PUBLICADO EM 14 de set de 2025

Deu no New York Times: Lula defende democracia e a soberania brasileiras

Conheça a opinião de Lula no New York Times sobre democracia e soberania, um apelo ao diálogo em meio a tensões comerciais.

Lula na apresentação do novo slogan do governo, em 26/8/25. Seu governo promove a democracia e o desenvolvimento. Foto: Ricardo Stuckert

Lula no New York Times: um chamado à democracia e soberania brasileiras em resposta a Donald Trump/Foto: Ricardo Stuckert

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou neste domingo (14) um artigo especial no jornal norte-americano The New York Times, um dos veículos mais influentes do mundo. Intitulado “A democracia e a soberania brasileiras são inegociáveis”, o texto é assinado pelo próprio Lula e traz uma mensagem direta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio ao agravamento da tensão comercial entre os dois países.

Diálogo direto com Washington

Logo no início, Lula explica sua decisão de escrever o ensaio como um gesto de diálogo aberto e franco. Ele lembra sua trajetória de negociações, desde a época de líder sindical até o atual mandato presidencial, para justificar a importância de escutar os diferentes lados em disputas políticas e comerciais.

O ponto central do artigo é a crítica à tarifa de 50% imposta pelo governo Trump sobre produtos brasileiros. Lula reconhece que a reindustrialização americana e a recuperação de empregos são objetivos legítimos, mas alerta que recorrer a medidas unilaterais é “o remédio errado”. Segundo o presidente brasileiro, o multilateralismo é o único caminho para soluções justas e sustentáveis.

Tarifas sem lógica econômica

Lula apresenta números que, em sua visão, desmentem a justificativa da Casa Branca. Ele aponta que os EUA não têm déficit comercial com o Brasil e, ao contrário, acumularam superávit de US$ 410 bilhões no comércio bilateral nos últimos 15 anos. “Quase 75% das exportações dos EUA entram no Brasil sem tarifas, e a média efetiva sobre produtos americanos é de apenas 2,7%”, escreveu.

A conclusão de Lula é que a motivação da medida é política, e não econômica. Segundo ele, o governo norte-americano estaria utilizando tarifas e a Lei Magnitsky como instrumentos para tentar garantir impunidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado na última quinta-feira (11) pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

STF e a defesa da democracia

No artigo, Lula elogia a decisão histórica do STF que condenou Bolsonaro por orquestrar uma tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023. O presidente afirma que o julgamento seguiu rigorosamente os preceitos da Constituição de 1988 e foi sustentado por meses de investigações que revelaram até mesmo planos de assassinato contra autoridades brasileiras.

“Não se tratou de caça às bruxas”, escreveu Lula, destacando que a decisão salvaguarda o Estado Democrático de Direito no Brasil.

Fake news, Amazônia e PIX

O texto rebate também as críticas americanas de que o Brasil persegue empresas de tecnologia. Lula afirma que todas as plataformas digitais — nacionais ou estrangeiras — devem obedecer às leis brasileiras e que não se pode confundir regulação com censura. “A internet não pode ser uma terra sem lei, onde abusadores têm liberdade para atacar nossas crianças”, defendeu.

Outro ponto enfatizado foi o sucesso do sistema de pagamento PIX, que Lula descreveu como uma ferramenta de inclusão financeira que não pode ser penalizada sob o pretexto de competição desleal.

No campo ambiental, o presidente lembrou que o Brasil reduziu o desmatamento da Amazônia pela metade nos últimos dois anos e confiscou centenas de milhões de dólares em ativos ligados a crimes ambientais em 2024. Porém, advertiu: sem compromisso global na redução das emissões de gases de efeito estufa, “a floresta amazônica corre o risco de virar savana”.

Relação bilateral e soberania

Apesar das críticas duras, Lula deixou claro que o Brasil não fecha as portas ao diálogo. Ele citou um discurso do próprio Trump na ONU em 2017, sobre o respeito entre nações soberanas, para reafirmar sua disposição em negociar pontos de interesse mútuo.

Mas encerrou com firmeza: “A democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta”.

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