PUBLICADO EM 05 de jun de 2025

Convenção para proteger trabalhadores em apps é aprovada na OIT

Saiba mais sobre a decisão histórica da OIT para trabalhadores em apps e as novas regras que garantem seus direitos.

Entregadores formam um grande contingente de trabalhadores por app

Entregadores formam um grande contingente de trabalhadores por app

Após dias de intensos debates, embates diplomáticos e articulações sindicais, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) aprovou, nesta quarta-feira (4), a criação de uma Convenção Internacional do Trabalho sobre as condições laborais na economia de plataformas digitais. A decisão representa uma vitória histórica para a classe trabalhadora mundial e contou com o apoio decisivo do Brasil, do México, da União Europeia, de países africanos e caribenhos.

A convenção – que será complementada por uma recomendação e terá sua redação final concluída em 2026 – estabelecerá regras obrigatórias para garantir direitos e dignidade a milhões de entregadores, motoristas e trabalhadores de empresas digitais em todo o mundo.

“Este é um momento histórico para a classe trabalhadora. Os trabalhadores, junto ao governo brasileiro, à União Europeia, aos países africanos e do Caribe, derrotaram as plataformas digitais, capitaneadas pelos EUA e pela China. Teremos uma Convenção Internacional do Trabalho para os trabalhadores em aplicativos”, celebrou Antonio Neto, presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB) e membro da Comissão de Normas da OIT.

Durante a sessão, o ex-ministro Gilberto Carvalho, atualmente Secretário Nacional de Economia Popular e Solidária e representante do governo brasileiro, fez um apelo humanitário aos países contrários, lembrando que milhões de trabalhadores vivem hoje em situação de indignidade:

“Precisamos garantir direitos e dignidade humana. Sabemos todos aqui a diferença entre uma convenção e apenas uma recomendação”, afirmou.

Os Estados Unidos, apoiados por países como China, Japão, Índia e Suíça, lideraram a pressão para limitar a discussão a uma recomendação não vinculante. Os empregadores votaram em bloco contra a convenção, enquanto os representantes dos trabalhadores aprovaram a proposta por unanimidade.

A sindicalista britânica Amanda Brown, vice-presidente da comissão pela bancada dos trabalhadores, destacou que o objetivo não é travar a inovação tecnológica, mas sim garantir condições dignas:

“Os trabalhadores não querem frear a inovação, querem trabalho decente no mundo todo”.

A delegação governamental brasileira foi composta pela chefe da Assessoria Especial para Assuntos Internacionais do Ministério do Trabalho e Emprego, Maíra Lacerda, e por Gilberto Carvalho.

O que muda com a convenção?

A nova convenção, que será finalizada na próxima Conferência Internacional do Trabalho, em 2026, obrigará os países a legislar para proteger os trabalhadores de plataformas digitais, que atualmente operam, em sua maioria, sem garantias trabalhistas.

Com isso, abre-se caminho para reverter a precarização acelerada do trabalho em setores como entrega de alimentos, transporte por aplicativos e outros serviços digitais.

“A CSB seguirá atuando de forma ativa na construção desse marco internacional, defendendo os direitos dos trabalhadores e ampliando a organização sindical nesse novo mundo do trabalho”, comemorou Antonio Neto.

CSB presente no Ato pela Argentina e pelas Américas

Também nesta quarta-feira, a delegação da CSB participou do Ato em Solidariedade à Argentina e às Américas, organizado pelas centrais sindicais argentinas CTA e CGT, com apoio da Confederação Sindical Internacional (CSI) e da Confederação Sindical das Américas (CSA).

A CSB foi representada por Sérgio Arnoud, presidente da CSB-RS e da Fessergs, que manifestou solidariedade aos trabalhadores argentinos perseguidos pelo governo Javier Milei e criticou duramente o avanço das políticas neoliberais e antissindicais no continente:

“O que está acontecendo na Argentina com Javier Milei é uma ameaça real a todos os trabalhadores da América Latina. Sua política antissindical, autoritária e destruidora de direitos representa um retrocesso histórico. A CSB se solidariza com os companheiros da CTA e da CGT, assim como com todos os trabalhadores latino-americanos que estão enfrentando governos que querem desmontar as conquistas sociais e calar as vozes dos sindicatos”, declarou Arnoud.

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