
A luta da classe trabalhadora é vital para a democracia e os direitos. Foto: manifestação das centrais sindicais em outubro de 2025, São Paulo. Facebook Fenepospetro.
A força motriz da nossa economia está nas mãos dos mais de 110 milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. Somos nós que geramos toda a riqueza, colocamos o lucro no bolso dos patrões e o pão na mesa das famílias. Quando valorizados, criamos o círculo virtuoso do desenvolvimento econômico com distribuição de renda.
No entanto, o que testemunhamos hoje em relação aos direitos e garantias trabalhistas vai além de uma crise passageira: é um desmonte estratégico. Não são aleatórias as sucessivas “reformas” e emendas constitucionais que atacam nossos direitos, mas um projeto que mira também as instituições democráticas forjadas ao longo das décadas para defender a classe trabalhadora.
Contrapeso vital ao poder político e econômico dos patrões, banqueiros e de seu braço ideológico na imprensa, as entidades sindicais enfrentam uma campanha permanente de pressão e intimidação.
Ao mesmo tempo, MPT, Justiça do Trabalho e a própria fiscalização do Ministério do Trabalho – que deveriam mediar a relação entre trabalhadores e patrões – são cada vez mais deslegitimados e esvaziados de suas funções essenciais. Há uma regressão sem precedentes, um desmonte calculado das trincheiras que protegem quem constrói o país.
Diante de ofensiva tão organizada, a pergunta que ecoa entre os progressistas é: onde está nossa retaguarda?
Três pilares de resistência
Não podemos contar com o Estado, nem esperar uma providencial mudança na correlação de forças no Congresso nas próximas eleições. Nós mesmos, o povo, sobretudo os trabalhadores, teremos que criar, por nossa própria conta, mecanismos de resistência e reação efetiva, assentados em três pilares indissociáveis, que sempre foram a nossa verdadeira força.
- O primeiro pilar é a organização sindical de base, combativa e unificada. Nosso poder nasce no chão de fábrica, na pista dos postos de abastecimento, nos call centers e canteiros de obra. Os locais de trabalho devem ser transformados em núcleos de resistência, conscientização e defesa mútua, porque a luta sindical vai além da negociação salarial. É a primeira linha de um projeto de nação que coloca o bem-estar do povo acima do lucro.
- O segundo pilar é a ação política consciente e estratégica. Não podemos assistir à política como um espetáculo distante. O voto deve ser compreendido como uma ferramenta da luta de classes. Como dirigentes sindicais, temos o dever de promover o voto consciente, que identifique quais candidaturas verdadeiramente se alinham com projetos de desenvolvimento democráticos e inclusivos.
- O terceiro pilar é a unidade de ação de toda a classe. A máquina de produzir desigualdades é poderosa e não distingue categorias, por isso nossa resposta deve ser coletiva. A união entre trabalhadores formais e informais, de diferentes setores, é a força capaz de frear a precarização e exigir políticas públicas que gerem emprego de qualidade e valorizem os salários.
A hora é de agir, organizar e disputar. A reconstrução das nossas defesas e a conquista de um futuro com justiça social dependem diretamente da nossa capacidade de unir o poder da base organizada ao poder do voto consciente.
Esta é a trindade que forma nossa resistência: sindicatos fortes, frente ampla de classe e participação política determinada. É com essas ferramentas que vamos reerguer nossos direitos e nosso país.



