PUBLICADO EM 11 de set de 2025

Com lucro recorde, Itaú vigia e demite mil bancários

Com o maior lucro do sistema financeiro, Itaú vigia e demite cerca de mil bancários em home office sem qualquer advertência prévia

Com lucro recorde, Itaú vigia e demite mil bancários

Com lucro recorde, Itaú vigia e demite mil bancários. Dispensas em massa foram realizadas de forma unilateral, sem transparência e sem respeito aos princípios de negociação – Foto: Divulgação

Na última segunda-feira (8), o Itaú demitiu cerca de mil bancários e bancárias que atuavam em regime híbrido ou integralmente remoto. As dispensas atingiram o CT (Centro Tecnológico do Itaú) e o CEIC (Centro Empresarial Itaú Conceição), localizados em São Paulo.

De acordo com o banco, os funcionários estavam sendo monitorados há mais de seis meses e foi detectada “baixa aderência ao home office”.

A instituição utilizou softwares que coletam métricas como tempo de login, uso de sistemas corporativos e períodos de inatividade para cruzar dados com registros de ponto eletrônico. Os trabalhadores foram dispensados sem qualquer advertência prévia.

Laurito Porto Lira, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região, classifica a medida como “injustificável” e “desumana”. Além disso, ele aponta que o monitoramento dos funcionários fere o próprio Código de Ética do Itaú.

A liderança também destaca que a demissão em massa, sem diálogo com a categoria e com as entidades que representam os trabalhadores caracteriza uma prática antissindical.

“O primeiro ponto é entender que essa atitude é desumana e, sem a devida negociação, fere princípios previstos nas relações de trabalho, como o direito à informação, à defesa e à progressividade das medidas disciplinares. Podemos entender ainda como um rompimento da boa-fé e um ato antissindical, uma vez que essas demissões não foram trazidas para debate junto ao movimento sindical bancário, rompendo o princípio do diálogo social recomendado pela Organização Internacional do Trabalho”, diz.

Outro reflexo, segundo o sindicalista, é o aumento da insegurança e do adoecimento mental entre os trabalhadores, que passam a compor uma equipe ainda mais reduzida.

“Essa medida, além de buscar fragilizar a representação sindical, gera insegurança para os trabalhadores do Itaú, sobrecarga de trabalho e problemas relacionados à saúde mental”, reforça.

De acordo com Lira, assim que tomou conhecimento do fato, as organizações sindicais, por meio da COE Itaú (Comissão dos Empregados do Itaú) se reuniu com o banco e solicitou a imediata revisão das demissões. Em resposta, o banco se comprometeu a avaliar apenas os casos de trabalhadores adoecidos.

“Como as demissões ocorreram, principalmente, na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, este também se reuniu com o banco, cobrou transparência no processo, agendou atendimentos às pessoas afetadas e uma reunião com os trabalhadores demitidos”, compartilha.

Ainda, segundo ele, o Sindicato de São Paulo anunciou que realizará protestos para cobrar um posicionamento do Itaú, além de exigir a repactuação do acordo de teletrabalho.

A expectativa é que os demais sindicatos, de diferentes regiões do país, também convoquem atos em apoio. “A COE Itaú encaminhará ações nacionais contra essa atitude arbitrária e antissindical”, sinaliza.

Nesta quarta-feira (10), o movimento sindical bancário está puxando um tuitaço contra as demissões do Itaú através da hashtag: #ItauFeitoParaDemitir.

Uma nova reunião entre as entidades sindicais e a direção do banco foi marcada para a próxima segunda-feira (15).

Não é a primeira vez 

De acordo com Lira, não é a primeira vez que o Itaú comete abusos e desrespeita direitos dos trabalhadores, incluindo a falta de reconhecimento às entidades sindicais.

Ele cita casos de perseguição a dirigentes sindicais em Londrina.

“Em nossa avaliação, perseguiu diretores na base, transferindo-os de agências com número significativo de trabalhadores para agências menores com quadro reduzido. Agora, o Itaú realiza essa demissão em massa sem negociação prévia com o movimento sindical. Entendemos, portanto, que não se trata de um movimento isolado”, indica.

Mais lucro à custa de menos trabalhadores

No último semestre, o Itaú obteve lucro superior a R$ 22,6 bilhões. Com o maior lucro do sistema financeiro brasileiro, e recorde para o grupo no período, atualmente, o banco vale mais que seus três principais concorrentes somados. O Itaú é avaliado em R$ 385,8 bilhões enquanto Santander, Banco do Brasil e Bradesco valem, juntos, R$ 383,7 bilhões.

Mesmo com esse resultado, o Itaú segue extinguindo postos de trabalho. Nos últimos 12 meses, o banco fechou 518 vagas, reduzindo o quadro a 85.775 empregados.

Encaminhamentos

Os trabalhadores atingidos pela demissão arbitrária devem:

  • Procurar imediatamente seu sindicato local;
  • Reunir provas documentais, como e-mails, cartas, holerites, comprovantes de jornada, carta de demissão, registros de teletrabalho e eventuais laudos médicos;
  • Não assinar documentos que limitem direitos sem avaliação jurídica prévia do sindicato;
  • Solicitar acesso aos critérios e aos dados de monitoramento utilizados pelo banco.

“Considerando que o banco aceitou rever as demissões de pessoas adoecidas, aqueles em tratamento ou afastados por motivo de saúde devem contatar o sindicato local imediatamente, pois essa é a via para potencial reversão da demissão. Nos demais casos, os trabalhadores devem buscar atendimento jurídico do sindicato para tratar judicialmente essas demissões arbitrárias, com base nas provas constituídas”, finaliza Lira.

Leia também: SinSaúdeSP vai recorrer de sentença sobre demissões no Hospital Municipal Bela Vista

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