
Desocupação atinge menor nível. Setor da Construção é um dos responsáveis pelo índice. Na foto: trabalhadores da Construção Pesada da Bahia. Facebook Sintepav-BA
A taxa de desocupação do trimestre móvel encerrado em outubro de 2025 caiu para 5,4%, repetindo o menor nível desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. O índice recuou 0,2 p.p. em relação ao trimestre de maio a julho (5,6%) e 0,7 p.p. em comparação a outubro de 2024 (6,2%).
Segundo o IBGE, a população desocupada caiu para 5,910 milhões, o menor contingente da série. Houve queda de 3,4% (menos 207 mil pessoas) no trimestre e de 11,8% (menos 788 mil) no ano.
O total de trabalhadores permaneceu estável em 102,5 milhões, ainda em patamar recorde, e o nível de ocupação ficou em 58,8%. Já os empregados com carteira assinada bateram novo recorde, chegando a 39,182 milhões.
Subutilização e desalento também recuam
A taxa composta de subutilização manteve-se em 13,9%, a menor da série histórica. Os subocupados por insuficiência de horas caíram para 4,572 milhões, menor número desde abril de 2016.
A força de trabalho potencial recuou para 5,2 milhões, menor nível desde dezembro de 2015. Durante a pandemia, esse número chegou a 13,8 milhões.
O desalento caiu a 2,647 milhões, após ter alcançado 5,829 milhões no início de 2021.
Segundo Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa, “o elevado contingente de pessoas ocupadas nos últimos trimestres reduz a pressão por busca de trabalho e mantém a trajetória de queda da desocupação”.
Construção e Administração Pública puxam crescimento da ocupação
Embora a população ocupada tenha ficado estável, dois grupamentos tiveram expansão:
- Construção: +2,6% (mais 192 mil pessoas)
- Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais: +1,3% (mais 252 mil pessoas)
Houve queda em:
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Outros serviços: –2,8% (menos 156 mil pessoas)
Na comparação com outubro de 2024:
Crescimentos:
- Transporte, armazenagem e correio: +3,9% (mais 223 mil)
- Administração pública e serviços sociais: +3,8% (mais 711 mil)
Quedas:
- Outros serviços: –3,6% (menos 203 mil)
- Serviços domésticos: –5,7% (menos 336 mil)
Informalidade permanece estável, mas cai na comparação anual
A taxa de informalidade ficou em 37,8%, o equivalente a 38,7 milhões de trabalhadores — mesma proporção do trimestre anterior, mas abaixo dos 38,9% de 2024.
Setor privado com carteira assinada:
- Novo recorde: 39,182 milhões
- Estabilidade no trimestre
- +2,4% no ano (mais 927 mil pessoas)
- Setor público:
- Estável em 12,9 milhões
- +2,4% no ano (mais 298 mil)
- Informais:
- Sem carteira no setor privado: estável em 13,6 milhões, com queda anual de 3,9%
- Conta própria: 25,9 milhões, estável no trimestre e +3,1% no ano
Massa de rendimento e renda média batem novos recordes
A massa de rendimento dos trabalhadores atingiu recorde de R$ 357,3 bilhões, com estabilidade no trimestre e alta de 5% no ano.
O rendimento médio real habitual também se manteve em nível recorde, estável no trimestre e com alta de 3,9% em relação a 2024.
No trimestre, apenas um grupamento teve aumento significativo:
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Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas: +3,9% (R$ 190)
Na comparação anual, houve altas em diversas áreas:
- Agricultura, pecuária e pesca: +6,2%
- Construção: +5,4%
- Alojamento e alimentação: +5,7%
- Informação e atividades financeiras: +5,2%
- Administração pública e serviços sociais: +3,5%
- Serviços domésticos: +5,0%
Segundo Beringuy, “a estabilidade do rendimento associada ao elevado contingente de trabalhadores sustenta os valores recordes da massa de rendimento”.
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