PUBLICADO EM 11 de mar de 2026

Dirigentes sindicais alertam para impacto da importação de pneus na indústria nacional

Descubra como a importação de pneus está interferindo na indústria brasileira e o que isso significa para o mercado nacional.

A importação de pneus é uma preocupação crescente no Brasil. Descubra os efeitos sobre o setor com nossos especialistas.

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Os presidentes Márcio Ferreira, da FENABOR/SINTRABOR, e Josué Pereira, do Sindborracha Camaçari, alertaram para os impactos da importação de pneus no Brasil durante entrevista concedida ao programa Fala Cidade Bahia, da Rádio Sauípe FM, apresentado pelo radialista Marco Antônio. A participação ocorreu na tarde da última terça-feira, 10 de março.

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Durante a entrevista, os dirigentes destacaram a preocupação do setor com o aumento da entrada de pneus importados, especialmente do mercado chinês, e os efeitos dessa concorrência para a indústria instalada no país. Segundo Josué Pereira, a chamada “invasão” de produtos estrangeiros tem relação direta com as dificuldades enfrentadas pelas fábricas brasileiras e com as demissões registradas na unidade da Continental em Camaçari (BA).

O tema também foi associado à recente inauguração da fábrica da montadora chinesa BYD em Camaçari. Questionado sobre o fornecimento de pneus para os carros elétricos produzidos pela empresa, Josué explicou que o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, solicitou que a multinacional priorizasse a compra de peças e equipamentos da indústria nacional. De acordo com ele, representantes da BYD já visitaram plantas da Continental e da Bridgestone, mas ainda utilizam muitos componentes importados.

“Quando a segunda etapa da fábrica estiver concluída, a expectativa é que no futuro a empresa passe a adquirir pneus fabricados no Brasil”, afirmou o dirigente.

Mobilização

O presidente da FENABOR, Márcio Ferreira, destacou que o problema da importação de pneus não é recente e remonta a decisões tomadas em governos anteriores. Segundo ele, a redução da taxa de importação e do preço mínimo da borracha no país ampliou a competitividade dos produtos estrangeiros no mercado brasileiro.

Ferreira ressaltou que, após mobilização da Federação e de sindicatos filiados, foi possível restabelecer parte da proteção ao setor, com a elevação da alíquota de importação para 16% nos pneus de carga e 25% nos pneus de passeio. Ainda assim, ele avalia que a medida não foi suficiente para equilibrar a concorrência.

“A margem de lucro dessas importadoras de países asiáticos é muito grande, por isso esse acréscimo não surtiu tanto efeito”, afirmou.

O dirigente também destacou que, apesar de terem preço inicial mais elevado, os pneus produzidos no Brasil apresentam maior durabilidade, o que acaba representando melhor custo-benefício para o consumidor.

Ao final da entrevista, Josué Pereira anunciou a realização do 2º Encontro da FENABOR, que acontece em Camaçari a partir do dia 11 de março. O evento reunirá representantes do setor para discutir a importação de pneus, o impacto das demissões na indústria, as perspectivas para os trabalhadores e as negociações coletivas da categoria.

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