PUBLICADO EM 03 de jan de 2022
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Colunista Miguel Torres

Unidade de ação para resgatar o desenvolvimento com justiça social

Ato das centrais sindicais em defesa da previdência, fevereiro de 2019. Foto: Jaélcio Santana

Desde as marchas das centrais sindicais iniciadas em 2004 as ações unitárias são práticas comuns em nosso cotidiano. Mas nos últimos anos quatro anos elas se intensificaram. Tanto que entre 2020 e 2021 consolidamos um Fórum da Centrais Sindicais através do qual nos mantemos em contato direto e permanente.

Esta relação permite que em muitas ocasiões consigamos tirar resoluções conjuntas sobre temas que interessam ao trabalhador. Por exemplo, nos últimos anos expressamos posições unitárias ao repudiar o golpismo do governo Bolsonaro e defender a democracia; quando nos contrapomos às diversas medidas que visam retirar direitos e precarizar ainda mais o trabalho; denunciando a desindustrialização e demissões em massa; quando buscamos tratar da correção monetária do FGTS junto ao STF; quando apoiamos a greves de Operários e Operárias; defendendo a prorrogação da desoneração da folha de pagamento para manter empregos; quando apoiamos o Natal sem fome; quando convocamos unitariamente os trabalhadores para diversos atos contra o desgoverno, em favor da vida e por mais e melhores empregos, além de diversas outras resoluções.

Os eventos do 1º de Maio Unitário em 2020 e 2021 foram grandes expressões da unidade de ação. No contexto da pandemia do coronavírus inovamos ao realizar grandes atos do Dia do Trabalhador totalmente online. Foram onze centrais sindicais brasileiras que projetaram a ideia da formação de uma ampla frente em prol da soberania nacional, unindo políticos de diferentes matizes como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (PT), além dos ex-ministros Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede). Conseguimos furar a bolha e criar um polo aglutinador de partidos, movimentos sociais e instituições democráticas. O grande legado do 1º de Maio de 2020 foi a afirmação de que o momento atual exige a convergência no combate intransigente ao autoritarismo e ao retrocesso.

As negociações para o Auxílio Emergencial mostraram como a união de forças é importante e faz toda a diferença na vida dos trabalhadores. Foram as Centrais Sindicais que, no contexto necessidade da quarentema devido à pandemia, apresentaram à Câmara dos Deputados uma proposta de criação de um auxílio emergencial de 500 reais. A proposta foi aceita pelo parlamento que, a partir dela, definiu aos valores de 600 reais e 1.200 beneficiários do Bolsa Família e desempregados, para trabalhadores por conta própria, autônomos, microempreendedores individuais, que vigorou entre abril e setembro de 2020. O Auxílio Emergencial garantiu renda básica de sobrevivência a milhões de brasileiros e manteve a economia ativa.

Para o ano que chega manteremos nossa pauta por emprego, renda e valorização da vida. Também vamos nos voltar ao processo eleitoral que poderá resultar em tempos melhores para o povo trabalhador. Nos empenharemos nisso. Investiremos energia para aumentar a representação da classe trabalhadora nos poderes legislativo e executivo. Isso porque, embora os trabalhadores sejam a grande maioria na sociedade, somos minoria no poder público. E quem defende nossos interesses? Só com democracia e soberania é possível reconquistar direitos sociais e trabalhistas, atingir uma sociedade com maior equidade e justiça social.

Para alinhavar nossas ideias e elaborar nossa pauta conjunta, realizaremos logo no primeiro quadrimestre de 2022 uma nova Conclat. Com o pretexto de entrar no debate e no processo eleitoral, a Conclat será mais um passo na consolidação do Fórum das centrais sindicais e um momento para debater e encaminhar questões como estrutura e o financiamento sindical.

Também estamos nos preparando para celebrar os 200 anos de independência do Brasil. É nosso papel, como representantes dos trabalhadores, elaborar ações para ressaltar tanto o protagonismo da nossa classe quanto a evolução dos direitos trabalhistas. Como o bicentenário cairá em um ano eleitoral, teremos a oportunidade de pensar o país tanto a partir de sua história quanto do seu futuro e de, acima de tudo, exaltar o povo brasileiro.

Através da unidade de ação somos capazes de elaborar e implementar ações mais amplas e representativas com mais força. A perspectiva é de muito trabalho para a construção de dias melhores. Para resgatar o desenvolvimento com justiça social e a soberania do país.

Miguel Torres, presidente da Força Sindical

 

As opiniões expostas neste artigo não refletem necessariamente a opinião do Rádio Peão Brasil

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