente das articulações com o setor produtivo.

Desse total, 24 entidades estão localizadas na Grande São Paulo, distribuídas entre os setores:

  • metalúrgico (7),
  • químico (5),
  • têxtil e vestuário (5) e outras categorias.

Já no interior do estado, o número chega a 161 entidades, abrangendo categorias como:

  • alimentação (34),
  • construção civil (4),
  • eletricitários (2),
  • gráficos (17),
  • metalúrgicos (48),
  • químicos (40) e
  • têxtil e vestuário (16).

No estado de São Paulo, a Força Sindical reúne 202 entidades sindicais do setor industrial, que representam 1.370.687 trabalhadores distribuídos em sete categorias da indústria.

Entre elas estão:

  • metalúrgicos, com 486.034 trabalhadores;
  • construção civil, com 351.056;
  • têxtil e vestuário, com 183.890;
  • químicos, com 149.884;
  • alimentação, com 105.393;
  • gráficos, com 84.300;
  • e eletricitários, com 10.130 trabalhadores.

Esses números demonstram a forte presença sindical e a ampla representação de trabalhadores industriais no estado.

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