
Descubra como os influenciadores digitais revolucionaram a comunicação. O papel das blogueiras na mídia moderna é essencial.
As blogueiras de moda, que na década de 2010 desbancaram grandes revistas do setor, foram pioneiras na área de influenciadores digitais. A conclusão é da professora Issaaf Karhawi, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e autora do livro De Blogueira a Influenciadora.
Karhawi, que estuda influência digital há mais de uma década, explica que o fenômeno começou justamente quando as primeiras blogueiras de moda romperam a lógica tradicional da mídia e ocuparam espaços antes reservados a jornalistas.
Aquele processo evidenciou a chamada “cultura da participação”, em que qualquer pessoa pode produzir conteúdo e circular na mídia sem depender dos antigos mediadores.
Legitimação
Issaaf realizou uma pesquisa com 52 blogueiras e identificou etapas de profissionalização – que continuam a estruturar o mercado de influência:
- anonimato,
- legitimação,
- institucionalização e
- atuação profissional.
Entre todas, a fase da legitimação é central — primeiro pelo público, depois pelos pares, pela mídia e finalmente pelas marcas, que consolidam o influenciador como agente econômico relevante.
Impacto da influência
Casos recentes de grande repercussão, como o vídeo-denúncia que envolveu Felca e Hytalo Santos, mostram que a influência pode ser positiva ou negativa.
Enquanto Felipe Bressanim Pereira Felipe Bressanim Pereira , o Felca, fez uma denúncia contundente sobre a adultização nas redes e canais de vídeo, levando a um amplo debate social e até à criação de leis para o tema, as denúncias envolvendo Hytalo Santos apontam para um esquema de exploração e sexualização de crianças e adolescentes em conteúdos digitais.
Sem barreiras de entrada, o algoritmo dá visibilidade a diferentes conteúdos, para o bem e para o mal. Por isso, Issaaf destaca que é urgente discutir a regulamentação das plataformas, especialmente em temas como desinformação, discurso de ódio e impactos na saúde pública.
Para o futuro, ela acredita que os influenciadores continuarão existindo, porque a lógica da influência é anterior às redes sociais. O que muda são as plataformas — como o TikTok, que reorganiza práticas e define novas competências — e a necessidade crescente de regras claras para o trabalho e para a atuação profissional no ecossistema digital.
Com informações de Jornal da USP
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