PUBLICADO EM 11 de out de 2017
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Colunista Luiz Inácio Lula da Silva

Verdade e democracia

O movimento sindical brasileiro, onde iniciei minha militância social, cumpriu historicamente e continua cumprindo papel fundamental na mobilização e organização dos trabalhadores em torno da agenda democrática.

Além de defender a pauta dos trabalhadores, temos lutado pela democracia, pelas conquistas sociais e pelos direitos mais amplos da população. O movimento sindical lutou contra a ditadura, pelo direito de greve, pelas eleições diretas, pela Constituinte e os avanços que nela conquistamos.

Durante os governos populares e democráticos, as centrais sindicais participaram ativamente da elaboração e implementação de políticas públicas que fizeram o Brasil crescer e tornar-se mais justo, a criar 21 milhões de empregos, tirar 36 milhões de pessoas da pobreza, levar mais de 40 milhões para a classe média.

A política de valorização permanente do salário mínimo, que cresceu 74% acima da inflação e puxou para cima todas as outras faixas salariais, o crédito consignado e o Minha Casa Minha Vida, entre outras ações, levaram os trabalhadores a um novo patamar de cidadania. Muitas dessas políticas públicas nasceram de propostas do próprio movimento sindical.

Todas esses avanços, além de conquistas acumuladas ao longo da História, ao custo de muita luta e até da vida tantos companheiros, estão hoje ameaçadas por um governo golpista, que começou rasgando a Constituição e segue avançando contra os trabalhadores e contra o povo brasileiro.

Este governo golpista aprovou no Congresso Nacional uma lei de terceirização e uma reforma da CLT que fazem as relações trabalhistas no Brasil retrocederem ao início do século passado. Este governo golpista está cortando as verbas da educação e da saúde, estrangulando programas como o Bolsa Família, o Minha Casa Minha Vida, o Programa de Aquisição de Alimentos.

Querem impor ao país uma marcha para trás, destruindo as instituições que promovem o desenvolvimento e vendendo nossas riquezas ao estrangeiro, a preço vil. Tentam reduzir a importância, sucatear o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, o BNDES. Desmontam a Petrobrás e a indústria naval. Entregam os poços do pré-sal e querem entregar as reservas minerais estratégicas da Amazônia.

É uma gente que vê os trabalhadores e o povo mais humilde não como seres humanos, mas como mera estatística. E nós já provamos que o Brasil cresce, distribui renda, gera empregos e oportunidades quando os trabalhadores e o povo estão no centro das preocupações do governo.

Tenho viajado pelo país, recentemente percorri os 9 Estados do Nordeste, e percebo que as pessoas sabem que foram enganadas no golpe de 2016. Porque disseram que os problemas do país seriam resolvidos se tirasse a presidenta eleita Dilma Rousseff. A Rede Globo repetia isso o dia inteiro. E ao invés de melhorar, o Brasil piorou, principalmente para os mais pobres.

Mas vejo também que as pessoas sabem que o Brasil pode voltar a dar certo, pode ser muito mais do que já foi, desde que o povo volte a ser o grande protagonista, exercendo o direito de escolher o governo, nas urnas, em eleições democráticas.

Para garantir esse direito, garantir a soberania popular, é muito importante a mobilização a partir dos sindicatos, somando forças com os movimentos sociais e outros setores democráticos do país. E é muito importante também enfrentar, com nossos meios, o monopólio da comunicação exercido pela Globo e pelas famílias donas dos grandes jornais e emissoras de rádio.

Por isso, saúdo a iniciativa da Força Sindical, UGT e CSB de lançar a Rádio Peão Brasil, que será um elo importante na rede de comunicação popular a serviço da verdade e da democracia em nosso Brasil.

Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-Presidente da República

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